sábado, 15 de outubro de 2016

Justiça e paz social


[Mensagem acolhida pelo jornal O Estado de São Paulo e publicada em seu Fórum de Leitores, versão impressa, de 17/10/2016]

No artigo “Que tal ouvir os jovens?” (Estadão de hoje, 15 de outubro), o jornalista Manoel Vilela de Magalhães reproduz assertiva do livro Leãozinho, de Fernanda Suzana, sobre a escolha dos auxiliares dos governantes. In verbis: “... Coloque cada um numa posição que esteja de acordo com sua capacidade para aquilo a que foram designados. Nunca coloque em posições de destaque incapazes ou de má índole. Se o fizer, você não só estará prejudicando o seu governo, mas também ofenderá os bons, os que confiam em você”.
Ora, imaginar o sr. Renan Calheiros à frente do Ministério da Justiça, conforme cogita outra matéria desse prestigioso jornal é um escárnio, contraria a sabedoria tão bem expressa por uma jovem talentosa, é uma ofensa aos bons cidadãos e joga por terra qualquer resquício de credibilidade do atual governo.

A expectativa é que isso não passe de um balão de ensaio para afastar de vez a possibilidade de se ter naquela pasta alguém emaranhado nas teias da justiça, com dezenas de processos por dívidas de toda ordem com a cidadania. E que esse balão não passe de bolha frágil e insustentável. E que a esperança em um país promissor prevaleça. E que a crença em justiça e paz social seja uma meta viável, a par da ocupação do Ministério da Justiça à luz de probidade, qualificação intelectual e estatura moral e ética.
[Colaboração: Isabel Krause dos Santos Rocha Souto]

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ensinamentos históricos


[Mensagem acolhida pelo jornal O Estado de São Paulo e divulgada em seu Fórum de Leitores, versão eletrônica, em 1º./10/2016]
          
         Com relação ao acordo entre o governo da Colômbia e os guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que encerrou um conflito de mais de quarenta anos e que deixou cerca de 220.000 mortos, é imperioso apresentar o testemunho que se segue.

Em 1999, quando trabalhava em Teerã-Irã, na condição de Adido de Defesa, ouvi do diplomata Ramiro, embaixador da Colômbia naquele país, o seguinte  comentário: 
          “Vocês tiveram um foco de guerrilha em Chambioá, na Amazônia. À custa de cerca de 100 mortos, vocês destruíram o movimento insurgente. Na Colômbia, recusamo-nos a agir de forma similar. Passadas quase três décadas,  já contabilizamos mais de 100.000 mortos nos combates com os guerrilheiros, ou seja, para cada brasileiro morto, 1000 colombianos foram sacrificados. Do ponto de vista individual, uma ou mil perdas são a mesma coisa; do prisma coletivo, de uma visão estratégica, uma estupidez não tem expressão se comparada com mil atitudes estúpidas.”  
          E concluiu nostálgica e tristemente: 
         “Os soldados brasileiros devem ser parabenizados pelo que evitaram”.
Os cidadãos e os intelectuais engajados na esquizofrenia petista-comunista e os demais brasileiros que lhes sufragam com apoio e admiração odiariam ouvir esse testemunho. Primeiro, pela jamais admitida derrota nas tentativas de estabelecimento de conflito guerrilheiro no Brasil e a consequente conquista do poder pelas armas, mas também pela absoluta impossibilidade de se livrar da verdade que o testemunho contém.
Evidentemente, que os canalhopatas continuarão trabalhando com sofreguidão para desmerecer o que brasileiros de boa fé, especialmente os militares, empreenderam para livrar o Brasil do regime que fracassou em todos os quadrantes da terra. Por uma questão de decência, verdade e ética, que fique muito claro: os excessos existiram e se enquadram na impossibilidade de o ser humano concretizar suas obras no patamar da perfeição. 
Entre os excessos brasileiros daquele período e a prática habitual de comunistas e nazistas — sem qualquer hesitação — não há comparação, não há semelhança, se vistos com juízo honesto. A justificativa é simples: 600.000 menores de idade foram sacrificados pelos nazistas na Alemanha nas décadas de 1930 e 1940; e 700.000 menores de idade foram sacrificados na Ucrânia pelos comunistas no mesmo período (em ambos os casos, a citação refere-se a 10% dos cidadãos mortos em circunstâncias específicas pelos respectivos regimes). Quanto a esses dados, não raro, falta coragem intelectual e moral para divulgá-los, especialmente para a juventude.

De qualquer sorte, a transformação do Brasil num país com igualdade de oportunidade e com a prevalência da justiça, ética e demais virtudes da cidadania requer a análise atenta dos ensinamentos históricos, sem preconcepção no que diz respeito a acertos e erros do passado.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Os meninos de Brasília


          No âmbito da Operação Lava Jato — na qual a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal de Curitiba empreendem rigoroso combate à corrupção no Brasil — os seguintes fatos ocorridos no mês de setembro do corrente ano merecem destaque:
          – o acolhimento pela Justiça Federal de Curitiba de denúncia,  contra Luis Lula da Silva, ex-presidente da República, e contra sua mulher Letícia da Silva,  tornando-se ambos réus a serem julgados naquela instância judicial — Lula reagiu com acerbas críticas à atuação dos integrantes da Operação Lava Jato, referidos por ele como "meninos de Curitiba"; 
          – a prisão de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Lula — posteriormente liberado porque estava acompanhando sua esposa em ocorrência médica no hospital Alberto Einstein, em São Paulo;
          – a prisão de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula e ex-Chefe da Casa Civil do governo Dilma.

          Hoje, em face de proposta do Ministério Público Federal, ainda no âmbito da Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal acolheu denúncia do Ministério Público Federal e tornou  réus a senadora Gleisi Hoffmann, ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma e seu marido Paulo Bernardo, ex-ministro do governo Lula.
          
          Então, enviei por intermédio de Isabel a seguinte mensagem para o jornal O Estado de São Paulo: 

          "Como se não bastassem os meninos de Curitiba, agora são esses meninos de Brasília! Que perseguição! Mas bandidos devem ser perseguidos — pela lei, pela justiça e pela democracia; que eles tão bem desconhecem!" IKSRS