segunda-feira, 15 de maio de 2017

Verdade histórica


[Mensagem divulgado no Fórum de Leitores eletrônico do Estadão, em 16/5/2017]

Em relação ao e-mail iolanda2606@gmail.com e a senha iolanda47, imperioso se faz investigar e verificar se é verdade que Iolanda era uma base médica da VAR PALMARES, localizada na vila Iolanda — da qual a Sra. Dilma Roussef teria sido integrante; se é verdade que 26/06 foi o dia do atentado da VAR PALMARES ao quartel que matou o soldado Mário Kozel Filho (26 de junho de 1968), do qual a Sra. Roussef teria participado; e ainda se é verdade que a senha tem relação com o ano de nascimento da Sra. Roussef (1947).

Se forem confirmados, esses dados constituir-se-iam em alicerce para a verdade histórica e para o discernimento do que seja decência, honorabilidade e ética; bem como para que uma parcela de brasileiros reflitam e revejam suas crenças, ilusões e fanatismo.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Gramscismo – utopia e realidade


[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores eletrônico do Estadão de 11/5/2017]

No artigo “Um teórico da política e da democracia”, (Estadão, de 9 de maio), o Sr. José Antonio Segatto faz uma brilhante apologia do pensamento do filósofo Antonio Gramsci. Sintetizando o texto em sua inferência final, o autor assevera que “a História parece ter-lhe dado razão quando, em 1927 – em carta a Tatiana Schucht, expondo as intenções ainda preliminares do que seriam os Cadernos – anteviu que precisava fazer algo ‘für ewig’ (para sempre).”
Seria razoável — evitando-se uma caracterização associada com integridade intelectual — que o articulista lembrasse que a obra de Gramsci pode ser considerada uma metáfora da reação às monstruosidades resultantes da aplicação das teorias de Karl Marx, com as dezenas de milhões de torturados e assassinados pelo socialismo real na então União Soviética.
Seria oportuno que ele lembrasse também que o petismo e o bolivarianismo, tão identificados com as ideias estatuídas no Foro de São Paulo, podem ser considerados aplicação das teorias de Gramsci em países da maltratada América setentrional.
Para não ser exaustivo, basta lembrar que sem a chaga do bolivarianismo — e com as riquezas naturais, população pequena e território médio —, em curto prazo, a Venezuela, poderia atingir o nível do Chile; e em médio prazo, poderia chegar ao patamar da Espanha. De forma similar, pelo menos na esfera educacional, política e econômica, sem as mazelas do petismo, num prazo razoável, o povo brasileiro poderia evoluir e colocar-se no nível de povos de países desenvolvidos médios.

Enfim, há a conveniência de que essas lembranças sejam completadas pela assertiva de que as consequências dos desmandos praticados no Brasil, na Venezuela e em outros países da região, consciente ou inconscientemente sob a inspiração do gramscismo, não são ‘für ewig’, mas são duradouras e de difícil reparação. É possível inferir pois, que só há uma solução para o triunfo da utopia: a eliminação da realidade. Ademais, é certo que uma realidade melhor pode ser alcançada abandonando-se a utopia.

domingo, 7 de maio de 2017

Revolução Vital


A origem e o futuro da vida estão entre as grandes curiosidades do ser humano. Ademais, criar vida artificialmente está entre as preocupações do homem contemporâneo. Nos livros gêmeos “Criação – a origem da vida” e “Criação – o futuro da vida”, Adam Rutherford analisa e expõe de forma magistral os temas correlatos.
A propósito, o jornal The Observer destaca que a obra se constitui em “um dos livros sobre ciências mais notáveis e genuinamente interessantes da última década” e o semanário Publishers Weekley assevera que “Rutherford dá vida à genética e à biologia sintética nesse panorama acessível sobre o passado e o futuro.”
Inicialmente, no primeiro livro, Rutherford ressalta que todos os seres vivos tem uma origem comum datada de 4 bilhões de anos atrás: a célula LUCA (Last Universal Common Ancestor — Último Ancestral Comum Universal); e também que todas as células vivas tem uma semelhança arquitetônica e funcional que desafia o senso comum, isto é, uma célula humana é tão parecida quanto se possa imaginar com a célula de uma simples bactéria.
O enorme tempo de evolução dos seres vivos se contrapõe ao pequeno tempo de sua compreensão. Rutherford ensina que foi somente entre meados do século XIX e do século XX que surgiram as três grandes ideias da biologia:
— a teoria celular — a partir da primeira observação de uma célula, em 1673, pelo curioso negociante de roupa branca, polidor de lentes e microscopista holandês chamado Antonie van Leuwenhock;
— a teoria darwiniana da evolução por seleção natural — proposta em 1859 pelo genial cientista e navegador aventureiro Charles Darwin, no livro “A Origem das Espécies”, depois de sua extraordinária viagem de pesquisa, partindo da Inglaterra, passando pela Argentina e Chile, ilhas Galápagos, Austrália e retornando para o ponto de partida; e
— a modelagem da estrutura do DNA, em 1953,  por James Watson, Maurice Wilkins e Francis Crick, com os dados tão cuidadosamente pesquisados, por Rosalind Franklin, sem o reconhecimento merecido, talvez por sua condição de pioneira cientista mulher.
Rutherford expõe a teoria de que a vida teria surgido em uma espécie de biorreator natural formado por “chaminés verticais vistas nas arrebatadoras imagens das torres instáveis da Cidade Perdida nas profundezas do maciço Atlantis, a meio caminho entre as ilhas Canárias e as Bermudas.”
Aí existiu um “campo hidrotermal no leito do mar ..., com águas extremamente alcalinas, com calor de até 90º, cheias de vida. ... As chaminés emergem do solo do mar quando as placas da Terra se deslocam e se fendem, revelando nova rocha virgem quente puxada do manto. Uma vez expostas, elas reagem com a água do mar, separando-a em oxigênio e hidrogênio, e grande número de outros gases igualmente repletos de potencial energético, ávidos por reagir. Ao fazê-lo, esses gases infiltram-se através das rochas, perfurando nelas uma estrutura alveolar, à medida que elas se resfriam na água do mar circundante, num processo chamado serpentinização.”
De acordo com o relato de Rutherford, segundo Nick Lane (que simulou com sucesso a serpertinização em um biorreator, em laboratório), Bill Martin, Mike Russell e meia dezena de outros cientistas, “é nessas pequeninas incubadoras [da Cidade Perdida] que os primeiros processos vitais ocorreram.”
Para encaminhar o entendimento do futuro da vida, no segundo livro, Rutherford apresenta a criação em 2010 — depois de mais de dez anos de pesquisa e dispêndio de cerca de US$ 40 milhões — da célula bacteriana Synthia, pela equipe liderada por J. Craig Venter, no âmbito das pesquisas desencadeadas pelo Projeto Genoma. A estrutura dessa célula não foi montada dentro de uma célula-mãe, como ocorrera com todas as células na história, mas num computador.
Um indicador da importância da pioneira Synthia é revelado pela inclusão pela equipe de Venter de mensagens no DNA da célula. Essas mensagens se compunham de quatro partes. A primeira era a versão das 26 letras do alfabeto inglês por intermédio das letras do código genético (os quatro componentes do DNA): A, de Adenina; C, de Citosina; G, de Guanina; e T, de Timina. Assim, para incluir as mensagens foi necessário um processo para codificação do texto e outro para a decodificação. A segunda e a terceira partes compreendiam as dezenas de nomes dos criadores da célula e um endereço da internet. E finalmente a última era um conjunto de três citações relacionadas com a pesquisa. O primeiro texto era “viver, errar, cair, triunfar, recriar a vida a partir da vida”, encontrada no livro “Retrato do artista quando jovem”, de James Joyce. O segundo texto era de J. Robert Oppenheimer, o cientista chefe do Projeto Manhattan e considerado o pai da bomba atômica: “Veja as coisas não como são, mas como poderiam ser.” E o terceiro texto foi a última mensagem que o cientista Richard Feynman deu para seus alunos, no CALTECH (California Institute of Technology), antes de morrer: “O que não posso criar, eu não posso compreender.”
Segundo Rutherford, o passo seguinte na evolução da biologia sintética foi a primeira publicação, em 2012, de um livro inteiro, intitulado “Regenesis”, criptografado digitalmente em DNA, por George Church, da Universidade de Harvard. Com 53 mil palavras, onze imagens e um texto de código de programa computacional, com cerca de cinco megabytes, as informações foram codificadas com um sistema binário: um A ou C representa o algarismo 1, e um T ou G representa o algarismo 0. As palavras são convertidas na forma digital, por intermédio das quatro letras e depois a sequência é sintetizada num computador, em comprimentos de 96 bases, cada um com etiquetas de informação sobre a localização dos segmentos, e assim por diante — o que os programadores chamam de metadados.
         A criação da célula sintética e o processo de armazenamento de dados no DNA — com vantagens sobre as memórias convencionais e sobre artefatos como os discos Blu-Rays, os pen-drives e os discos rígidos de computador — abrem perspectivas para que, em curto ou médio prazo, os chips de silício dos computadores sejam substituídos por chips de DNA. Para encerrar sua obra, Rutherford infere que “agora, pela primeira vez, estamos construindo sistemas vivos criados de uma maneira que reescreve a própria linguagem fornecida pela evolução.” É oportuno aduzir que, passados mais de duzentos anos da Revolução Industrial — ou indo ao paroxismo, depois de 4 bilhões de anos da Revolução Celular (iniciada com a célula LUCA) — ingressamos na alvorada de uma nova era, com perspectivas extraordinárias para as informações e para o conhecimento, e com inexcedível impacto na Informática e na Medicina. Poderíamos denominá-la Revolução Vital.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

O livro que abraça


No artigo “Um livro que abraça” (Correio Braziliense de 25 Abr 17), o senhor Cristovam Buarque assevera que, na década de 1970, um casal de militantes do PC do B “lutava contra a ditadura e pela democracia”. Ora, de acordo com testemunhos insuspeitos — porquanto formulados por participantes da luta contra o regime vigente —, o objetivo dos comunistas era a implantação da ditadura do proletariado.
Citando apenas um dentre vários exemplos, convém lembrar que, nas décadas de 1930 e 1940, a ditadura do proletariado soviética torturou e assassinou 7 milhões de ucranianos — efetividade similar a dos nazistas no mesmo período. Não precisa ser Aristóteles para inferir que aí está uma amostra do que poderia acontecer no Brasil se as metas colimadas pelos amigos do senhor Buarque terminassem vitoriosos.
       Que os políticos mintam é lamentável; porém quando um político que se declara educador ignora a verdade, configura-se um desastre. Indo ao paroxismo, pode-se afirmar que o fanatismo é doentio e o fanatismo ideológico é doentio e incurável. Daí resulta o paradoxo inevitável, a contradição singular: para a prevalência da fraternidade é imperiosa a eliminação dos fanáticos.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Processos da Lava Jato



[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores do Estadão de 17/4/2017]

Finalmente, o STF determinou a abertura de inquérito contra uma centena de políticos acusados pelo MPF de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato — incluindo 5 ex-presidentes da República e alguns auto declarados santos e santas (quem diria? ...). 
Como exercício de formulação hipotética, alguns cenários são cogitados. Em Pequim, em menos de um ano, todos seriam processados, julgados e condenados; alguns à pena capital, outros à prisão perpétua e os demais a penas de reclusão. Em Tóquio, uma parcela expressiva cometeria haraquiri. Em Pyongyong, todos seriam imediatamente fuzilados. Em Havana, em um mês, eles seriam processados, julgados e a grande maioria seria condenada à morte ou à prisão perpétua. Em Nova Iorque, Paris e Curitiba, em menos de dois anos, eles seriam processados, julgados e condenados à pena de reclusão — sendo que no hemisfério Norte, provavelmente, alguns meteriam uma bala na própria cabeça. Em Brasília ... bom, em Brasília, há a possibilidade de eles serem lentamente processados e julgados; podendo alguns serem condenados a pena de reclusão, em um prazo previsível de três a dez anos.

Em face do desdobramento de processos na capital brasileira, por um bom tempo, esses políticos continuarão fazendo parte da elite (sic) dirigente do país. Não são a justiça e a eleição formas de julgamento da democracia? Na falta de uma, prossegue somente com a outra. Então, os melhores cérebros devem imediatamente iniciar uma campanha por todas as redes sociais e demais meios para impedir que os acusados sejam reeleitos ou eleitos para novos cargos em 2018.