quinta-feira, 10 de maio de 2018

Goodall e a 9a. Sinfonia de Beethoven

[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores do  portal do Estadão em 11/05/2018]

Ludwig van Beethoven iniciou a etapa mais fantástica de sua vida como compositor genial “por volta de 1803, depois de ter compreendido a seriedade de sua surdez e ter rejeitado o suicídio para dar ao mundo, como disse, ‘toda a música que sentia dentro de si’”[1]. Passadas duas décadas, já próximo do final de sua vida, ele como que se vingou da doença que tragicamente o acometera, compondo sua 9a. Sinfonia [2], a mais bela música que um ser humano seria ser capaz de ouvir. Não há relato de que ele tenha dito, mas é fácil e razoável inferir o que ele teria pensado: “Já que não posso ouvi-la, componho e deixo-a para os outros ouvirem!”.
Hoje, o cientista australiano David Goodall, de 104 anos, saudável, autor de mais de 30 livros — e expressando a sensação de que a vida não valia mais a pena ser vivida — rodeou-se dos netos e outros  familiares, e mediante vontade prévia e espontaneamente manifestada, teve sua vida encerrada por médicos em uma clínica da Suíça. 
Ele pediu que a ação médica fosse realizada  após almoçar sua refeição favorita e depois de ouvir a 9a. Sinfonia de Beethoven. Assim, foi cumprido seu último desejo: morrer com a dignidade com a qual serviu o ser humano por tanto tempo.
Sua vida exemplar terminou de forma razoável? Por que sua vontade pôde ser concretizada na Suíça e não Austrália? É válido que muitos países proíbam o suicídio em qualquer circunstância? É razoável que alguns países só permitam o suicídio assistido quando a doença é terminal e o sofrimento quase insuportável? É aceitável que pelo menos um país — e somente um — permita o suicídio assistido nas condições de pessoa saudável?
Tudo indica que seu fim inusitado será objeto destas e de outras considerações, contrárias e favoráveis, em todo o mundo nos dias que se seguirão à sua morte.
        É possível supor que o compositor alemão compôs a 9a. Sinfonia na irrefreável busca da serenidade requerida para a partida; e que o cientista australiano desejou ouvi-la para resgatar o sentido da vida antes de deixá-la. Permito-me preferir que ouçamos a 9a. Sinfonia com mais frequência, para viver e celebrar a vida, aí incluída a celebração da vida fecunda e generosa dos dois gênios.

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[1] Música Clássica, John Burrows, Jorge Zahar Editor Ltda, Rio de Janeiro, 2006.

[2]  9a. Sinfonia de Beethoven - 4o. Movimento - 10000 vozes
       [Clique com o mouse, ouça e acompanhe o coro de 10000 pessoas celebrando a vida!]



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terça-feira, 8 de maio de 2018

Eleição sem favoritos


As análises da senhora Eliane Catanhêde primam pela argúcia e pela elegância. Dá gosto ler o que ela escreve; é uma pena não poder ler o que ela não escreve. Em sua narrativa “Sem favorito(s)” (Estadão A6, de 8 de maio), sua verve apenas confirma essa constatação óbvia mas edificante, dado que as hipóteses são colocadas com o conhecimento de quem é do meio e conhece os meandros do palco onde encena a realidade. Porém ela vai adiante: permite inferir sobre a forma como uma expressiva parcela de políticos, intelectuais, especialistas em pesquisa de opinião e articulistas das mídias estão tratando a eleição o próximo presidente da República. 
Quanto à assertiva “Bolsonaro bateu no teto”, cabe a indagação: bateu no teto de que ou de quem? Em quaisquer das acepções, o povo brasileiro não tem teto, quer dizer, parcela expressiva não tem teto e  o candidato não está batendo no teto de ninguém. Os corações, as mentes e o cérebro dos brasileiros não estão no teto — para desespero de poucos, e gáudio da maioria. Os formadores de opinião não querem saber das razões, nem da simplicidade da trajetória parabólica do capitão (ramo direito, é claro). 
De forma precisa e concisa, simples e objetiva: ele não mente; não fala só o que os outros querem ouvir; ignora os que querem conchavos à moda brasileira — à moda brasileira nada, à moda do PSDB, PT e PMDB et caterva; não corrompe e não se deixa corromper; não promete o que não pode fazer; contraria aqueles que, para se beneficiar, usam os negros, os gays e a forma não razoável de tratar a mulher; e denuncia o absurdo da impunidade descabida dos sistemas responsáveis pela justiça e segurança do Brasil. Então, claramente, ele não bateu no teto, apenas chegou no ponto da trajetória onde os brasileiros sonham em chegar e depois ultrapassar.
Quando a ilustre articulista esclarece sua aposta de hoje para o segundo turno, ela indica dois dentre os candidatos, um cearense e o outro paulista, que darão continuidade ao que o pessoal que está descansando em Curitiba fez e aprontou. Embora mantenha a observação sobre sua elegância, questiono senhora Catanhêde está sua reconhecida argúcia. Querer e formar opiniões, admitindo que tudo continuará como dantes no quartel de abrantes é coisa de ‘lulandertal’, ‘dilmandertal’, ‘temerandertal’ et al. Ela se corrige questionando “Amanhã? Ninguém sabe”. 
Conquanto não deva nem possa sugerir nada para alguém da estatura da senhora Catanhêde, então que eu sugira para o Brasil. É preciso mudar para transformar; é imperioso brandir a verdade e a liberdade, sustentáculos da democracia; é imprescindível, a igualdade de oportunidades e o respeito por todos, não importando a opção posicional no momento da apneia a dois, o tipo de absorção da luz pela epiderme; a contribuição exógena ou endógena para preservação da espécie. É também inquestionável que os descuidos com a gestão e com o emprego dos recursos públicos sejam combatidos, identificados e os responsáveis tenham o Juiz que merecem — seja ele Moro, Bretas ou Valisney.
Fico imaginando encontrar a senhora Catanhêde no supermercado no dia 10 de outubro. Creio que ela faz o que todos fazemos — vai às compras, quando necessário, atua de pé, sentada ou deitada e o que mais relevante for. Ela vai estar com o cabelo de quem não tem pesadelo, apneia e qualquer outro distúrbio dos humanos comuns; e nem terá precisado pentear o cabelo de manhã. Mas um de nós vai estar querendo fugir do outro. Se, na eleição presidencial, der pessoa do naipe similar àquelas do universo de Curitiba, a previsão dela terá correspondido à narrativa deste 8 de maio e, nesse caso, cabe-me, inquestionavelmente, esconder e fugir, sei lá pra onde. Se der o que os brasileiros querem, precisam e sonham — e até agora só existe uma possibilidade — isto é, alguém capaz de concretizar a mudança requerida, não restará à senhora Catanhêde senão esconder-se, correr e fugir. O resultado terá sido para o bem de todos. Brasil acima de Tudo!





sábado, 5 de maio de 2018

O regime de 64 e Bolsonaro

Usei-o [o Poder], sim, para salvar as instituições, defender o princípio da autoridade, extinguir privilégios, corrigir as vacilações do passado e plantar com paciência as sementes que farão a grandeza do futuro [...].
(Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco)
Em relação ao artigo “Volta à ditadura pelo voto” (Estadão, 5 de maio, A2), do Sr. Miguel Reale Jr., professor da USP (talvez fosse melhor mencionar professor doutor), praticante de taramelas na Associação Paulista de Letras e ex-Ministro da Justiça, é imperioso que se submeta o texto à possibilidade do contraditório. Afinal, uma autoridade desse naipe falando a verdade ou a falsidade, testemunhando a justiça ou a injustiça, propalando a ética ou a safadeza, nada impactaria em uma sociedade minimamente organizada, mas tem um estratosférico efeito no universo das pessoas que herdaram o país do PSDB e do PT, com índices de corrupção, desemprego, fome e encarceramento de autoridades jamais vistos na História da Humanidade. Ou seja, submerso em uma crise fatídica, genética e originariamente moral. ‘Ah não! A culpa é dos militares’— diria o iluminado professor doutor. Acho que não! Eu diria. Vejamos as razões.
Comecemos pelo início — eu disse começar pelo início, senhor professor doutor! O título sugere que podemos asseverar ‘volta à democracia pelo voto’. Não foi isso que ocorreu no governo ao qual o professor doutor serviu como Ministro? Sim, mas esse governo liderado por quem é considerado um dos maiores intelectuais da história do Brasil, legou para a posteridade um sistema educacional que coloca nosso país entre os piores em que faz sentido realizar essa avaliação (PISA), ou seja, entre os países membros e os países parceiros da OCDE. Sim, mas esse governo permitiu sua continuidade na democracia pelo voto, deixando-se substituir pelos titulares do maior escândalo de corrupção da história da humanidade — ou os próceres dessa façanha estão encarceradas de brincadeirinha no período da democracia pelo voto? Sim, mas o professor doutor sabe, mais do que todos,  que o aprendizado se propaga e o governo a que serviu deu início a um período em que se ‘conquistou’ a reeleição presidencial por processos virtuosos que teve continuidade no Mensalão e no Petrolão. Ou não? Ou tudo é virtude no cérebro face da Lua do professor doutor? ‘Cérebro face da Lua’ é um neologismo para designar aqueles que têm a faculdade de praticar a verdade apenas com os impulsos de um lado da massa cinzenta. Do outro lado, a massa é cinzenta porém desprovida de conexões sinápticas.
Agora vamos pro meio — assim fica fácil; não é senhor professor doutor? Há várias considerações econômicas no exulcerante texto (não omitam ou substituam a palavra adjetivante, ela existe; adjetivante é que não existe), atinentes ao período militar, tais como: “manifestação em favor das eleições diretas e contra a desastrosa política econômica”, “trágica situação econômica”, “profunda carestia, com inflação galopante e redução drástica do PIB”, “inflação maior do que 10% e PIB negativo”. 
O eminente professor doutor se esqueceu de mencionar, em sua titulação, a especialidade em economia. Engano fatal. Até porque se não tivesse essa omissão — no currículo ou na mente — teria mencionado que o período militar tirou a economia brasileira da 48a. para a 8a. posição; criou a EMBRATEL, a TELEBRAS, o INSS, o PIS, o PASEP, a regulamentação do 13o. salário, o BNDES, o Banco Central, o PRO-ÁLCOOL, a EMBRAPA, o FUNRURAL, a Secretaria do Meio Ambiente (origem do Ministério correlato); instituiu o programa merenda escolar, o CNPq, a FINEP; implantou 15 universidades; asfaltou mais de 40.000 quilômetros de estradas; construiu mais de 10 hidrelétricas (inclusive Tucuruí e Itaipu) e 2 polos petroquímicos; elevou a produção petrolífera brasileira de 75.000 para 750.000 barris diários (sim, é isso mesmo; por intermédio da Petrobras, que os governos face da Lua das últimas décadas conspurcaram, enlamearam e tornaram-na vergonha do caráter nacional — corrijo-me: o caráter nacional não é moldado pelos petistas e peemedebistas que estão na jaula e pelos que acrescidos dos peessedebistas ainda serão devidamente encarcerados); multiplicou por uma dezena o número de alunos nas escolas fundamentais e médias e universidades (‘a mais a qualidade do ensino...!’, diria o professor doutor. Ah não! Digo eu. Essa deturpação é responsabilidade da trindade santa, PMDB, PT e PSDB — o senhor participou da criação de quase todos, não é professor doutor?).
Já dá para começar a ir para o fim — por favor, professor doutor (‘prodou’ para ficar mais digerível), não estou asseverando começar do fim! Em realidade, vou começar indagando. O ‘prodou’ sabe o que aconteceu na Rússia nas décadas de 1910 a 1950? Sabe, claro que sabe. O ‘prodou’ sabe o que aconteceu na Alemanha nas décadas de 1930 e 1940? Similarmente, sabe; só não vai admitir que os militares brasileiros ajudaram a extirpar o nazismo do cenário global e impediram a implantação do comunismo no Brasil. O ‘prodou’ sabe o que aconteceu na Colômbia nas décadas de 1970 a 2000? Dúvidas não há; o ‘prodou’ é sabido, mas alguns não. 
Com erro estimado em 10 a 20%, pra mais ou pra menos, o que para a hipótese é razoável, poderíamos estimar em 10 milhões de torturados e mortos na União Soviética (aí incluídos os milhões de assassinatos por fome na Ucrânia), 6 milhões de torturados e mortos na Alemanha (restringindo-se apenas a judeus e assemelhados), 100 mil torturados e mortos na Colômbia (parte da imprensa brasileira divulgou 220 mil sacrificados). Incluir a turma com quem o Mao (que era mau não apenas no nome, mas também na retórica e na ação), Pol Pot e Fidel Castro não prejudicaria a compreensão do demógrafo economista ‘prodou’, mas entediaria os demais leitores.
Tá vendo, já não sei mais onde estou ...! Sim, lembrei! As barbaridades do regime militar brasileiro existiram? Sim. Muitas? Depende. Se levar em conta o que, no século XVII, o que o poeta britânico John Mayra Donne asseverou, é irrelevante se muitas ou poucas. Afinal, “quando alguém se vai, os sinos dobram por todos”(Hemingway apenas copiou Donne, sabiamente!). Que me desculpe o poeta, mas entre os que se foram e os que não foram idos, eu fico com estes. Os russos, os alemães e os colombianos fizeram a opção de lutar continuadamente. 
Os militares brasileiros fizeram a opção de, em pouco tempo, sacrificar uns poucos para que muitos não fossem sacrificados. Fala-se em 450 mortos da parte que queria implantar o comunismo no Brasil. Fico sempre na dúvida se entre estes estão incluídos os que foram justiçados pelos próprios comunistas, isto é, pelos próprios companheiros. É! Eles se mataram também! Fala-se em 120 mortos da parte dos vencedores — quer dizer, os perdedores jamais falam das perdas dos oponentes, não é professor doutor? Retorno à denominação original porque minhas herdeiras, todas menores de 15 anos, afirmaram que a forma neologística desvaloriza o argumento. Fala-se em uns 900 a 1200 torturados, porém mais de 20.000 requereram indenização e tiveram apoio da Comissão que o notável professor doutor se orgulha de ter presidido. Por que o senhor professor doutor não aceitou avaliar também as mortes covardes que o outro lado perpetrou?
Vamos lembrar Bertold Brecht, professor doutor? Ele disse: 
“Quem luta pelo comunismo tem que poder lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade; prestar serviços e negar serviços; manter a palavra e não cumprir a palavra; .... Quem luta pelo comunismo tem de todas as virtudes apenas uma: a de lutar pelo comunismo” (deixo de citar no original, que li, porque minhas herdeiras lerão e elas ainda não estão habilitadas no idioma). 
Gostou, não é professor doutor! Eu sabia! Pode gostar, mas convém substituir a palavra comunismo por fanatismo, indigência de caráter, etc. Nem precisa ser exaustivo.
Tamos começando a chegar ao fim. Pegar frases soltas do Bolsonaro e construir uma narrativa, como fez o professor doutor, valendo-se da força do meio, o respeitável Estadão, será que é razoável? É, pode ser! Desde que, em conjunto com as frases, fossem colocados, de forma lógica, racional e proba, o contexto e as demais informações essenciais que permitissem (ou não!) que a partir da integridade, da sabedoria e do caráter do formador de opinião, os leitores de boa fé — dentre os quais, ressalvadas as imperfeições da condição humana, me incluo — pudessem certificar e comprovar a assertiva de Brecht; e pudessem continuar aspirando e sonhando com uma Nação e uma sociedade fraterna, solidária e justa, bem como continuar lutando pertinazmente para conquistar esse objetivo; fundamentando a luta na retórica e na prática da verdade, da liberdade e da ética, que são os mais importantes valores para a construção da democracia. Sócrates se contorceria onde se encontra e diria: 
‘Valeu a pena entornar a taça de cicuta sem fazer concessões! Seria uma epopeia edificante para os brasileiros, se fosse em Curitiba. Bom, em Atenas foi uma forma de criar uma civilização e lá seria uma forma de tentar a salvação, sem absorver o conteúdo de outra taça!’, apud apologia concebida por Platão e agora manipulada em Rochedo.

Atenciosamente,
ARS

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PS. Considero pouco provável que o Estadão divulgará esta mensagem no Fórum de Leitores, como já fizera com uma parcela (menos de 50%) das mais de cem mensagens que enviamos. Porém, tenho a expectativa de que o texto chegue ao autor do artigo que provocou estes comentários.

É preciso que o autor saiba quem sou. Sou nada. Aos 5 anos, meu pai, lavrador semianalfabeto me ensinou uns garranchos. Reclamei que não conseguia fazer as contas no papel, e ele disse que era para fazer de cabeça como ele, pois com o lápis ele não sabia. Aos 5 anos e meio, ele comprou uma enxada pequena e disse que a partir de então eu iria ajudá-lo na roça, nas tarefas da lavoura. Aos 6 anos, ele disse que teríamos uma conversa séria. Eu precisava decidir se queria ter uma vida meio tranquila, ou queria ficar no cabo do guatambu igual a ele, a vida toda. Respondi que queria uma vida tranquila.

Então, ele disse que eu teria que estudar, mas aí teria dois problemas. O primeiro: eu me mudaria para uma pensão na cidade de Rochedo, com seus 900 habitantes, e só veria os pais e os irmãos de uns dois em dois meses. O segundo: ele não podia pagar o valor da mensalidade, então eu deixaria de dormir na cama com colchão que ele fizera com suas próprias mãos, e passaria a dormir na rede, em um corredor da pensão. Nessa condição, a proprietária poderia cobrar a metade do preço, e aí ele poderia pagar. Confirmei: disse que queria estudar.

Aos sete anos, saí de casa em direção a meu destino, carregando comigo os alicerces de meu caráter e de meus valores — que me permitem olhar com enorme encantamento a atitude de Sócrates, Donne e Brecht (pela integridade deste, a despeito de seu comunismo; a rigor, não tenho detalhes de sua vida, mas nem é necessário, pois haveria o risco de ter que mudar de opinião); e que me possibilitam olhar com enorme tristeza o que os políticos, intelectuais e outros formadores de opinião fazem em nosso maltratado país. Meu posto militar, as graduações e pós-graduações, e várias outras coisas mais, são irrelevantes.

Para mostrar como um pai e o Exército mudaram a vocação inicial de uma criança — que era passar a vida no cabo do guatambu trabalhando a terra — e para que não exerça a covardia de me esconder nas mazelas de minha infância, das quais sinto muito orgulho, menciono que sou oficial general da reserva das invictas e imorredouras Forças Armadas brasileiras.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sistema educacional japonês


O Japão começou a se ocidentalizar na Era Meiji (1868-1912). Antes disso as escolas eram na maioria para os ricos e não eram regulamentadas pelo governo. O governo Meiji imediatamente instituiu um novo sistema educacional baseado em moldes franceses, alemães e americanos. 
Escolas de níveis primário e médio e universidades foram estabelecidas em 1872. No mesmo ano, as autoridades tornaram obrigatório 4 anos de estudo de nível elementar para todos os meninos e meninas no país, entretanto as matrículas não ultrapassaram 25% a 50% na primeira década do novo sistema. Em 1905, 98% dos meninos e 93% das meninas em idade escolar encontravam-se matriculados, e 10% da população já formada no primário continuava os estudos no nível ginasial. Só uma pequena minoria chegava ao colegial. Apesar disso, em 1899, o governo pediu para que todas as províncias tivessem pelo menos uma escola de nível médio para meninas.
O atual sistema educacional japonês foi estabelecido pelos americanos, baseado em seu próprio sistema, após a 2ª Guerra mundial. Ele consiste em 6 anos de escola elementar (shōgakkou), 3 anos de ginásio (chūgakkou), 3 anos de colégio (koukou), e mais 2 anos de ensino técnico superior (tankidaigaku ou kareji – do inglês “college“), ou 4 anos de universidade (daigaku).
O ensino é obrigatório até a idade de 15 anos, mas 90% das pessoas completam o ensino médio – o colégio – e 40% se formam no técnico superior ou na universidade. A proporção de alunos do sexo masculino é maior nas universidades, enquanto no técnico superior a proporção maior é de alunas.
Em 2002 a freqüência nas escolas particulares foi de: 79% nos jardins-de-infância; 0,9% nas escolas primárias; 4% nas escolas ginasiais; 29% nas escolas de nível médio; 91% nas escolas técnicas e de 76% nas universidades.

Regras das Escolas Japonesas
A maioria das regras que vamos ver é para alunos do Chugakko e Kokou (12-18 anos).
Regras de aparência
Você não pode mudar sua aparência natural. Por exemplo, pintar o cabelo, usar maquiagem, usar lentes de contato coloridas, pinça as sobrancelhas, pintar as unhas etc. Você não pode usar qualquer joia ou acessórios de qualquer tipo. Por exemplo, colares, anéis, relógios, brincos e etc
O uso do uniforme é obrigatório nas escolas. Você não pode usar um suéter colorido brilhante ou casaco sobre seu uniforme durante o inverno. Apenas cores como cinza, marinho, preto e neutras. É obrigatório o uso de meias. Tudo isso vai depender da sua escola. Não se pode fazer certas alterações no uniforme como encurtar, pintar ou mudar a cor.
Os meninos não podem ter o cabelo comprido ou uma barba muito grande. A franja de uma menina não pode se estender além das sobrancelhas. 

Regras da escola
A pontualidade é obrigatória.
No começo da aula e no final os alunos levantam curvam-se e cumprimentam. Os alunos devem trazer suas próprias refeições, não é permitido a venda e consumo de certos alimentos e produtos industrializados.
Não se deve utilizar o celular na escola. punições. Caso o aluno falte os país devem ligar avisando o motivo. É obrigado a participação em algum clube (esporte, literatura, música e etc.).
A escola não permite que o aluno façam certos tipo de trabalhos ou que tenham empregos. Às vezes é comum um aluno perto de se formar participar de trabalhos de meio período ou bicos chamado de baito.
Algumas escolas proíbem até mesmo os filhos de ir a um Arcade ou Karaoke sem a presença dos país. Às vezes é proibido até mesmo dormir na casa de amigos. Os alunos devem estar em casa antes do toque de recolher (22:00). Os estudantes não podem ter aulas extras ou cursinho sem informar o seu professor.
Não é permitido fazer qualquer coisa que envergonhe o nome da escola ou o aluno, inclusive ter relações íntimas com alguém. Existem muitas outras regras que não existem nas escolas de outros países como nosso. 
Regra da limpeza
Os alunos são responsáveis pela limpeza da escola. Nas escolas japonesas, não há funcionários responsáveis pela limpeza. Os próprios alunos se encarregam desta tarefa diariamente. Os alunos são divididos em pequenas equipes e se revezam para limpar as salas de aula, os corredores, o pátio e até os banheiros. Desta forma, desde cedo as crianças aprendem a trabalhar em grupo, ajudando-se mutuamente.
Na hora do almoço, as equipes também se revezam para servir o almoço e depois recolher as bandejas e separar o lixo reciclável do não reciclável. Esse hábito estimula os alunos a não sujarem a escola além de desenvolver o espírito de equipe e o respeito pelo meio ambiente.
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Fontes:
http://www.culturajaponesa.com.br/index.php/guia-japao/sistema-educacional-japones/
https://skdesu.com/regras-das-escolas-japonesas/
https://www.japaoemfoco.com/15-curiosidades-sobre-a-educacao-no-japao/

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Entrevistas sobre Educação e C&T

VER TAMBÉM
[Clique sobre a próxima expressão]

Um dos trabalhos dos alunos e alunas do 9º ano da Escola Leonardo da Vinci, no primeiro semestre do corrente ano, é a realização de um vídeo contendo entrevista com algum profissional de alto nível em gestão pública para tratar dos temas Educação, Ciência & Tecnologia, Saúde e Meio Ambiente.
Foi cogitada a possibilidade de uma entrevista com um possível candidato ao Governo do Distrito Federal ou à Presidência da República. 
Como o tempo disponível para alguém que se propõe a ser candidato em outubro de 2018 é escasso e precioso, considerou-se um plano alternativo — ou plano B — para que um determinado grupo de trabalho pudesse dar cabo da missão.
A seguir, são apresentadas as entrevistas atinentes ao plano B, sobre os temas Educação e Ciência & Tecnologia, respectivamente.

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ENTREVISTA SOBRE O TEMA EDUCAÇÃO

Entrevistadora: ....
Entrevistado: .......


1)  Qual deve ser a prioridade de educação dentre os principais campos da gestão pública no Brasil?
Não deve restar nenhuma dúvida: a educação deve ser considerada a primeira prioridade dentre todos os campos da administração pública, nos três níveis de gestão, isto é, nos níveis federal, estadual e municipal. A educação e a ciência & tecnologia devem ser eleitas as prioridades estratégicas mais importantes do Brasil.

2)  Quais são as medidas a serem adotadas para tornar a escola um local aprazível e o estudo uma atividade atraente para os estudantes?
É inquestionável que os jovens devam ter razões para considerar a escola seu segundo lar, um bom segundo lar, ou seja, um local de acolhimento, alegria, apoio, solução de problemas e conflitos, satisfação de suas aspirações e demandas de encaminhamento satisfatório para a vida futura e busca de realização pessoal e profissional. Entre as medidas requeridas para isso incluem-se as seguintes: 
(1) A gerência da escola deve exercer um papel de conscientização dos professores, estudantes e famílias no sentido de criar uma mentalidade voltada para as metas colimadas, que são: (a) a satisfação de estar na escola, de conviver com o universo dos docentes, da administração e dos próprios colegas; (b) a atração, o gosto e a satisfação dos alunos pelos procedimentos, rotinas, aulas e trabalhos escolares. 
(2) A escola deve prover treinamento periódico dos professores, com ênfase na criação de uma ambiente agradável e alegre. 
(3) Os estudantes devem ter a certeza de que são ouvidos para o encaminhamento das atividades educacionais e de que são atendidos em suas aspirações razoáveis, apropriadamente formuladas e de caráter não contencioso e desagregador. 
(4) As famílias dos estudantes devem ser estimuladas a  participar periodicamente de encontros na escola para receber e atualizar informações sobre as questões coletivas e individuais; e até mesmo para apresentar seus pleitos.

3)  Como tornar a universidade acessível para os estudantes de famílias pobres (brancos, negros, índios, homossexuais e outros), mantendo-se o valor do mérito como mecanismo essencial de progresso e evolução?
O mérito é fundamental em qualquer atividade humana. Então, para a progressão de uma série para outra e para ingresso na universidade, o critério mais importante deve ser a demonstração de capacidade e assim temos a garantia da relevância do mérito. Entretanto, como não raro há a constatação de que os estudantes de famílias pobres tem dificuldades de concorrer com os estudantes de outras origens, é imperioso que as providências para a correção de falhas sejam imediata e inadiavelmente adotadas. Por outro lado, mesmo com a adequada atribuição de relevância e urgência, as medidas corretivas podem ter um tempo elevado de maturação, devem ser previstos e realizados processos de reforço e complementação do processo educacional para equilibrar as oportunidades e assegurar a prevalência do mérito. É inaceitável que a progressão do aluno e o acesso à universidade se submetam a sistemas discriminatórios e que trazem de forma subjacente a institucionalização do preconceito contra os mais desfavorecidos da sociedade.
4)  De acordo com a avaliação do PISA [1], a educação brasileira ocupa uma das piores posições dentre os países membros ou parceiros da OCDE [2]. Quais são as três medidas que devem ser adotadas para melhorar nossa educação?
As medidas para colocar a educação brasileira no patamar do primeiro terço da educação dos demais países são as seguintes:
(1) atribuição da prioridade máxima para os campos da educação e da ciência & tecnologia, em relação aos demais campos da gestão pública;
(2) adoção de medidas para a valorização e treinamento continuado dos professores;
(3) implantação de sistemas de avaliação, correção de aspectos não satisfatórios e complementação do processo educacional para os segmentos menos desfavorecidos da sociedade.
5)  Nos países com elevado nível educacional, os professores são muito valorizados. O que deve ser feito para a valorização dos professores brasileiros?
As providências mais importantes para a valorização dos professores brasileiros incluem:
(1) estabelecimento da retórica e da prioridade para que a profissão de professor se torne a mais valorizada e procurada dentre as profissões e/ou funções do setor público;
(2) adoção de medidas para que a formação do professor na universidade permita ao formando a capacitação para ingresso na mais valorizada dentre as profissões e/ou funções do setor público;
(3) garantia ao professor de treinamento e aperfeiçoamento sistemático e periódico, após o ingresso na carreira;
(4) encaminhamento da profissão de professor para o objetivo de que esteja entre as que melhor remuneram no setor público;
(5) desestímulo e cerceamento das atividades de greve e qualquer outro tipo de paralização das aulas — o que significa que a classe de docentes não precisa se socorrer desse procedimento altamente prejudicial ao processo educacional; e que essa classe terá meios e rotinas apropriados para a realização de pleitos e satisfação de direitos.
6)  De acordo com a avaliação do PISA, a Finlândia, a Polônia, a Coreia do Sul e o Japão se situam entre os países que possuem os melhores sistemas educacionais do mundo. De acordo com notáveis educadores, o sistema educacional da Finlândia prima por procedimentos e atitudes democráticas e voluntárias por parte de gestores, professores e alunos no âmbito do processo educacional. A Coreia do Sul e o Japão contemplam também procedimentos e atitudes que privilegiam a imposição e autoritarismo no processo educacional. A Polônia estaria em um nível intermediário. Qual a referência que os dirigentes políticos devem indicar para a gestão e execução dos processos educacionais no Brasil, um país com realidades diferenciadas e enormes deficiências em educação?
Os responsáveis pela educação no Governo Federal devem estudar os sistemas educacionais considerados melhores no mundo; devem estudar o sistema brasileiro em profundidade; devem atribuir ênfase para as experiências brasileiras bem sucedidas nas escolas públicas e nas escolas do setor privado; e devem consultar os mais capacitados especialistas e intelectuais brasileiros sobre as mazelas do sistema brasileiro. Em seguida devem formular e propor solução que seja adequada e viável para a nossa realidade, levando em conta a grande diversidade de ambientes dos alunos, de origem familiar e das escolas existentes. Evidentemente, a orientação primacial para os citados estudiosos é que deve haver uma solução brasileira, baseada na realidade e diversidade brasileiras, levando em conta os aspectos positivos dos demais países que sejam aplicáveis em nosso país. Não pode ser aceito cópia de qualquer país uma vez que o que deu certo, por exemplo, na Finlândia, Polônia, Coreia do Sul e Japão, na maioria das vezes, não é aplicável à cultura brasileira. Sintetizando, as referências para a transformação do sistema educacional brasileiro são:
(1) as características fundamentais da  realidade brasileira com interesse para a educação (história, geografia, demografia, cultura, economia, diversidades regionais);
(2) as experiências brasileiras bem sucedidas nas escolas públicas e nas escolas do setor privado — com certeza, elas existem;
(2) as opiniões classificadas de especialistas, intelectuais e educadores brasileiros de notável saber no campo educacional;
(3) as experiências de outros países cuidadosamente selecionadas e com grande potencial de adaptação ao sistema educacional brasileiro — impedindo-se a simples cópia de processos educacionais estrangeiros.

7)  O que é preciso fazer, a partir das escolas e da orientação transmitida pelos professores, para evitar o preconceito contra as mulheres, negros e gays?
Muito obrigado, por essa pergunta oportuna e esclarecedora; e pela oportunidade para que eu possa revelar as visões e percepções sobre esse tema relevante para cada cidadão, individualmente; e para a sociedade, como um todo.
A mulher deve ter respeito, importância e direitos da mesma forma que os homens. Nesse sentido, elas podem ser excelentes empresárias, gestoras educacionais, políticas, profissionais liberais, donas de casa ou quaisquer outras atividades possíveis para os seres pensantes. E com a parceria dos homens ela pode ser mãe — somente ela tem essa faculdade virtuosa —, com a enorme responsabilidade de permitir a existência de descendentes e, por via de consequência, a preservação da espécie humana. Nenhuma cidadã pode ser privada de algum direito, prerrogativa ou possibilidade de atuação pelo fato de ser mulher.
Igualdade de oportunidades para os negros, para os índios e quaisquer outros segmentos, sob a prevalência do mérito, é indicação de civilidade, cidadania plena e conquista civilizatória. Assim, os processos institucionais devem possibilitar a identificação dos talentos e das tendências que movem cada cidadão para atingir a realização pessoal. Então, deve ser meta inalienável que tenhamos milhares de negões e negonas talentosos — belos e feios, magros e gordos, altos e baixos, ou em qualquer situação intermediária —, alçados à condição de reitores de universidade, pesquisadores líderes, políticos, empresários em geral, repórteres em geral, proprietários de redes de jornal, rádio e televisão — para citar apenas uma amostra do universo de profissões e funções —, em igualdade de aspirações e oportunidades com os portadores de outros tipos de epiderme.
No atinente aos gays, quantos temos no Brasil? Cinco por cento, dez por cento da população? Dez milhões ou vinte milhões de pessoas? Imaginem a metade adulta dessa amostra vivendo feliz, produtiva e espalhando alegria, equilíbrio e sensatez pelos ambientes disponíveis! É inquestionável que cada um possa fazer o que quiser entre as quatro paredes do quarto, com a porta fechada; ou dentro da casa, com as portas externas e todas as cortinas e persianas adequadamente cerradas. Nessas situações, não importa com quem cada um quer se relacionar afetivamente, onde quer fazê-lo, se em cima do armário ou dentro do armário; em cima da pia da cozinha ou debaixo da pia; sobre o colchão ou sob a cama. Evidentemente que — estando, por exemplo, nas proximidades de uma escola fundamental — se querem preparar um quitute sobre a pia da cozinha, com um enorme ruído, e com uma particularidade que agrida o convívio social; e no intervalo os alunos exerçam a natural curiosidade juvenil e se dirijam para as proximidades da janela, para observar a cena inusitada, é imperioso que a direção da escola e os funcionários da vigilância exerçam a ação serenamente repressora e os convoque para retornar para as salas de aula imediatamente; e instem os infratores para se explicarem na delegacia mais próxima. Mas vejam que esse tipo de contravenção — enfatize-se com pertinácia — deve ser reprimida para “née-gays” e “não-gays”. Isso não depende de opção afetiva.
Sintetizando, as escolas, os diretores, os coordenadores, os supervisores educacionais, os funcionários da administração e os professores devem ser orientados para que, paralelamente às aulas de cada disciplina — que devem ser ministradas com rigor —, aproveitem todas as oportunidades para transmitir aos alunos os valores fundamentais da sociedade, aí incluídos o respeito a todos os integrantes do espectro de estudantes e da comunidade a que cada um pertence; e a necessidade de adesão a uma atitude de abandono de qualquer ideia de preconceito pelo tipo de sexo (masculino ou feminino); cor da pele; estrato social, cultural ou financeiro; opção sexual ou qualquer outra diversidade humana. Em particular, não importa se o estudante ou qualquer cidadão é “née gay”, "negão" ou "não gay"; todos devem usufruir do respeito, da importância e do exercício de direitos de forma ponderada, justa e decente; e de forma a estar em consonância com a harmonia e o equilíbrio social. Essa é a contribuição essencial que os processos educacionais e, em especial, os professores podem oferecer para a eliminação de preconceitos de quaisquer natureza.

8) Como é do seu conhecimento, o Sr. FHC comentou publicamente que há pré-candidato à Presidência que não tem ideias. De sua perspectiva como alguém que não tem ideias pode conduzir a política educacional de um país? 
De fato, o Sr. FHC — que gosta de tratar de questões para as quais não recebeu investidura — referindo-se ao senhor Jair Bolsonaro, afirmou que há pré-candidato sem ideias. Interessante esse senhor! Passou 8 anos na Presidência da República; não realizou o que, como suposto intelectual, deveria fazer no setor de educação; e contribuiu para ser substituído por quem agora está encarcerado por corrupção. 
Ademais, o Sr. FHC deixou esse país grandioso chamado Brasil com as seguintes caraterísticas:
(1) está mergulhado  no maior escândalo de corrupção da história da Humanidade (por isso seu substituto está encarcerado); 
(2) possui um dos piores sistemas educacionais dentre os 70 países mais organizados do mundo (referência: PISA / OCDE) — senhora jornalista, cidadã e como tal educadora, a senhora entendeu bem essa asserção: um dos piores sistemas educacionais, conforme avaliações consagradas no mundo, sucessivamente, em 2000, 2003, 2006, 2009, 2012 e 2015; 
(3) apresenta sistema de saúde pública tão indigente que nenhum dos 3 ex-presidentes, a partir dele, Sr. FHC, ousa ou arrisca buscar tratamento para si próprio ou para alguém da família;
(4) condena seus cidadãos a sistemas de saneamento básico precários ou inexistentes, para mais da metade da população; 
(5) possui índices de criminalidade alarmantes, com muitos exemplos da mais hedionda barbárie;
(6) dispõe de um sistema de transporte que, por indigência, retira uma enorme quantidade de recursos que poderiam ser empregados em atividades vitais;
(7) apresenta uma enorme densidade de ódio —  resultante de escabroso estímulo de autoridades e agremiações políticas — entre segmentos sociais diversos.
O que o Sr. FHC precisa entender é que ideias não são como fumaça, que alguns defendem que seja impunemente liberada. Acho até que ele tem razão: é dificílimo ter ideias suficientes para corrigir a herança maldita que ele e seus sucessores deixaram; e vou além, saio do “achismo”, afirmando que, com certeza, ele tem razão: especialmente na área de educação, é uma tarefa hercúlea ter ideias para colocar nos eixos a Educação brasileira herdada dos governos do PSDB e do PT.
Nesse sentido, conhecer e agir é imperioso para habilitar a consciência de que o Brasil é um país rico em recursos humanos, em recursos naturais e, por isso, basta mobilizá-los adequadamente. É possível colocar o País no patamar que seus cidadãos merecem, prescindindo de atitudes e procedimentos abomináveis.
Pensar e atuar é indispensável para carrear esforços prioritariamentepara Educação e Ciência & Tecnologia; e subsequentemente para Saúde, Saneamento, Segurança e Transportes, mercê do emprego dos melhores talentosde cada campo mencionado e dos demais; e que  sejam intransigentes com o compromisso com a decência, a éticae, como corolário, com a absoluta incorruptibilidade.
Saber e diligenciar é imprescindível para eliminar a herança ideológica que tem permeado os setores da administração pública brasileira. E como consequência impedir que os setores culturais, a intelectualidade, a mídia e outros vetores fundamentais estejam a serviço de práticas e ideologias hediondas — com ênfase mais expressiva para os ‘primos siameses’, comunismo e nazismo — que naufragaram em todo o mundo, porém continuam intoxicando e contaminando especialmente a juventude brasileira, nas escolas de ensino fundamental e médio e nas universidades.
Enfim, ser, pensar, saber, conhecer, agir, diligenciar e atuar, para urgentemente voltar o Brasil para a direção que a sociedade requer e merece. Sem esquecer jamais que a Verdade, a Liberdade e a Coragem são o sustentáculo da Democracia brasileira —  da qual se espera que resulte em harmonia, bem estar, equilíbrio, solidariedade, generosidade, igualdade de oportunidades, evolução educacional, acesso profissional, constituição familiar, participação política e progresso para todos, independentemente de origem, raça, cor, preferência afetiva, credo e pensamento político. É isso que os cidadãos aspiram, sonham e, com a liderança escolhida e o esforço coletivo, se propõem a concretizar. Brasil Acima de Tudo! Deus Acima de Todos!

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[1]  PISA – Programme for International Student Assessment (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes)— É uma rede mundial de avaliação de desempenho escolar, realizado pela primeira vez em 200 e repetido a cada três anos.

[2]  OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico— É uma organização internacional composta de 35 países-membros que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de mercado, que procura fornecer uma plataforma para comparar políticas econômicas, solucionar problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais. Além dos países-membros, há cerca de 40 países considerados parceiros-chaves ou não-membros. O Brasil é um parceiro-chave que formalizou a solicitação de entrada na organização em 2017.




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ENTREVISTA SOBRE O TEMA CIÊNCIA & TECNOLOGIA

1)  Como a tecnologia pode contribuir para melhorar a educação no Brasil?
Inicialmente, devemos ressaltar que, para a educação, a tecnologia não é um fim, é um meio. Um meio importantíssimo — com fulcro no computador e nas comunicações via Internet — do qual podem ser considerados duas consequências: (i) pode contribuir para que os alunos ampliem o interesse pelos assuntos que estão sendo ministrados, evitando-se a falta de concentração e o desinteresse; (ii) vai ampliar a possibilidade de o professor transmitir informações, ilustrar as aulas e ter sempre à disposição bibliotecas, filmotecas, notícias de todo o planeta em tempo real. 
2)  O que as escolas de ensino fundamental devem fazer para estimular os estudantes a se interessarem pelo estudo, pesquisa & desenvolvimento de novas tecnologias?
Associar às matérias como matemática, física, química e biologia trabalhos de laboratório e de campo que despertem a curiosidade e estimulem os alunos a pensar e dar soluções para problemas práticos, em laboratório e fora da escola. Por exemplo: o estudo e a construção de robôs, de foguetes, no campo da física; a obtenção de novos compostos a partir de moléculas mais simples, no campo da química; o plantio de vegetais e avaliação do processo de crescimento, no campo da biologia. A visita a feiras com viés nitidamente tecnológicos e a apresentação de filmes associados com a P&D de novas tecnologias são também mecanismos importantes para o estímulo dos estudantes. 
3)  Se um jovem desenvolver um robô ou um programa gerador de jogos computacionais, o que ele deve fazer para industrializar e comercializar seu invento?
Como ponto de partida, é preciso que o governo adote medidas para a identificação de novos talentos bem como o estímulo por intermédio das escolas e do parque industrial para o acolhimento de ideias tecnológicas que possam impactar a sociedade e o meio industrial. O jovem que conseguiu desenvolver algum equipamento ou sistema computacional deve (i) verificar se as leis vigentes permitem a obtenção de patente para seu invento — caso positivo, deve elaborar o processo e solicitar a patente; (ii) entrar em contato com o Ministério da C&T para obter a orientação relativa aos incentivos existentes; (iii) mercê das informações obtidas, devem entrar em contato com as empresas que produzem aquele tipo de equipamento para negociar a venda de seu pacote tecnológico.
4)  Por que o Brasil tem que importar qualquer equipamento intensivo em tecnologia, como veículos autônomos, veículos com energia elétrica, “smartphones”, “tablets” e instrumentos eletrônicos de diagnóstico médico?
Porque ainda não atingimos o nível de evolução e desenvolvimento requerido e portanto não somos um país e uma comunidade que tenham a vocação, condições econômicas e base industrial que permita competir com os países onde estas condicionantes estão presentes. Por essa razão, é imperioso que o governo adote urgentemente a instituição da Educação e C&T como prioridades estratégicas mais importante do país.
5)  Que medidas devem ser adotadas para o estímulo e fomento da pesquisa & desenvolvimento de novas tecnologias no Brasil?
(1) Estímulo normativo e econômico-financeiro para que as universidades e os centros de pesquisa tenham na Pesquisa & Desenvolvimento a vertente principal do trabalho de educação, especialmente nos cursos de pós-graduação.
(2) Estímulo à pós-graduação no exterior para os concludentes de graduação que demonstrarem talento e vocação para a pesquisa; sendo que os trabalhos desenvolvidos devem estar inseridos nas prioridades estabelecidas em conjunto entre governo, universidade e empresas.
(3) Estímulo e até mesmo a obrigatoriedade de parcerias entre universidades e empresas.
(4) Estímulo e fomento da inovação para as empresas genuinamente nacionais e também para as estrangeiras radicadas no Brasil.
(5) Estabelecimento mecanismos de premiação das indústrias inovadoras.

(6) Incentivo para que as instituições públicas sejam contempladas com vantagens no caso de aquisição de produtos nacionais produzidos por empresas de propriedade de nacionais.