Matéria divulgada no fórum eletrônico da revista Veja em 13/10/2014
A propósito das pesquisas que serão divulgadas na próxima quarta feira, minha expectativa é que o próximo presidente do Brasil tenha as seguintes atitudes:
- tenha a sabedoria de agir como presidente de todos os brasileiros e não apenas de uma facção da sociedade;
- retome uma política externa que posicione o Brasil como incontestável líder na América do Sul e como agente global com importância diretamente proporcional às suas dimensões humanas, geográficas e estratégicas --- algo que foi perdido com a falta de rumos das administrações petistas;
- abandone as políticas internas de favorecimento de parcelas minoritárias da população (a rigor, minoritárias ou não), em favor do privilégio do mérito, do trabalho e da produção --- de tal sorte que o favorecimento ocorra agregado por decência e dignidade;
- tenha absoluta intransigência com a corrupção;
- provoque a aceleração dos processos judiciais;
- atribua prioridade absoluta para a Educação;
- combata o genocídio no trânsito das ruas e estradas (para minimizar cerca de 50.000 vítimas por ano, o que equivale, em termos de perdas de vidas humanas, a 100 participações do Brasil na Segunda Guerra Mundial; a 80 conflitos de 1964; e a 10 guerras do Vietnã, se considerarmos as 53.000 perdas de militares pelos Estados Unidos em 10 anos).
Há mais atitudes, ações. Fico com apenas essas. Já seria um grande salto para frente.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
Mensalão e pré-salão
Matéria divulgada no Fórum de Leitores eletrônico do jornal O Estado de São Paulo em 12/10/2014
Com relação
à estarrecedora matéria "Parecer aponta superfaturamento ..."
("Estadão", 10/10), convém asseverar:
- Lula, mensalão, condenação do
milhão;
- Dilma, pré-salão, denúncia do bilhão.
Chega!
É tempo de mudança!
É
tempo de coragem, decência e vitória!
E que prevaleça a verdade, apenas a
verdade.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Lideranças despreparadas
Matéria divulgada no sítio eletrônico do jornal O Estado de São Paulo - 12/09/2014
O editorial Um debate abastardado (Estadão de 11 de setembro de 2014) aponta com enorme clarividência a abissal indigência do debate político entre as duas candidatas com maior chance de chegar à Presidência da República no próximo mandato, com ênfase para a questão da autonomia do Banco Central,
O editorial Um debate abastardado (Estadão de 11 de setembro de 2014) aponta com enorme clarividência a abissal indigência do debate político entre as duas candidatas com maior chance de chegar à Presidência da República no próximo mandato, com ênfase para a questão da autonomia do Banco Central,
Para fulanizar um pouco mais a matéria — lembrando que o verbo fulanizar foi empregado no corpo do texto do Estadão para identificar atributo de afirmação de uma das presidenciáveis —, atenho-me inicialmente à candidata situacionista, e usando uma imagem antônima, convém lembrar que tudo que a Sra. Gisele Bundchen toca vira ouro e tudo que o Partido dos Trabalhadores toca vira porcaria insuportável. Justificando de forma inquestionável a severa assertiva sobre aquele partido e citando apenas os tópicos de fatos que permearam a gestão federal nos últimos doze anos de administração petista e potencializados no último mandato: o caso Celso Daniel, o Mensalão, o pré-sal de lama da Petrobrás, a precária infraestrutura brasileira, os índices econômicos, os índices de desempenho educacional, a excrescência do Mais Médicos, a compra de votos com o Bolsa Família, a política fracionária de cotas e muito mais, muito mais mesmo. Isso sem falar no outrora promissor líder sindical, que foi transformado pelo petismo em alguém que despreza a verdade, odeia a liberdade de imprensa, contemporiza com as ditaduras e aumenta despudoradamente o patrimônio da família. Ressalvo que pode ter sido apenas encontro de ocasião, resultado de identificação ideológica, comportamental e ética; e não o citado processo de transformação.
No que concerne à contendora da coligação PSB-Rede Sustentabilidade-et al, há que enfatizar as incertezas que o País enfrentará no caso de sua vitória. Evidentemente, as dimensões geográficas, humanas, econômicas e históricas do Brasil impõem que o Palácio do Planalto seja ocupado por alguém com estatura de estadista e não apenas amadores talentosos e que só se destacam pelo deserto político, estratégico e gerencial plenamente habitado por uma plêiade de políticos e demais líderes com responsabilidade na gestão de nossos destinos, cujo objetivo essencial consiste primacialmente na satisfação de seus interesses individuais. Assim, não basta ser analfabeta aos dezesseis anos e depois ter uma progressão educacional e política exemplar. É preciso muito mais. É preciso ter sido testada nos principais cargos que antecedem o mais elevado de todos — o que certamente não ocorreu.
Em síntese, o Brasil está se candidatando a prosseguir a busca de seu destino por intermédio de lideranças despreparadas e completamente aptas a levar o País à perda do expresso da História e a condenar as atuais e as próximas gerações a amargar o sabor da falta de rumo, da ausência de perspectivas para uma vida mais consentânea com as aspirações ditadas pela razão e pela emoção — aspirações permeadas de metas identificadas com a satisfação das demandas pessoais, com a justiça, com a decência, com a generosidade, com a camaradagem e com a ética, e, para resumir com simplicidade: identificadas com o bem viver!
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Hannah Arendt e Marina Silva
Na quarta-feira passada, tive a
oportunidade de assistir ao filme Hannah Arendt, lançado nos
Estados Unidos em 2013, e que mostra aspectos fundamentais da vida da pensadora
que dá nome à película. Curiosamente, ela evitava se considerar filósofa;
preferia ser vista como uma analista política. No filme, há uma certa ênfase
para sua ida para Telaviv, com o objetivo de acompanhar, como jornalista e
correspondente da revista New Yorker,
o julgamento de Adolf Eichmann, nazista que após a Segunda Guerra Mundial se
refugiou em Buenos Aires; foi descoberto pelo serviço secreto israelense
Mossad; foi sequestrado na capital argentina; e foi levado a julgamento em
Israel.
Por conta da vivência no processo
judicial no Oriente Médio, a senhora Arendt transformou uma série de cinco
artigos em um novo livro, onde defendeu a tese da banalização do mal. Em
realidade, há indicações de que ela não concordou integralmente com o resultado
do julgamento do Eichmann. Para ela, esse cidadão foi condenado num julgamento
em que estiveram em tela as barbaridades do nazismo e, nesse sentido, ele
teria sido enforcado por crimes que não cometera. É uma tese controversa e a
sociedade nova-iorquina, muitos intelectuais e mesmos amigos se posicionaram
contra a escritora.
Esses comentários são motivados
menos pelo filme e mais por um artigo do jornalista Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal El Pais, no qual, coincidentemente, aponta as
motivações intelectuais da pensadora Hannah Arendt sobre a senhora Marina
Silva, candidata à Presidência da República pela coligação PSB-Rede
Sustentabilidade. A esse respeito, foi acolhida no sítio eletrônico daquele
jornal espanhol a mensagem (curta, porque para ser aceito o texto deve ter menos de 3000 caracteres) que é apresentada a seguir.
____________________________
O Sr. Juan Arias escreveu
um brilhante artigo alusivo à inspiração que a Sra. Marina Silva obtém no
ideário da Sra. Hannah Arendt (Hannah Arendt, la musa ideológica de Marina Silva,
em El Pais, de 1/9/2014). Porém, para os brasileiros é lamentável
que assim seja.
Por
suas dimensões geográfica, populacional econômica, entre outras, o
Brasil merecia ter intelectuais que indicassem o rumo da Nação. Merecia também
ter estadistas que seguissem os rumos indicados pelos primeiros. Não tem nem
intelectuais, nem estadistas.
Então, fica plenamente
justificado todas as assertivas do Sr. Juan Arias. A rigor, o que se vê é o
engrandecimento de uma política amadora que busca fora de suas fronteiras o
ideário que não encontra em seu próprio País e que possivelmente será eleita e
continuará contribuindo para que o Brasil siga os rumos atuais, isto é, para
que siga sem rumo, crescendo menos do que a grande maioria dos países
latino-americanos e menos do que todos os países integrantes do BRICS; para que
siga com severas deficiências em saúde, educação, moradia e segurança; e para
que siga como um dos mais corruptos países do sistema terrestre.
Com imensa
tristeza, parabenizo o Sr. Arias.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
A eleição presidencial
Hoje, antes do meio dia, faleceu
Eduardo Campos. Ele disputaria a Presidência da República pelo Partido
Socialista Brasileiro (PSB), na eleição de 3 de outubro de 2014. A aeronave
Cessna Citation em que ele viajava arremeteu ao tentar pousar em Santos e logo
depois caiu destruindo várias casas e matando todos os passageiros e os dois
pilotos.
Os outros candidatos que se
apresentam com chances de ganhar o pleito são: Dilma Roussef, do Partido dos
Trabalhadores (PT), candidata à reeleição e Aécio Neves, do Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB). Segundo as
pesquisas de opinião, até o fim da primeira semana de agosto, a presidente tinha da ordem de 38% da preferência dos eleitores, Aécio era o preferido por cerca de 20% e Eduardo, enquanto viveu, ultrapassava ligeiramente
os 10% da massa votante.
Dilma Roussef. A
administração da presidente Dilma Roussef tem sido marcada por grandes
controvérsias. A propósito, vale a pena recordar dois personagens com dimensão
que extrapola as fronteiras de seus países. Na década de 1960, Nelson Mandela
foi condenado à prisão por sua luta contra o racismo e contra a discriminação
de toda ordem na África do Sul. Ficou preso durante 27 anos, saiu da prisão,
retornou à militância política, foi eleito presidente de seu país e estendeu a
mão a seus algozes, pregando a paz, a conciliação, a decência e a justiça. Na
década de 1970, Michele Bachelet, que era criança, teve sua família perseguida
pela ditadura chilena de Augusto Pinochet. Na vida adulta, foi eleita presidente
do Chile. Ao ser perguntada sobre os problemas enfrentados por sua família,
respondeu que os fatos pertenciam à História e ela não tinha comentários a
fazer. Com essa atitude, ela estava sinalizando que os chilenos deveriam
encarar o futuro da Nação de forma coletiva e unificada. Ela concedeu-se a
faculdade de ser presidente de todos os chilenos.
Diferentemente, em nosso País,
em 2010, Dilma Roussef foi eleita com a participação fundamental de políticos e
empresários que antes do final deste seu primeiro mandato foram processados,
julgados e condenados à prisão por corrupção e malversação de recursos
públicos. No plano interno, adotou medidas que dividem a sociedade entre os que
lhe apoiam e os que se lhe opõem. Com a Comissão da Verdade retoma e acirra
conflitos históricos, caracterizados por aqueles que se aliaram, defenderam ou
simplesmente admiraram a União Soviética — potência mundial originada no leste
europeu por volta de 1917 e esfacelada em 1989 —, e pugnaram pela implantação do socialismo no
Brasil; e por aqueles que se aliaram, defenderam ou simplesmente admiravam os
Estados Unidos, o capitalismo, a democracia e o chamado mundo Ocidental. Com a
política do Bolsa Família, provê migalhas para milhões, incentiva a preguiça, desestimula a produção
e mantém eleitores cativos a troco de muito pouco. Com o incentivo à política
de cotas para negros, índios e despossuídos para ingresso na Universidade,
presta um enorme desserviço ao mérito e à qualificação profissional e pessoal.
No plano externo, alia-se à escória da América Latina, sintetizada pelos
governos de Cuba, Venezuela e Bolívia, bem como apoia ditadores de várias
longitudes. Com a importação de médicos cubanos, no âmbito do programa Mais
Médicos, desmoraliza a Medicina brasileira, carreia centenas de milhões de
dólares para o famigerado regime cubano e, por último e fundamental, não
soluciona os graves problemas de saúde dos brasileiros. Ela se candidata à
reeleição em meio a enormes contradições de atitude, pensamento e ações.
Aécio Neves. O candidato
do PSDB é sobrinho do falecido político Tancredo Neves, que em 1985, foi eleito
presidente da República, em eleição indireta, para substituir o presidente João
Batista Figueiredo; e que, na véspera da investidura no cargo, foi acometido de
grave doença e faleceu. Aécio respirou política desde a adolescência. Foi
assessor do tio. Ingressou no Parlamento muito jovem. Foi presidente da Câmara
dos Deputados, e como tal, em eventual impedimento do Vice-Presidente, tornou-se
o sucessor constitucional do titular do governo, tendo ocupado portanto o
terceiro cargo mais importante da República. Subsequentemente, foi eleito
governador de Minas Gerais, foi reeleito com maioria consagradora e saiu do
governo com mais de 80% de aprovação da população mineira. Dentre os aspectos
negativos que seus oponentes lhe atribuem, pode ser mencionada alguma
irresponsabilidade na vida pessoal, aí incluídos possíveis hábitos que muitos desaprovam — isso pode ser verdade ou pode simplesmente
tratar-se de intriga suja da oposição. Outro aspecto que o torna vulnerável ao
ataque dos adversários é a construção com recursos públicos, durante seu
governo em Minas Gerais, de aeroportos nas proximidades de fazendas de sua
família. Ademais, conforme confirmação dele próprio, ele utilizou um desses
aeroportos mesmo antes da homologação legal.
Eduardo Campos. O
candidato do PSB é neto de Miguel Arraes, que militou na política pernambucana
durante várias décadas. O avô teve os direitos políticos cassados na década de
1970, quando governador de Pernambuco, e foi para o exílio, por sua suposta
militância comunista. No retorno ao País, teve os direitos políticos
restabelecidos e foi eleito uma vez mais governador de Pernambuco. O jovem
Eduardo ligou-se umbilicalmente ao avô e ainda muito jovem passou a ter
importante papel na política pernambucana. Nesse sentido, foi assessor do avô e
posteriormente deputado federal, ministro de Estado e governador de Pernambuco.
Sua ação governamental foi marcada por enorme sucesso e aprovação popular. Em
sua gestão, aquele estado nordestino teve desenvolvimento econômico
expressivamente superior à média brasileira. Afora, a grande capacitação
administrativa, Eduardo Campo se notabilizou pelo entusiasmo, otimismo
contagiante e enorme qualificação na gestão de conflitos políticos,
especialmente porque sempre conseguiu a harmonização de correntes opostas, daí
resultando o respeito e a admiração de aliados e oponentes. Dentre as poucas
críticas levantadas durante a porfia que envolve os candidatos à Presidência,
estava o apoio e a pertinaz defesa do
nome de sua genitora para o Tribunal de Contas do estado de Pernambuco. Para
alguns opositores, esse apoio foi indevido por caracterizar nepotismo, agravado
pelo fato de que na condição de integrante daquela instância fiscalizadora dos
atos do governador, ela faria parte da equipe que julgaria as contas do próprio
filho.
Marina Silva. Com a morte
de Eduardo Campos, a postulante ao cargo vice-presidente Marina Silva se torna a
substituta preferencial. Ela é oriunda de família modesta do interior do Acre.
Começou o processo de escolarização aos dezesseis anos. Por sua inteligência,
talento e vocação, teve meteórica evolução social, cultural e política.
Concluiu curso superior, tornou-se ministra de estado, senadora da república e
candidata à Presidência da República na eleição de 2010. Ela não foi eleita,
mas logrou obter mais de vinte milhões de votos. Esse patrimônio eleitoral a
levou a fundar a agremiação Rede de Sustentabilidade e a estabelecer a aliança
com Eduardo Campos, figurando no ajuste, como candidata à vice-presidente da
República. Não deve deixar de ser mencionado que sua trajetória política tem sido permeada pela intransigência e até mesmo pelo radicalismo em questões de interesse público, aí incluídas as questões ambientais e, especialmente, a oposição ao agronegócio. Dentro de, no máximo dez dias, será apresentada ao Tribunal Superior
Eleitoral a nova composição da coligação PSB-Rede, sendo quase certo que Marina
Silva seja a titular da chapa.
Novo cenário. Antes,
havia dúvida se ocorreria segundo turno na eleição presidencial. Se ocorresse,
as pesquisas indicavam que Dilma Roussef e Aécio Neves disputariam o segundo
turno. Agora, há seguras indicações de que haverá segundo turno. A questão
essencial é se Aécio Neves — que, de acordo com as pesquisas, vinha ocupando a
segunda colocação com expressiva folga — passará para o segundo turno ou será
substituído por Marina Silva. As duas possibilidades são hoje uma incógnita.
Tudo dependerá da evolução, dos acertos e erros cometidos na campanha. Por outro
lado, é previsível que a reeleição de Dilma Roussef em um eventual segundo
turno se torne extremamente difícil qualquer que seja seu oponente.
Em síntese, pode-se asseverar
que os seguintes aspectos provavelmente farão parte do cenário político com a
morte de Eduardo Campos:
·
Marina Silva será indicada para liderar a
coligação PSB-Rede de Sustentabilidade (90% de certeza);
·
haverá segundo turno na eleição presidencial
(80% de certeza);
·
Aécio Neves ou Marina Silva irá para o segundo
turno (80% de certeza), sendo imprevisível afirmar agora qual dos dois será o
oponente de Dilma Roussef;
·
a reeleição de Dilma Roussef é pouco provável
(30% de certeza para a reeleição e 70% para a derrota);
·
o próximo presidente da República será Aécio
Neves ou Marina Silva (70% de certeza); e
·
com uma eventual derrota de Dilma Roussef, há
50% de possibilidade para Aécio ser o próximo presidente, bem como 50% de
possibilidade para Marina ser a vencedora.
Como a política se assemelha às
nuvens — a cada momento, a cada fato, a cada circunstância, a cada acidente,
tudo pode mudar — análises recursivas estarão sendo elaboradas nos próximos
dias e o cenário antevisto neste texto poderá não se tornar integralmente
verdadeiro, mas as previsões não estão distantes da realidade que prevalecerá. E
que da tragédia surpreendente, inexplicável e chocante, nasça a fé, a força e a
esperança. É a homenagem àquele que podia ser considerado uma das melhores referências na aridez do
deserto político brasileiro.
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Revisão e mea culpa (4/Out/2014). Errei! Atribui 30% de probabilidade para a reeleição de Dilma Roussef. Ela venceu e vai governar o País por mais 4 anos. É terrível, tenebroso mesmo, imaginar que existe a possibilidade de se configurar um cenário mencionado em outra matéria deste blog, em que o PT poderia permanecer no poder durante 24 anos. Para tanto, bastaria que um petista substituísse a Dilma e conquistasse a reeleição. Daqui a 4 anos, espero escrever um novo mea culpa, admitindo que o cenário de 24 anos de PT não passou de um desatino irresponsável.
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Revisão e mea culpa (4/Out/2014). Errei! Atribui 30% de probabilidade para a reeleição de Dilma Roussef. Ela venceu e vai governar o País por mais 4 anos. É terrível, tenebroso mesmo, imaginar que existe a possibilidade de se configurar um cenário mencionado em outra matéria deste blog, em que o PT poderia permanecer no poder durante 24 anos. Para tanto, bastaria que um petista substituísse a Dilma e conquistasse a reeleição. Daqui a 4 anos, espero escrever um novo mea culpa, admitindo que o cenário de 24 anos de PT não passou de um desatino irresponsável.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Satisfação, coincidência e estranheza
O Colégio Alvacir organizou mais
uma solenidade escolar com o objetivo de desenvolver o espírito cívico bem como
homenagear os alunos melhores classificados em prova simulada preparatória para
ingresso no 6o. ano de escolas consideradas referência em Brasília.
Uma de minhas filhas se classificou
entre os dez primeiros alunos na prova simulada e foi homenageada. Ela se
preparou cuidadosamente, maquiando-se e penteando-se com esmero. Sua alegria
era evidente desde o alvorecer. Ainda bem que compareci ao evento. Ela ficaria
muito decepcionada se o pai ou a mãe não estivesse presente.
As outras duas filhas não
lograram êxito em atingir ou ultrapassar os 140 pontos requeridos em Matemática
e Português. Elas demonstravam uma ponta de tristeza. Evidentemente, que as
outras qualidades e as outras características da conformação física e
comportamental permitem-lhes superar o desconforto. Elas são bonitas e
dinâmicas; desfrutam de saúde satisfatória; são generosas com as irmãs, com os
pais e com os amigos — atributo evidenciado especialmente quando qualquer deles
enfrenta algum problema sério —; e mostram potencial em outras atividades do
dia a dia. Enfim, considerando-se a média de seus atributos, elas propiciam uma
enorme satisfação ao pai e à mãe, o que reforça a necessidade de pertinaz
esforço para estimular-lhes a autoestima e a permanente busca de satisfação.
Afinal, como lembrou a
psicopedagoga Janine — com quem, recentemente, a família estabeleceu
construtiva interação —, de acordo com a UNESCO, aprender comporta quatro
vertentes essenciais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a
conviver com os outros e aprender a ser. Então, se o conjunto das faculdades
decorrentes do aprendizado for equilibrado, mesmo não havendo destaque em
alguma área específica, cada ser humano, cada uma de nossas filhas tem boas
possibilidades de viver com satisfação; e também gerando satisfação de quem as
rodeia — algo acessório, mas que tem enorme impacto no essencial da vida de
cada uma.
Após o término da solenidade,
dei uma olhada nos resultados da prova simulada que estavam expostos no quadro
de aviso do grande hall de entrada da escola. Minha atenção foi despertada por alguns
dados incomuns. As três alunas que se classificaram em primeiro lugar pertencem
às turmas A, B e C, respectivamente. Ademais, todas tiraram 93 em Matemática e
73 em Português, ou seja, as três tiraram rigorosamente as mesmas notas. Do
ponto de vista estatístico e probabilístico, esse resultado contraria a lógica
e o bom senso. É uma curiosidade improvável.
Restava-me retornar para casa.
Ao deixar o colégio, cruzei com um casal cumprimentando-se. Ele afirmou:
—
Como você está linda!
Ela respondeu:
— Não! Eu era muito maltratada
quando estava casada com você!
Mesmo diante da resposta
incomum, ele tratou-a com fleuma e a convidou para se encontrar com o filho que
possivelmente deveria estar no interior da escola.
Em face da reflexão concernente
à solenidade, experimentei grande satisfação e reforcei sobretudo a consciência
da responsabilidade de estimular a satisfação das queridas Alessandra, Cecília
e Laura, cada uma com suas peculiaridades e diversidades. É imperioso ser pai
no sentido mais amplo que se possa imaginar, conseguindo praticar procedimentos
de que resultem estímulos e motivações eficazes.
Ocorreu ainda a constatação de
uma coincidência surpreendente no resultado da prova simulada e que talvez
merecesse investigação. Sou levado a pensar nas ocasiões em que apresentei à
direção pedagógica e à própria direção geral da escola fatos que requereriam
intervenção corretiva, sem qualquer consequência explícita advinda dos pleitos.
Minha insatisfação com a escola tem aumentado e fatos pequenos acabam assumindo
uma dimensão maior do que significam.
Por último, me deparei com o
estranho diálogo do casal que se separou e mantém interação para benefício do
filho, mas pelo menos uma das partes não deixa passar oportunidade para
expressar a falta de consideração que, de forma diversa, talvez poderia ter
evitado a ruptura.
Enfim, foi um início de manhã
pleno de satisfação, e com a constatação de uma coincidência surpreendente e de
um diálogo curioso e estranho. Vale a pena anotar em meu caderno os fatos e
refletir continuadamente sobre os ensinamentos decorrentes — interpretar,
aprender e praticar é preciso!
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