terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Oscar Barbosa Souto – Uma vida e muitas lutas [Ver 2024 01 30]

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barbosa Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.

Estes garranchos versam sobre a trajetória de Oscar Barbosa Souto, cidadão comum, anônimo, como milhares de tantos outros; antigo lenhador, lavrador e garimpeiro; semianalfabeto, curioso, perspicaz e com uma fecundidade mental singular e construtiva, que o tornava capaz de ir além do que os instrumentos de uma limitada educação formal permitiam — enfatize-se: em toda a vida, frequentou menos de um semestre escolar. 

Em sua caminhada, depois de se mudar com a família para Rochedo,  ele se tornou — entre o final da década de 1950 e o final da década de 1980 — comerciante e exerceu os cargos de tabelião do registro civil, juiz de paz e vice-presidente de partido político.

 Atualizações sucessivas

Após escrever a primeira versão deste texto, que apresenta a trajetória de Oscar Barbosa Souto junto à Alaide Ribeiro Souto, nossos saudosos pais, recebi contribuições da prima Liba, do mano Aloizio e, mais recentemente, da prima Eliana Belo. Decidi manter o texto original e acrescentar, em destaque, as informações prestadas pelas primas e pelo mano.

Ademais, decidi também que, enquanto lucidez tiver, farei acréscimos que contribuam para que a história de Oscar, Alaide e seus descendentes sejam atualizadas da forma que eles tanto merecem.

As atualizações são sumariadas a seguir:

– Atualização 1 – Contribuição da prima Liba – 10/Ago/2020

– Atualização 2 – Contribuição do mano Aloizio – 22/Ago/2020

– Atualização 3 – Acesso de Alessandra, Cecília e Laura a universidade – 27/Jan/2022

– Atualização 4 – Passamento da mana Edna – 20/Jan/2023

– Atualização 5 – Contribuição da prima Eliana Belo – 30/Jan/2024 

         Pois bem, Oscar Barbosa Souto nasceu em Jequié-BA, em 22 de agosto de 1913. É filho de José Francisco Souto e Júlia Barbosa Souto. Teve os seguintes irmãos: Liberalino, Floripes, Jonias, Jesulino, Marinha e Aléssio.

Aos sete anos, Oscar perdeu o pai. Na condição de delegado coletor estadual de impostos, José Francisco fora assassinado.

O destino de José Francisco

Vovô José Francisco [i], esposo da vovó Júlia [ii], era funcionário público estadual da cidade de Jequié-BA, e atuava como delegado coletor de impostos, especialmente da produção rural.

Além dos filhos consanguíneos [iii] [iv], José Francisco e Júlia tinham um filho de criação adulto, chamado Aniceto. Na condição de pai adotivo, Oscar deu-lhe um sítio para que ele cultivasse a terra.

No início de 1921, José Francisco dirigiu-se para a região rural com o objetivo de realizar a coleta tributária habitual. Na volta, Aniceto o esperava e dirigiu-se a ele, asseverando que pagaria o débito atinente aos impostos de sua pequena propriedade e entregando-lhe a quantia devida. Nesse momento, surpreendentemente, Aniceto sacou uma arma e atirou em José Francisco e depois saiu em disparada. O tiro pegou no braço, mas como a munição estava envenenada, José Francisco faleceu umas duas horas depois.

A morte dramática resultou de crime de encomenda, sendo o executor alguém sobre quem jamais recairia suspeita. O mandante não foi identificado, mas a hipótese mais provável dava conta tratar-se de alguém insatisfeito com o trabalho de cobrança de impostos que José Francisco realizava.

Naquele tempo, nas plagas do interior nordestino, havia a superstição de que, se o morto fosse sepultado de bruços, o assassino não conseguiria fugir. Passada uma semana do evento fatal, amigos de José Francisco encontraram o algoz abrindo a cova da vítima. Aniceto foi preso, pediu água e recebeu uma caneca de água envenenada. Deixou este mundo da mesma forma trágica com que ocasionou a covarde partida de seu mentor de criação.

________________

Notas.

[i] José Francisco Souto nasceu em 18/11/1887.

[ii] Júlia Barbosa Souto nasceu em 12/04/1885.

[iii] Em 1921, dentre os filhos de José Francisco e Júlia, Liberalino tinha 12 anos, Floripes 10 anos, Oscar 7 anos, Jonias 5 anos, Jesulino 4 anos, Marinha 2 anos e Aléssio 8 meses.

[iv] Floripes casou-se aos 15 anos e faleceu no parto do 5º. filho, com 20 anos.


Do início da adolescência aos dezenove anos, Oscar teve que trabalhar para ajudar no sustento doméstico. Assim, pelejou como auxiliar de vendedor no armazém de secos e molhados do comerciante italiano Domingos Colavolpi, em Jequié; atuando na colheita e beneficiamento primário do cacau, o insumo principal da produção de chocolate; e como ajudante de tropeiro, no apoio ao transporte equestre de cacau.

Atualização 1 – Contribuição da prima Liba – 10/Ago/2020

Enviei a primeira versão do texto “Oscar Barbosa Souto – Uma Vida e Muitas Lutas” para as primas Liba (filha de tio Liberalino), Júlia (filha de tia Marinha) e Hemetério Neto (cujos avós são a tia Jonias e seu esposo Hemetério). Eles responderam com comentários elegantes e motivadores. Liba, advogada e cronista social em Ilhéus-BA, está nos Estados Unidos, para onde foi em março do corrente ano de 2020; e, em face da pandemia do coronavírus, permanecerá até meados de setembro próximo. Júlia, professora aposentada, e Hemetério Neto, empresário, estão curtindo o isolamento pandêmico em São Paulo, onde moram.

Em uma troca de mensagens com a prima Liba, ela mencionou fatos desconhecidos para nós, sul-mato-grossenses, relativos à família Barbosa Souto, de Jequié. 

Após a morte do vovô José Francisco, vovó Júlia, reconstituiu a família em meados da década de 1920, unindo-se a Vicente Calot. Essa união provou-se um desastre e não durou muito tempo. Além de outros problemas, houve desajustes entre o padrasto e os enteados, especialmente Liberalino que saiu de casa e — com o apoio da família Colavolpi, amiga de vovô José Francisco — foi estudar em um internato da cidade de Jaguaquara.

Vovó Júlia tinha uma situação financeira razoável, como resultado da herança de seu pai, Sabino Barbosa e mantida em seu primeiro casamento (vale quebrar a sequência narrativa para ressaltar o nome de nosso bisavô paterno — aquele que, antes, até o nome era desconhecido: 'bisa' Sabino!) O espertalhão Calot avisou Júlia que faria uma viagem de negócio; e de posse da tropa de animais de transporte da família e vários outros bens, seguiu destino e desapareceu para sempre.

Essas novidades tardias estimularam a cachola a questionar antigas dúvidas. Oscar nunca mencionou as razões pelas quais, na juventude, deixou a Bahia e só retornou depois de passadas duas décadas; e jamais tratou, com os filhos, das questões atinentes à união de sua mãe Júlia com Calot. A explicação estaria no drama vivenciado pela família e o impacto nele próprio? Ou teria sido o cogitado insucesso em uma interação amorosa? A resposta está sepultada junto a todos que já se foram para sempre. 

Em 1933, Oscar saiu de Jequié e se dirigiu para o sul. Trabalhou em serviços braçais diversos em Minas Gerais; e depois no desmatamento, para agricultura e pecuária no interior de São Paulo. O estado paulista estava iniciando o processo de evolução que o elevou à condição de mais rica unidade da Federação. Oscar e um grupo de baianos estavam mergulhados no árduo processo de preparação da terra para a produção de riquezas. Havia um negro que era objeto das brincadeiras dos colegas, sendo a cor o mote principal. Se fosse hoje, haveria a acusação de racismo. Ele se livrava de eventuais constrangimentos por sua atitude — era educado e alegre, cooperava nas atividades coletivas e se mostrava sempre pronto a apoiar os companheiros. Pois bem, numa daquelas noites, ele foi encontrado despedaçado e completamente desfigurado. Enquanto dormia, fora atacado e parcialmente ingerido por uma onça. 

Diante do infausto evento — ao final da década de 1930 — Oscar decidiu deixar o trabalho e seguir para o norte de Mato Grosso, nas imediações de Cuiabá, onde batalhou alguns anos no garimpo. A perspectiva de bamburrar, isto é, achar um diamante grande o suficiente que permitisse a fortuna, era o grande estímulo. Oscar relatou que conseguira um diamante valioso, comercializado por uma soma extraordinária. Foi para São Paulo, mandou fazer uma meia dúzia de ternos e passou a metade do ano curtindo a vida e compensando as jornadas difíceis, em que sempre estivera mergulhado em trabalho insano.

À medida que o tempo passou, os recursos auferidos foram se escasseando e, em 1941, Oscar decidiu retornar para a atividade garimpeira. Antes, resolvera conhecer as margens do rio Aquidauana — nas circunvizinhanças de Campo Grande, a atual capital de Mato Grosso do Sul. Então para lá se dirigiu. No município de Rochedo, a 80 Km de Campo Grande, conheceu a família do fazendeiro Antonio Ribeiro de Oliveira. Ao ver a filha adolescente Alaide, que tinha 13 anos, ele declarou que algum dia voltaria do norte do estado — para onde estava se dirigindo — e lhe proporia casamento.

Passados três anos, Oscar deixou o garimpo do norte do estado, deslocou-se para a região de Rochedo e foi trabalhar na fazenda de Antonio. Conforme havia cogitado, passou a cortejar a jovem Alaide e no ano seguinte teve aceita a proposta de casamento. Em 23 de setembro de 1944, Oscar Barboza Souto e Alaide Ribeiro de Oliveira se casaram.

 Atualização 2 – Contribuição do mano Aloizio – 22/Ago/2020

Depois de um longa conversa com meu irmão Aloizio — cuja memória privilegiada contribuiu para a precisão de alguns dados da trajetória de nosso pai Oscar —, convém acrescentar as seguintes constatações:

– entre 1933 e 1941, após sair da Bahia, além de trabalhar em Minas Gerais e São Paulo, Oscar trabalhou também no Espírito Santo, em serviços braçais; e em Santa Catarina, em usina de carvão;

– em 1941, ao se dirigir para Mato Grosso, ele percorreu o estado do sul para o norte, passando primeiro nas bandas de Rochedo, onde teve o primeiro contato com Antonio Ribeiro de Oliveira e com sua filha Alaide, então com 13 anos;

– nos idos de 1941 a 1944, Oscar trabalhou no garimpo no norte de Mato Grosso, nas proximidades de Cuiabá;

– em 1943, ocorreu a descoberta do diamante que permitiu a Oscar passar quase seis meses em São Paulo, despendendo os recursos auferidos na venda do carbono valioso em turismo e lazer;

– após a temporada de longas férias, Oscar retornou direto para o garimpo do norte mato-grossense; e

   em junho de 1944, finalmente, Oscar dirigiu-se para a fazenda de Antonio, onde estabeleceu a conexão com seu destino conjugal e familiar.

Mantive a versão inicial inalterada, uma vez que o texto reflete a percepção dos eventos à época em que foi escrito; e também porque as divergências são irrelevantes. Porém, esta versão do Aloizio é acurada, precisa e correta. 

Oscar continuou trabalhando na fazenda do sogro. Como era trabalhador, organizado e incansável, contribuiu para potencializar a produção agrícola e pecuária, o que gerou conflito com os cunhados, por causa da alegação que ele queria tomar a posse dos bens da família. Descontente com a falta de reconhecimento e com boatos desagregadores, combinou com a esposa que sairiam da fazenda e desapareceriam em busca de seus próprios destinos. A decisão chocou os sogros, que inconformados, propuseram que o casal deixasse a sede da fazenda bem como os afazeres habituais e mudasse para um extremo da propriedade — dessa forma, as interpretações incorretas, no âmbito familiar, cessariam.

Assim foi feito. Em 1946, Oscar e Alaide seguiram a cavalo para a região indicada, onde construíram um rancho, para que pudessem, de forma um tanto precária, iniciar uma nova fase da vida. Oscar passou a trabalhar na lavoura, criar umas cabeças de gado, e assim garantir o sustento da família com o cultivo da terra e com a exploração bovina. Tiveram um primeiro rebento, José, que faleceu em 1947, com 11 dias de nascido. De 1949 a 1955, nasceram os filhos Aléssio, Agton, Angeliqui, Aloizio e Edna. 

Para que os herdeiros pudessem estudar, em 1957, houve a mudança para Rochedo, na época, com cerca de 2000 habitantes. Inicialmente, graças às amizades que conquistara — um mérito do convincente baiano conversador — Oscar foi nomeado tabelião do Cartório do Registro Civil. A gestão documental de nascimentos, mortes, escrituras públicas, procurações e outras atividades substituiu a faina pesada que Oscar enfrentara no desmatamento, garimpo e lavoura. Como os recursos auferidos eram insuficientes, ele se desfez dos parcos bens acumulados com as atividades agropecuárias e adquiriu uma loja decadente, quase em processo de insolvência, e a transformou em um estabelecimento estável, com negócios de tecidos, confecções, armarinhos e secos e molhados. Passados quatro anos, foi demitido do Cartório e nomeado Juiz de Paz, tendo nesse cargo lidado com a gestão de conflitos em um município destituído de sistema judicial, ao longo de outros quatro anos. O comércio se provou a primacial vocação de Oscar. Ao sucesso resultante da faculdade de empreender, seu estabelecimento comercial agregou pioneirismo na venda de combustíveis e de medicamentos, já que em Rochedo não havia posto de gasolina nem farmácia.

A liderança de Oscar o levou à condição de vice-presidente de partido político, o antigo PSD. Nessa situação, no final da década de 1950, compareceu à convenção regional do partido em Cuiabá. A participação nesse evento era motivo de enorme satisfação e ele tinha orgulho em mostrar a foto tirada em companhia do Senador Filinto Müller e do presidente Juscelino Kubitschek.

Em face de inexplicável razão, Oscar ficou 25 anos sem dar notícias para a parentalha da Bahia. Em 1960, ele decidiu ajustar o rumo, romper o silêncio e surpreender seus familiares. Deixou o comércio nas mãos da esposa e dos filhos menores e viajou para Jequié. Foi um evento inesquecível. Tomou conhecimento de que após 15 anos de ausência, fora celebrada missa pelo seu desaparecimento. Afora o memorável encontro com irmãos e sobrinhos — a maioria destes desconhecida —, ele reviu a querida mãe Júlia, um ano antes de seu falecimento.

Nas Escolas Reunidas de Rochedo, o ensino chegava até o último ano do ensino primário. Então, para o prosseguimento dos estudos, os filhos deixavam o lar e seguiam para Campo Grande. Dessa maneira, os cinco herdeiros conseguiram acesso ao ensino superior. Aléssio se tornou oficial do Exército e engenheiro, Angeliqui se formou em Pedagogia e Aloizio se graduou em Direito. Embora não tenha concluído o curso de Economia, Agton se tornou técnico em contabilidade e comerciário; e Edna não concluiu o curso superior que iniciara, mas se tornou técnica em contabilidade e dona de casa.

Oscar e Alaide vivenciaram as emoções da formatura de três filhos. Na graduação de Aléssio, em Ciências Militares, o casal teve a oportunidade de assistir à solenidade militar na emblemática Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende-RJ; complementada pela missa solene na igreja da Candelária e pelo baile de gala no Tijuca Tênis Clube, ambos na cidade do Rio de Janeiro. Orgulharam-se do progresso de Angeliqui no magistério e na coordenação pedagógica. Experimentaram a alegria da evolução de Aloizio na busca da paz e da harmonia nas lides do Direito. Ambos estiveram quase duas décadas envolvidos com o comércio e, por isso, apreciaram similarmente o trabalho de Agton e Edna nas atividades correlacionadas com o comércio. 

Os netos de Oscar e Alaide

A inabalável disposição de Oscar, antigo lavrador, de trabalhar para propiciar educação para os filhos se propagou de tal sorte a se constituir em virtuosa semeadura — o que pode ser comprovado pela escolaridade e profissão dos filhos (já mencionadas) bem como de netos e bisneto.

Agton e Elizabeth deram a Oscar e Alaide quatro netos. Agton Junior [*1é professor de inglês e de Kumon e divide com a família, uma franquia dessa organização japonesa de ensino. Anderson [*2] deixou o curso de engenharia, na Universidade Federal de Campo Grande, e direito na Católica, para se aventurar no Japão, e no retorno ao Brasil, junto à esposa Adriana, tornou-se comerciante. Alyson, depois de passar mais de dez anos no Japão, veio para o Brasil, casou-se com a pedagoga Ana Beatriz e retornou para o Japão. A esposa tornou-se professora naquele País — ressalte-se, o único país do mundo onde o imperador somente se curva, em reverência, para o professor, tal é o valor atribuído a este. E o último, Giuliano [*3], deixou o curso de Direito para seguir a vida apenas como policial militar. 

Angeliqui e Delaor deram-lhes três netos. Sérgio Ricardo [*4] é advogado e casado com a advogada Vanessa (eles têm dois filhos: Sérgio Jr. e Tânia — Sérgio Jr. está cursando a Faculdade de Direito). Delaorzinho [*5] é engenheiro agrônomo e casado com a pedagoga Sabrina (o casal têm três filhos: Dylan, Caio e Benício). Cynthia é advogada e casada com o advogado Paulo (eles têm dois filhos: Vinicius e Frederico). Afora o exercício do escritório de Direito no Brasil, na condição “a distância”, pela Internet, por residirem em Orlando, na Flórida, Cynthia e Paulo criaram a “iFood Pantanal”, que, por intermédio de encomendas “online”, faz a entrega de material de supermercados sul-mato-grossenses em vários estados americanos.

Edna e Gilvan deram-lhes um neto, Giovanni [*6], que está cursando a Faculdade de História.

Aléssio e Isabel deram-lhes três netas, Alessandra, Cecília e Laura que, aos 17 anos, estão em vias de concluir o ensino médio. Anteriormente, Oscar e Alaide ganharam de Aléssio e Elza Miriam, a neta Maria Tatianne [*7], graduada em Administração.

A menção à situação escolar e profissional dos herdeiros de Oscar e Alaide pode ser vista como ingenuidade, presunção ou exibicionismo. Não se trata disso. Considerando-se uma família habitual, a evolução mencionada estaria inserida na normalidade e o esclarecimento seria absolutamente desnecessário. Porém, no caso em tela, pelas limitações de escolaridade do casal, origem do clã, os obstáculos foram tais que o resultado apresentado pode ser considerado uma extraordinária conquista. Portanto, é um inexcedível dever de justiça registrar o reconhecimento e a gratidão a Oscar e Alaide, por terem descortinado o horizonte e encarado, com disposição e pertinácia, o desafio de prover educação para os filhos.

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Notas.

[*1] Agton Jr. iniciou o curso de graduação em Economia pela Faculdades Católicas Unidas de Mato Grosso (FUCMAT), que se tornou a Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

[*2]Anderson iniciou a graduação em Engenharia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a graduação em Direito também nas Faculdades Católicas Unidas de Mato Grosso, em Campo Grande.

[*3] Giuliano iniciou a graduação em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande.

[*4] Sergio iniciou a graduação em direito em uma faculdade da região oeste do estado de São Paulo e concluiu o curso nas Faculdades Católicas Unidas de Mato Grosso.

[*5] Delaorzinho se formou em agronomia em uma faculdade particular em Campo Grande e fez mestrado em agronegócio também na Austrália.

[*6] Giovanni está estudando História em uma faculdade particular em Dourados-MS.

[*7] Tatianne formou-se em Administração e Gestão em uma faculdade particular de Manaus.

  

 

Atualização 3 – Acesso de Alessandra, Cecília e Laura à universidade – 27/Jan/2022

Após concluir, em 08/12/2021, o ensino médio no Centro Educacional Leonardo da Vinci, em Brasília, Alessandra, Cecília e Laura — netas de Oscar e de Alaide e filhas de Aléssio e de Isabel — tiveram êxito no acesso a universidade.

Alessandra foi aprovada em Medicina na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), de Brasília, e na Universidade de Brasília (UnB). Com o resultado alcançado no ENEM, ela poderia realizar o curso de Medicina em mais de 20 universidades públicas brasileiras. Depois de estudar um mês na ESCS, abandonou o curso e se matriculou na Faculdade de Medicina da UnB. 

Cecília foi aprovada em Artes Cênicas na Universidade Federal de Pelotas (UFP) e também na UnB. Ela optou por realizar o curso na UnB. 

Laura foi aprovada em primeiro lugar no curso de Educação Física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e na Universidade CEUB (UniCEUB). Ela preferiu permanecer em Brasília e realizar o bacharelado na UniCEUB.

Foram vitórias surpreendentes e extraordinárias, dado que, durante mais de um ano escolar (de novembro de 2020 a dezembro de 2021), elas não frequentaram aulas presenciais, por causa da pandemia do Covid-19 — até agora, a maior crise social e econômica do século atual. Elas acompanharam o final do ensino médio pela Internet, isto é, com aulas apenas ‘online’ e não frequentaram cursinho.

 

 

Na aposentadoria, Oscar e Alaide mudaram-se para Campo Grande para ficar perto dos filhos, uma vez que Agton, Angeliqui, Aloizio e Edna, já adultos, moravam na atual capital do Estado. Conquanto pudesse estar próximo pela comunicação frequente e sistemática, na segunda metade da vida militar, Aléssio alternou-se entre Rio de Janeiro, Brasília e Teerã, no Irã. 

Dessa forma, as longas vidas do casal, vividas com trabalho intenso, responsabilidade inexcedível e dignidade insuperável — de sorte a se constituir em fecundos e magníficos exemplos para os herdeiros — chegaram ao ocaso. Oscar faleceu em 06/11/1995 e Alaide se foi em 2005.

Por ocasião da data que marca o nascimento de Oscar, estas lembranças são compartilhadas com os irmãos, cunhados, sobrinhos e demais familiares, à guisa de singela e merecida homenagem para quem viveu a fim de iluminar as sendas percorridas com verdade, decência e fé.

 

Atualização 4 – Passamento de Edna Maria Ribeiro Souto dos Santos – 20/Jan/2023

Após várias internações hospitalares, em 20/Jan/2023, a querida mana Edna faleceu no Hospital Evangélico de Dourados-MS, vítima de insuficiência respiratória aguda e infarto agudo do Miocárdio.

Ao velório e sepultamento no Cemitério Parque Dourados, nós os quatro irmãos — Aléssio, Agton, Angeliqui (acompanhada do esposo Delaor) e Aloizio — comparecemos para a despedida e homenagem final daquela a quem contraímos uma dívida eterna, uma vez que ela cuidou com denodo e abnegação de papai Oscar e também de mamãe Alaide, em seus dias finais de vida. 

 

Atualização 5 – Contribuição da prima Eliana Belo – 30/Jan/2024

Preliminarmente, devo ressaltar que o contato com Eliana me foi possibilitado pela prima Júlia, filha de tia Marinha, esta irmã de papai Oscar. Eliana mora na Bahia, é funcionária pública e tem interesse em descobrir algum europeu na linha de sucessão dos antepassados, de forma que ela possa tentar a obtenção de um passaporte europeu.

Antes de se casar com tio Branquinho, tia Marinha teve um primeiro casamento. Desse primeiro casamento, nasceram Railton e Romilda. 

Eliana é filha de Romilda e, portanto, é sobrinha de Júlia, por parte de mãe. Sendo filha de tia Marinha, Romilda é minha prima em primeiro grau; e Eliana é minha prima em segundo grau.

No final de 2023, Eliana pediu meu contato para Júlia e enviou-me mensagem por Whatsapp porque soube que eu tenho interesse em reconstituição dos laços familiares passados; e assim ela poderia obter informações para satisfazer seus próprios interesses.

Em sua tentativa de pesquisa e busca, surpreendentemente, Eliana conseguiu a certidão de nascimento de inteiro teor de papai Oscar Barbosa Souto, no cartório de Corguinho, Mato Grosso do Sul. Em 30/01/2024, ela enviou-me a certidão.

Nesse documento, aparecem os nomes dos pais de Oscar (que nós, filhos de Oscar, já tínhamos conhecimento), bem como os nomes dos avós paternos e dos avós maternos (que nós desconhecíamos).

Então, os pais de Oscar Barbosa Souto são: José Francisco Souto e Júlia Barbosa Souto

Os avós paternos de Oscar (pais de José Francisco) são: Antonio Francisco Souto e Rosa Gomes Souto.

Os avós maternos de Oscar (pais de Júlia) são: Sabino Martins Barbosa e Maria Cândido Barbosa.

A indagação que não quer calar: será possível obter os nomes dos bisavós de Oscar (pais de seus avós paternos e maternos?). Formulação consequente: será que há algum antepassado europeu na árvore genealógica de Oscar? 

 


 Galeria de fotos

José Francisco Souto (Jequié-BA, 1918) & Júlia Barbosa Souto (Jequié-BA, 1955).
Pais de Oscar Barboza Souto.

Oscar Barbosa Souto (Cuiabá-MT, 1941).

    

Liberalino Barbosa Souto (Ilhéus-BA, ≈ 1958) e Jonias Souto Novaes (Jequié-BA, 1960) 
Irmãos de Oscar Barbosa Souto.


Jesulino Barbosa Souto (Jequié-BA, 1960) e Marinha Barbosa Souto (São Paulo, ≈ 1965).
Irmãos de Oscar Barbosa Souto.

Oscar Barbosa Souto, Jesulino Barbosa Souto, Júlia Barbosa Souto e Jonias Souto Novaes
Visita de Oscar à Bahia (Jequié-BA, Abril/1960)

Oscar Barbosa Souto & Alaide Ribeiro Souto.
Cerimônia de casamento (Rochedo-MS, 23/09/1944).
  

Aléssio Ribeiro Souto (Campo Grande, 1966) e Agton Ribeiro Souto (Campo Grande, 1975)
Filhos de Oscar Barboza Souto e Alaide Ribeiro Souto.


Angeliqui Ribeiro Souto (Campo Grande, 1974) e Aloizio Ribeiro Souto (Campo Grande, 1971).
Filhos de Oscar Barboza Souto e Alaide Ribeiro Souto.

Edna Maria Ribeiro Souto (Campo Grande, 1959).
Filha de Oscar Barboza Souto e Alaide Ribeiro Souto.

Oscar Barbosa Souto, Alaide Ribeiro Souto e Aléssio Ribeiro Souto.
Baile de gala da formatura de Aléssio na Academia Militar das Agulhas Negras. 
Tijuca Tênis Clube (Rio de Janeiro-RJ, 17/12/1972).

Alaide Ribeiro Souto & Oscar Barbosa Souto.
Bodas de Ouro (Campo Grande-MS, 23/09/1994).

Oscar Barbosa Souto & Alaide Ribeiro Souto, com os filhos 
Aléssio, Edna, Agton, Angeliqui e Aloizio Ribeiro Souto.
Bodas de Ouro (Campo Grande-MS, 23/09/1994).

Oscar Barbosa Souto & Alaide Ribeiro Souto, com os netos 
Alyson, Anderson (filhos de Agton & Elizabeth), Sérgio e Delaorzinho (f. de Angeliqui & Delaor), Giulliano (f. de Agton & Elizabeth) e Cynthia Renata (f.de Angeliqui & Delaor).
Bodas de Ouro (Campo Grande-MS, 23/09/1994).

As netas que somente a avó Alaide conheceu (Oscar se foi 8 anos antes delas nascerem).
Laura, Alessandra e Cecília Rocha Ribeiro Souto (filhas de Aléssio & Isabel).
Casa na praia da Marambaia (Rio de Janeiro-RJ, Dezembro/2003).


Aléssio Ribeiro Souto & Isabel Krause dos Santos Rocha Souto,
Cecília, Alessandra e Laura Rocha Ribeiro Souto.
Casamento da prima Cynthia & Paulo (Campo Grande-MS, 16/10/2007).

Alessandra, Laura e Cecília Rocha Ribeiro Souto.
Casamento da prima Cynthia & Paulo (Campo Grande-MS, 16/10/2007).


Descendentes de Oscar & Alaide. Não estão presentes Edna & Gilvan e o filho Giovani; e Anderson (filho de Agton & Elizabeth).

Da esquerda para a direita: Suellen, Ana Beatriz, Agthon Jr & Rosany, Isabel & Aléssio, Elizabeth & AgtonAngeliqui & Delaor, Cynthia, Aloizio, Paulo, Estela, Sabrina (com Benício aguardando a hora de chegar) & Delaorzinho, Adriano, Sérgio & Vanessa. 
Também da esq. p/ dir., as crianças Alessandra, Nicolas, Natália, Giovanna, Cauet, Yuri, Vinicius, Cecília, Serginho, Caio, Laura, Dylan e Tânia. E à frente, recostados, os adultos Giulliano e Alyson.
Reunião na casa do Aloizio (Campo Grande-MS – 19/12/2010).

Cecília Rocha Ribeiro Souto, Alessandra Rocha Ribeiro Souto, Aléssio Ribeiro Souto, Isabel Krause dos Santos Rocha Souto e Laura Rocha Ribeiro Souto.
Formatura do ensino fundamental, Colégio Leonardo da Vinci.
Casa em Cima do Mundo (Brasília-DF, 8/12/2018).

 




 


Laura Rocha Ribeiro Souto
Colação de Grau em Educação Física do UniCEUB
Cerimônia no Clube do Exército do Lago – Brasília – 12/08/2026 

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quarta-feira, 14 de julho de 2021

Mensagem para o amigo Ivan Cosme

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barboza Souto, antigo lavrador, garimpeiro e comerciante.
In Memoriam.

Distinto amigo,

Tive uma conversa telefônica com o 1º. Tenente Rabelo, oficial Auxiliar do Estado-Maior do Comando da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (4ª. Bda C Mec), situada em Dourados-MS.

Eu estava buscando informações de um tio que fora convocado em 1944, para servir em Bela Vista, e depois seguir para a Itália. 

Ele deu sorte ou azar! A guerra acabou e ele não foi!

Aí ele fez menção à história da instalação da 4ª. Bda C Mec, naquela cidade de Mato Grosso do Sul. Então, eu lhe lembrei que, em 17 de janeiro de 1979, o 1º Tenente R2 Ribeiro Souto foi de Ponta Porã para Dourados com o Destacamento Precursor (Dst Prec) do 3º. Esquadrão do 11º. Regimento de Cavalaria Mecanizado (3º./11º. RC Mec), comandado pelo então Capitão Ivan Cosme que, em fevereiro de 1979 transferiu-se com o efetivo do 3º./11º. RC Mec, da cidade de Ponta Porã-MS para Dourados-MS.

Pedi ao meu irmão para escrever umas 10 folhas, relatando a ida do Dst Prec, inclusive com os dados do bivaque no bosque, próximo da edificação nova; e o aparecimento à noite de cobras cascavéis. Ele teria telefonado para você, informando que ocuparia uma ponta da edificação — o que não poderia porque esse aquartelamento recém-construído ainda não tinha sido vistoriado, recebido e liberado para ocupação.

O Aloizio vive a preguiça da inatividade e deixou implícito que no passado tinha escrito cerca de 200 folhas sobre o período em que serviu em Ponta Porã e Dourados, mas perdeu tudo! Entendi como um não implícito.

É isso aí amigo. Entendo que você esteve lá. Você é a história!

Abraço fraterno.

ARS

sábado, 15 de maio de 2021

Piano e arte

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado".
Homenagem a Oscar Barboza Souto, antigo lavrador, garimpeiro e comerciante.
In Memoriam.


Há cerca de 10 anos atrás, cogitei de comprar um piano para estimular nossas queridas filhas a se interessarem e, se fosse o caso, a iniciarem o aprendizado musical.

Contatei algumas pessoas que estavam ofertando pianos usados. O caso mais promissor era um piano Weibel, com aproximadamente 50 anos (a metade desse tempo compreende uso, e a outra metade, permanência como objeto de decoração). Curiosamente, um pai o comprara para fomentar o aprendizado de música por suas três filhas. Elas começaram as aulas na adolescência e abandonaram a empreitada algum tempo depois de ingressarem na vida adulta — o gosto por música não era exatamente uma opção e vocação; quer dizer, gostavam mais não muito o suficiente para mergulhar na satisfação de inebriar-se e inebriar a outrem. O piano ficou sob a responsabilidade da filha mais nova, que recebeu a recomendação do pai para não se desfazer do valioso instrumento. Ela carregou esse ônus enquanto o genitor estava vivo. Logo após sua partida, ela anunciou a venda.

Então, adquiri o piano que, a despeito da longevidade, estava em bom estado de conservação — considerei-o satisfatório pela razoável sonoridade, pela estética, pelo brilho e pela ausência de qualquer mossa na madeira; e porque se destinava a iniciantes na arte musical.

Passados cinco anos, chegou a hora da renovação. Resulta daí que substituí o velho Weibel por um piano marca Ritmuller. O som magnífico, associado à condição de objeto “novo em folha”, tornam sua posse agradável e estimulante. Nesse contexto, a vida segue nem sempre da forma desejada e aspirada.

Ao longo de 2020 e 2021, surgiram duas mossas na parte frontal da madeira do piano. Previamente, há a considerar que à razão de duas mossas por ano, o piano chegaria a 20 mossas em 10 anos — ou seja, completaria uma década em estado lamentável. É essencial indagar o que teria causado esses primeiros danos. Levantei as seguintes alternativas:

– eu próprio ter deixado cair algum objeto sobre a madeira;

– em suas habituais brincadeiras, as meninas terem batido com algum objeto e causado as mossas;

– por ocasião da arrumação de móveis, Isabel ter batido com alguma coisa na superfície atingida;

– nas habituais tarefas de limpeza, a funcionária ter deixado o cabo de vassoura, do rodo ou do aspirador bater na madeira do piano; e

– ação de algum fantasma.

Começo a análise de forma aleatória. Como as meninas abandonaram a prática musical — e, por estarem na alvorada da vida adulta, suas brincadeiras evoluíram de patamar —, é pouco provável que elas tenham causado os pequenos estragos.

Com a contratação, no início de 2020, de nova funcionária, Isabel tem atuado muito pouco nas lides de arrumação e limpeza, então, é pouco provável que ela tenha causado as pequenas agressões ao piano.

No atinente a mim próprio, mesmo à luz das consequências de estar submetido às imposições de sete décadas de condição humana — o que poderia ser inevitável algum deslize em atitudes e procedimentos —, não tenho qualquer lembrança de ação que poderia causar as mossas; até porque sendo duas, haveria pequena probabilidade da omissão de lembrança.

A eventual obra de fantasma está afastada pois eles só entram em nossa Casa em Cima do Mundo quando estamos fora, em viagem. É convincente aduzir que nesses últimos catorze meses permanecemos na situação de distanciamento requerida pela pandemia do coronavírus e não nos afastamos de nossa casa.

Destarte — sem querer, a priori, atribuir culpa — cresce a probabilidade de que o dano tenha sido causado pela diligente funcionária Aline. Afinal, uma a duas vezes por semana, ela utiliza vassoura, rodo e aspirador (com cabo longo e rígido) para a limpeza do ambiente em que se encontra o piano.

Vislumbre, cogitação e análise levam-me a fazer recomendações expressas a todas as personagens envolvidas no manuseio e manutenção, no sentido de que — ao olhar, lidar, limpar e tocar o piano —, tenham cuidado para concretizar a meta de transmitir para a posteridade um instrumento devidamente conservado, com o som e a apresentação dignos daqueles que gostam, admiram e praticam a arte musical — e cuja sensibilidade é estimulada pela estética e pela sonoridade dos mágicos toques do mais rico aparato musical concebido pelo ser humano.

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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Verdadeiro pai

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado!"
Homenagem a Oscar Barboza Souto, meu pai, antigo lavrador, garimpeiro e comerciante.
In Memoriam.





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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Mensagem para Cynthia

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado".
Homenagem a Oscar Barboza Souto, antigo lavrador, garimpeiro e comerciante.
In Memoriam.

A querida sobrinha postou no Facebook uma tocante mensagem em que divide os problemas relacionados com a síndrome de Duchenne que afeta o Vinicius e com as dificuldades para enfrentar o problema.

Por enquanto, a doença não tem solução, porém há expectativa otimista no tratamento experimental a que ele está sendo submetido em universidade e laboratório americanos.

Ademais, no texto, a Cynthia transmite abordagem e atitude determinadas e corajosas para prosseguir de tal sorte a proporcionar, ao querido filho, carinho, amor e esperança em uma solução da Medicina. 

Repondi-lhe com emoção e admiração!

 

Querida Cyhthia, 

Como sempre, você está nos proporcionando uma extraordinária lição de vida. Seu texto nos convida à reflexão, à avaliação dos erros que cometemos e à busca de superação das falhas com que fomos "fabricados". Asseguro que me sinto motivado a não cometer enganos e equívocos na orientação de nossas queridas filhas. Nesse sentido, gostaria de expressar o agradecimento por tão belo e enriquecedor exemplo.

Estas modestas palavras de reconhecimento se estendem também para o Paulo, que jamais hesitou em aliar-se a você, nessa faina exemplar, corajosa e nobre. 

Gostaria também e, sobretudo, de transmitir os cumprimentos para o Vinicius, ele próprio um guerreiro, à luz de privilegiada inteligência e discernimento. Ele é uma referência de atitude na virtuosa e complexa arte de viver.

Enfim, vocês estão espalhando luz pelas sendas percorridas. Todos nos sentimos iluminados pela excelência de procedimento de vocês. E sentimos um insuperável orgulho de nos incluirmos no rol dos parentes e amigos da família.

Abraços e beijos.

Aléssio

 

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sábado, 17 de abril de 2021

Uma mulher brilhante e brava

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado".
Homenagem a Oscar Barboza Souto, antigo lavrador, garimpeiro e comerciante.
In Memoriam.

No início de 2020 foi anunciado o lançamento do filme “Radiaoctive”, sobre a cientista Marie Curie. A previsão de lançamento para o fim do primeiro semestre não se concretizou por causa da pandemia do coronavírus.

Finalmente, neste mês, o filme foi colocado à disposição dos assinantes pela Netflix. Ontem, assisti ao esperado filme na TV.

Fiquei com a impressão de que a diretora da obra cinematográfica se propôs a apresentar a trajetória da cientista, sob o prisma de duas considerações adicionais: dar ênfase aos dramas enfrentados pela senhora Curie; e fazer a apologia da necessidade de empoderamento da mulher para que ela vença os desafios da histórica desigualdade em relação ao homem.

Citaria alguns fatos, dentre vários outros do filme, que me levaram a essa percepção:

     a insistência nas dificuldades de Curie supostamente por ser mulher — a rigor, as dificuldades existiram, mas a notável senhora era tão superior que tornou-as menores e jamais permitiu que a impedissem de rumar para a glória;

     a forma um tanto demeritória como foi tratada a premiação de Curie, com o prêmio Nobel de Física, o primeiro a ser ganho por uma mulher; 

     a omissão da maioria das viagens de Curie à Polônia, aos Estados Unidos e até mesmo ao Brasil; e

     a omissão ao fato de que a família Curie (e que família! ...) é detentora de seis prêmios Nobel, dois da própria Marie Curie; um de seu marido, Pierre Curie, em parceria com a esposa; um de sua filha Irène Curie; um de seu genro, Frédéric Joliot-Curie, em parceria com Irène; e um do outro genro, Henry Richardson Labouisse Jr, casado com Ève Curie, a outra filha.

 Enfim, em “Radioactive”, assistimos a aspectos relevantes da trajetória de Curie, permeados por uma enfatizada sequência de dramas. A grandiosa Marie Curie — seguramente a Einstein feminina da Ciência — merecia uma obra cinematográfica grandiosa. Para ser enfaticamente redundante, eu preferiria uma epopeia épica sobre uma das mais bravas e brilhantes mulheres, dentre as bravas e brilhantes da História.

Esse juízo de valor não é absurdo uma vez que a diretora do filme, Marjane Satrapi, é iraniana — oriunda de uma família com envolvimento no socialismo e comunismo, antes da revolução islâmica — e foi submetida ao autoritarismo de seu país, impactante na população em geral, mas sobretudo opressor das mulheres, que afora os preconceitos históricos atinentes a costumes daquela sociedade, tem preceitos constitucionais que, de forma inequívoca, colocam a mulher, de forma institucional, em posição inferior.

Feitas essas restrições — e apesar delas — aos apreciadores da sétima arte que puderem, recomendo que assistam ao filme. Até uma obra controversa não tira o mérito, a excelência e a grandeza de quem se dispôs a participar, na área de Saúde, da Primeira Guerra Mundial, empregando os pioneiros e perigosos equipamentos de Raio-X para salvar guerreiros e, nesse contexto, ofereceu a própria vida — inicialmente, arriscada nas pesquisas que a levaram à descoberta da radioatividade — para melhorar o mundo das futuras gerações.


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Transcrição do texto que divulguei no Facebook em 2020.
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Uma mulher extraordinária e o prêmio Nobel
A cientista Marie Curie, polonesa, naturalizada francesa, pode ser considerada a Einstein feminina. Sua extraordinária trajetória científica estendeu-se de forma direta e eficaz para a arte da guerra. Ela morreu por causa dessa contribuição. A família de Marie Curie é detentora de 6 prêmios Nobel, assim especificados:
– Marie Curie ganhou o Nobel de Física, em 1902;
– Marie Curie foi lareada com o Nobel de Química, em 1911, tornando-se o único cientista da História a ganhar dois prêmios Nobel, em duas áreas distintas da Ciência;
– Pierre Curie, ganhou o Nobel de Física, em 1902, em parceria com a esposa, Marie Curie, e com o cientista Henri Becquerel;
– Irène Joliot-Curie ganhou o Nobel de Química em 1935;
– Frédéric Joliot-Curie foi laureado com o Nobel de Química, em 1935, em parceria com a esposa Irène Joliot-Curie;
– Henry Richardson Labouisse Jr, marido de Ève Curie (segunda filha de Marie Curie), como dirigente da UNICEF, foi laureado com o prêmio Nobel da Paz.
Os outros ganhadores de duas láureas foram:
– Linus Pauling — de Química, em 1954, e da Paz, em 1962 (o segundo, fora portanto do campo da Ciência);
– John Bardeen, em 1956 e em 1972 — ambos em Física; e
– Frederic Sanger, em 1958 e em 1980 — ambos em Química.
Marie Curie cunhou o termo radioatividade, descobriu técnicas para isolar isótopos radioativos e descobriu dois elementos, o polônio e o rádio.
Durante a Primeira Guerra Mundial, fundou os primeiros centros militares no campo da radioatividade.
Marie Curie “morreu em 1934, aos 66 anos, em um sanatório na França, por causa de leucemia contraída pela exposição a radiação ao carregar testes de rádio em seus bolsos durante a pesquisa e ao longo de seu serviço na Primeira Guerra, quando montou unidades móveis de raio-X”.
Detalhes sobre a cientista podem ser encontrados em:
(i) Naomi Pasachoff, “Marie Curie and the Science of Radioactivity”, Oxford University Press, 1996; e
(ii) Robert Reid, “Marie Curie”, New American Library, 1974.

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