quinta-feira, 21 de junho de 2018

Viagem a Paris - Museu do Louvre


21 de junho (quinta-feira) – Visita ao museu do Louvre
Hoje, acordamos mais cedo. A programação de Isabel previa a ida ao Museu do Louvre. Ela não conseguiu comprar os ingressos pela Internet. E a recomendação é chegar cedo para reduzir o tempo de espera na fila. Tomamos café com calma. Acessamos o metrô na estação Blanche, seguimos até a estação Charles De Gaulle, aí mudamos para a Linha 1, e depois desembarcamos na estação Louvre Rivoli.
Surpreendentemente, a fila era insignificante e pudemos iniciar a visita quase de imediato. Não nos preparamos de forma adequada, pois estando com as meninas deveríamos ter organizado um roteiro que permitisse eficácia no percurso e na observação das obras. Ainda assim, é uma atividade que só evanescerá da lembrança quando a poeira do tempo tiver concluído sua missão final. Vou mencionar apenas os destaques de nossa andança artístico-cultural: Mona Lisa, Vênus de Milo, Vitória de Samotrácia, as esculturas greco-romanas, as fachadas e esculturas persas. Devo confessar que antes do final da caminhada, senti-me exausto e pedi que Isabel e as meninas continuassem, enquanto eu ficaria descansando num banco no enorme hall da entrada. Cecília decidiu ficar comigo — por cansaço ou solidariedade? Talvez por ambos. Foi uma atitude acertada, pois recuperei as energias que pareciam perdidas.
Descobrimos que o ingresso dava direito à visita da exposição do Delacroix e seu emblemático quadro "Liberdade conduzindo o povo". Apenas um lamento: não dispor de umas duas horas para observar com a calma requerida, quadro a quadro, esse evento singular.
De uma forma ou de outra, com duas horas ou duas semanas, ir ao Louvre é incomparável, inexcedível e magnificamente agradável e enriquecedor. Assim, tivemos a oportunidade única de ver ou rever um sem número de obras maravilhosas. Vou citar aquelas que apreciamos com mais gosto. Dentre as esculturas:
Philopoemen, em mármore, 1837, de Pierre-Jean David;
Joana d’Arc escutando sua voz, em mármore, 1852, de François Rude;
Napoleão acordando para a imortalidade, em gesso, 1846, de François Rude;
Prometeu, em mármore, 1827, de James Pradier;
O soldado de Maratona anunciando a vitória, em mármore, 1834, de Jean-Pierre Cortot;
Napoleão em triunfo, em chumbo, 1808, François Frédéric Lemot;
Vênus, em mármore, 1767, de Christophe Gabriel Allegrain;
Vênus ensinando Cupido a usar sua flecha, mármore, 1760, Louis Claude Vassé;
Painel de tijolos: leão passando, Babilônia, época neo-babilônica, reino de Nabucodonosor II (604-562 a. C.)
Painel de tijolos: guerreiros, Babilônia, época neo-babilônica, reino de Nabucodonosor (604-562 a. C.);
Coluna de Apadana, Persépolis, Pérsia (hoje, Irã), 515 a. C.;
Painel de tijolos: arqueiros no palácio de Dario I, em Susa, 510 a. C.;
Painel de tijolos: arqueiros persas - I, Persépolis, Pérsia, 515 a. C.;
Painel de tijolos: arqueiros persas - II, Persépolis, Pérsia, 515 a. C.;
Painel de tijolos cinza: leão passando, Persépolis, Pérsia, 515 a. C.;
Vitória de Samotrácia (deusa grega Nice), em mármore, 190 a. C., de Pythokritos;
Vênus de Milo, em mármore, século II a. C., de Alexandre de Antioquia;
A Pallas de Velletri (deusa Atena, da sabedoria), em mármore — réplica de antigo bronze, de 430 a. C., de Cresilas;
 Vaso de Pérgamo – vaso funerário em mármore, decorado com 15 cavaleiros em baixo relevo), do século II a. C. (oferecido como presente, em 1837, pelo sultão Mohamad II ao rei Louis-Philippe);
Artemis, deusa da caça, conhecida como Diana de Versalhes; século IV a. C.

     Dentre as pinturas, destacam-se:

                    A virgem e o menino, em majestade, rodeado por seis anjos; 1280, 
                                de Cenni di Pepe, dito Cimabue;
                 Mona Lisa, 1506, de Leonardo da Vinci;
                 A liberdade guiando o povo, 1830, de Eugène Delacroix;
                 Grécia nas ruínas de Mussolonghi, 1826, de Eugène
                  Delacroix.

A solução mais confortável para o almoço foi aproveitar o restaurante Benoit, do próprio Louvre. Como já passava das 14:00 horas, tinha muitas mesas vazias. A comida estava satisfatória. Foi uma boa surpresa. Aliás, foi um aprendizado perceber que o preço da alimentação não varia muito, dos locais turísticos para os demais locais; e a qualidade se mantém. 
Antes de pegar o metrô para o retorno, as meninas viram uma sequência de lojas de confecções — algo irresistível para um conjunto majoritário de lindas garotas. Isabel comprou um moleton com a inscrição Sorbonne. Cecília escolheu uma blusa com a marca Paris. Laura preferiu uma blusa do time de futebol Paris Saint Germain e uma blusa com a marca Paris. Alessandra optou por um moleton e uma blusa, ambos com a marca da Cidade Luz. Eu não podia ficar pra trás, ser o 'diferentão'; então, fiz a minha escolha: um blusão azul e uma camiseta de malha.
Voltamos para o hotel e ao ligar a TV, vimos que o jogo Argentina e Croácia estava sendo transmitido. Isso bastou para que acabasse a vontade de sair para lanchar. Isabel providenciou sanduíches, suco e frutas. Valeu a pena, especialmente porque a Croácia "deu um chocolate" na seleção argentina — 3 x 0, com choro, mas sem velas. O melhor foi ver o Maradona na arquibancada, com a cabeça baixa, no que se pode definir como o desesperado lamento portenho.

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NOTAS 
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Vitória de Samotrácia
Conta a história que Pythokritos, um ainda novato escultor grego, sem muita fama e com um currículo artístico minguado, teria sido o criador desta mulher alada, tida como “a beleza em velocidade”, uma obra-prima da época helenística. 
Para exaltar a originalidade de seu estilo e a imponência de sua forma, foi decidido que deveria ficar em um local que chamasse a atenção, preferencialmente bem no alto, no topo de algo, olhando para o mar aberto. E assim foi feito… A mulher alada foi colocada na proa de um navio, indicando a vitória dos guerreiros de Rhodes sobre o persa (que reinou sobre a Grécia) Antiochus III (222-187 a.C.). Esta era uma maneira comum dos gregos expressarem sua homenagem aos heróis de guerra.
A Vitória de Samotrácia foi concebida através da união de seis blocos de mármore, uma tradição da escultura grega, que costumava utilizar diferentes pedaços de pedra para esculpir suas obras de arte.
Ela foi descoberta em 1863 por Charles Champoiseau, arqueologista e cônsul francês em Adrianople, em uma colina na Ilha de Samotrácia, daí a razão de seu nome. Destruída pela ação do tempo, o arqueologista a encontrou fragmentada em 118 pedaços.
A estátua só foi remontada no próprio Museu do Louvre, quando por lá aportou em 1864. No entanto, um dos mistérios que rodeiam Samotrácia nunca foi solucionado: sua cabeça parece ter se perdido para sempre. Ainda nos dias atuais, ela é tida como uma das maiores expressões de arte da Era Helenística. 
Para refrescar a memória, a Era Helenística marcou a transição da civilização grega para a romana. Convencionou-se chamar de civilização helenística a que se desenvolveu fora da Grécia, sob a influência do espírito grego. Esse período histórico medeia entre 323 a.C., data da morte de Alexandre III (Alexandre, o Grande), e 30 a.C., quando se deu a conquista do Egito pelos romanos.
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Vênus de Milo
Segundo Marianne Hamiaux, a escultura Vênus de Milo foi desenterrada em 8 de abril de 1820 pelo camponês Yorgos Kentrotas, perto da cidade antiga da ilha de Milo (também conhecida como Milos ou Melos), no mar Egeu, então parte do Império Otomano.
A Vênus foi embarcada em um navio francês e seguiu para Constantinopla, onde foi entregue para Rivière e mantida oculta dos oficiais turcos. Rivière coincidentemente fora chamado para um novo cargo em Paris, levando-a consigo, não sem passar novamente por Milo para averiguar se não haveria outras relíquias à venda. Chegando em Marselha em 1 de dezembro de 1820, entregou a carga para o enviado dos Museus Reais, que a despachou para Paris junto com outros fragmentos. Em 1821 Rivière finalmente a ofereceu ao rei Luís XVIII, que então a doou para o Museu do Louvre, oficialmente como uma obra-prima da prestigiosa geração clássica e atribuída ao círculo de Praxíteles, tornando-se uma celebridade instantânea.
Como é típico da arte do Helenismo, a Vênus de Milo é uma obra estilisticamente eclética, pois os artistas do período apreciavam recuperar, em combinações novas, elementos de estilos mais antigos como sinal de erudição e como prova de maestria técnica. Ivan Zoltovskij identificou que suas proporções seguem a seção áurea, um cânone clássico por excelência, enquanto que obras helenísticas usualmente possuem formas mais alongadas. O ar impassível de seu semblante e a harmonia dos traços da face são comuns ao século V a.C., do chamado Alto Classicismo, enquanto que o estilo do penteado e o delicado modelado do corpo apontam para o século IV a.C., do Baixo Classicismo. A sua postura geral com um movimento espiralado, os seios pequenos e o padrão das dobras do seu manto, por outro lado, concordam com as inovações formais introduzidas pelos escultores helenistas.
Isso não impede que a estátua possa ser, alternativamente, uma derivação helenística de um original clássico perdido. Atribui-se então que teria sido esculpida no século II a. C.
(Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Vênus_de_Milo, consultada em 2/Jul/2018)
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Mona Lisa
A obra Mona Lisa ("Senhora Lisa") também conhecida como A Gioconda (em italiano: La Gioconda, "a sorridente"; em francês, La Joconde) ou ainda Mona Lisa del Giocondo ("Senhora Lisa esposa de Giocondo") é a mais notável e conhecida obra de Leonardo da Vinci, um dos mais eminentes homens do Renascimento italiano.
Sua pintura foi iniciada em 1503 e é nesta obra que o artista melhor concebeu a técnica do sfumato. O quadro representa uma mulher com uma expressão introspectiva e um pouco tímida. O seu sorriso restrito é muito sedutor, mesmo que um pouco conservador. O seu corpo representa o padrão de beleza da mulher na época de Leonardo. Este quadro é provavelmente o retrato mais famoso na história da arte, senão, o quadro mais famoso e valioso de todo o mundo. Poucos outros trabalhos de arte são tão controversos, questionados, valiosos, elogiados, comemorados ou reproduzidos.
Muitos historiadores da arte desconfiavam de que a reverência de Da Vinci pela Mona Lisa nada tinha a ver com sua maestria artística. Segundo muitos afirmavam devia-se a algo muito bem mais profundo: uma mensagem oculta nas camadas de pintura. Se observarem com calma verá que a linha do horizonte que Da Vinci pintou se encontra num nível visivelmente mais baixo que a da direita, ele fez com que a Mona Lisa parecer muito maior vista da esquerda que da direita. Historicamente, os conceitos de masculino e feminino estão ligados aos lados — o esquerdo é feminino, o direito é o masculino.
A pintura a óleo sobre madeira de álamo encontra-se exposta no Museu do Louvre, em Paris, e é uma das suas maiores atrações.
HISTÓRIA. A pintura foi trazida da Itália para França pelo próprio Leonardo, em 1506, quando este foi convidado pelo rei Francisco I de França para trabalhar na sua corte. Francisco teria então comprado a pintura, que passou a estar exibida em Fontainebleau e, posteriormente, no Palácio de Versailles.
Só após a Revolução Francesa o quadro foi exposto no Museu do Louvre, onde se conserva até hoje. O imperador Napoleão Bonaparte ficou apaixonado pelo quadro desde a primeira vez que o viu, e mandou colocá-lo nos seus aposentos. Porém, durante as guerras com a Prússia, a Mona Lisa, bem como outras peças da coleção do museu francês, foram escondidas em um lugar seguro.
A 22 de agosto de 1911, cerca de 400 anos após ser pintada por Leonardo da Vinci, a Mona Lisa foi roubada. Muitas pessoas, incluindo o poeta francês Guillaume Apollinaire e o pintor espanhol Pablo Picasso, foram presas e/ou interrogadas sob suspeita do roubo da obra-prima da pintura italiana. Quanto a Guillaume Apollinaire e a Pablo Picasso, foram soltos meses mais tarde.
Acreditou-se, que a pintura estava perdida para sempre, que nunca mais iria aparecer. Porém, a obra apareceu na Itália, nas mãos de um antigo empregado do museu onde a obra estava exposta, Vincenzo Peruggia, que era de fato, o verdadeiro ladrão.
Em 1956, um psicopata jogou ácido sobre ela, danificando parte inferior da obra; o processo de restauração foi demorado. No mesmo ano, um boliviano jogou uma pedra contra a obra, estragando parte da sombra no olho esquerdo da musa de Da Vinci, sombra esta que é comumente confundida com uma sobrancelha, porção de pelos que a Mona Lisa não tem.
Em 2 de agosto de 2009, uma mulher russa jogou uma xícara vazia de café contra o quadro. A pintura não foi danificada, pois a xícara quebrou na proteção de vidro à prova de balas que existe antes do painel. Segundo as autoridades, a mulher só fez isso porque estava indignada após não conseguir a cidadania francesa. A russa foi presa imediatamente.
IDENTIDADE DO MODELO. Muitos historiadores da arte acreditam que o modelo usado para a pintura pode ter sido a esposa de Francesco del Giocondo, um rico comerciante de seda de Florença e uma figura proeminente no governo fiorentino. Acredita-se também que estes eram vizinhos de Leonardo Da Vinci. Esta opinião fundamenta-se numa indicação feita por Da Vinci durante os últimos anos de sua vida, a propósito de um retrato de uma determinada senhora florentina feita da vida ao pedido do magnífico Juliano de Médici. O primeiro biógrafo de Da Vinci, Vasari, também pintor, descreve o retrato como sendo o de Mona Lisa, esposa do cavalheiro florentino Francesco del Giocondo.
As notas de Agostino Vespucci na Biblioteca da Universidade de Heidelberg
Em 2008, essa hipótese é a mais aceita, sendo, inclusive, respaldada por cientistas da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, que afirmam terem encontrado um documento com clara referência a um retrato de Lisa del Giocondo que estaria sendo realizado por Leonardo.
A identidade da modelo sendo Lisa del Giocondo, mulher de um comerciante florentino, Francesco del Giocondo, com base em notas escritas de Agostino Vespucci de 1503, encontradas na biblioteca da Universidade de Heidelberg. Descobriu-se também que Lisa tinha sido mãe recentemente, e o retrato foi feito um pouco em comemoração da recente maternidade.
(Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa, consultada em 2/Jul/2018)
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A liberdade guiando o povo
A Liberdade guiando o povo (em francêsLa Liberté guidant le peuple) é uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Uma mulher representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, empunhando a bandeira tricolor da Revolução francesa em uma mão e brandindo um mosquete com baioneta na outra.
Delacroix retratou a Liberdade, como figura alegórica de uma deusa e como uma robusta mulher do povo. O monte de cadáveres funciona como uma espécie de pedestal, do qual a Liberdade se lança, descalça e com o peito meio descoberto, da tela para o espaço do espectador. Ela usa barrete frígio que se tornara símbolo da liberdade durante a Primeira República Francesa (1789-1794). Ela segura pelo mastro uma bandeira tricolor, que ocupa o eixo médio da tela. A pintura tem sido vista como um marco do fim da Era do Iluminismo, já que muitos estudiosos identificam o fim da Revolução Francesa como o início da Era Romântica.
Distinguem-se quatro outros personagens à beira da barricada. Há dois meninos de rua — um deles, usando uma boina e segurando duas pistolas, pode ter sido a inspiração para o personagem Gavroche, de Les Misérables de Victor Hugo; o outro, abaixado, quase rente ao solo, usa um boné de policial e segura uma espada. Há também um homem de cartola, o que sugere se tratar de um burguês, e, atrás dele, um proletário, usando uma boina e com um sabre na mão. Atrás, pode-se ver um estudante da prestigiosa École Polytechnique, identificado pelo tradicional bicorne.  O que todos têm em comum é o olhar intenso e determinado. Ao longe, emergindo da densa névoa, veem-se as torres de Notre-Dame. A identidade do homem da cartola tem sido amplamente debatida. A sugestão de que seria um auto-retrato de Delacroix foi eliminada pelos historiadores da arte moderna. No final do século XIX, foi sugerido o diretor teatral Étienne Arago; outros têm sugerido o futuro curador do museu do LouvreFrédéric Villot, mas não há consenso sobre este ponto. Os principais personagens se inscrevem dentro de um triângulo em cujo vértice está a bandeira. As cores predominantes são azul, branco e vermelho, que se destacam dos tons de cinza e marrom predominantes.
COMPRA E EXIBIÇÃO. O governo da França comprou a pintura em 1831, por 3.000 francos, com a intenção de exibi-lo na sala do trono do Palais du Luxembourg, como lembrança para o "rei-cidadão" Louis-Philippe da Revolução de Julho. Delacroix foi autorizado a enviar o quadro para Félicité, sua tia, para o preservar. Ele foi exibido por pouco tempo no Salão de 1855. Em 1874, a pintura esta exposta no museu do Louvre.
LEGADO. A pintura inspirou a Estátua da Liberdade, em Nova York, que foi dado para os Estados Unidos como um presente dos franceses, 50 anos depois do quadro ter sido pintado. A estátua, que segura uma tocha na mão, tem uma posição mais estável, ao contrário da mulher na pintura.
Uma versão gravada desta pintura, junto com uma representação do próprio Delacroix, foi destaque na nota de 100 francos no início dos anos 90.
A pintura teve ainda influência na música clássica; o americano George Antheil autor da "Sinfonia n º 6 - After Delacroix", afirmou que o trabalho foi inspirado pelo quadro.
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Grécia nas ruínas de Mussolonghi
A obra Grécia nas ruínas de Mussolonghi, concluída em 1826, por Eugène Delacroix, é uma homenagem a Lord Byron, que morreu dois anos antes na localidade grega de Mussolonghi. A mulher retratada na tela simboliza a Grécia, que estava lutando contra os turcos pela independência e foi inspirada pelo terceiro cerco a Mussolonghi, pelos otomanos. A obra pertence ao Museu de Belas Artes de Bordeaux.



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SUMÁRIO

Apresentação
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Museu do Louvre —  fachada externa Norte (Rue de Rivoli).

Museu do Louvre, hall do piso inferior.

Vênus (1767), de Christophe Gabriel Alegrain.

Esculturas do corredor interno.

O soldado da maratona anunciando a vitória (1834), de Jean-Pierre Cortot.

Mona Lisa (1506), de Leonardo da Vinci.

A liberdade guiando o povo (1831), de Eugène Délacroix.

Diana de Versalhes, chamada Diana, a caçadora (Século IV a. C.). É uma cópia romana da era imperial, de um original perdido, em bronze, atribuído ao escultor grego Leocarés.

Vênus de Milo (Séc. II a. C.), atribuída a Alexandre de Antioquia.
Foi descoberta em 1820 na ilha de Milo.

Vênus de Milo (Séc. II a. C.), Alexandre de Antioquia.

Vitória de Samotrácia (Séc. II a. C.), de escultor desconhecido.
Representa a deusa grega Nice e é chamada também de Nice de Samotrácia.
Foi descoberta em 1863 nas ruínas do Santuário dos grandes deuses de Samotrácia.

Restaurante Benoit-Louvre.

Joana d'Arc (1899), de Emmanuel Frémiet.
Erigida na Pç das Pirâmides, onde Joana d'Arc foi ferida ao tentar tomar Paris.



Painel de tijolos (560 a. C.), oriundo da Babilônia, do regime de Nabucodonosor.

Estátua de Athena, em mármore.
É chamada Pallas de Velletri, porque foi encontrada nessa cidade no séc. XVIII.
É uma cópia de estátua em bronze, de 430 a. C., atribuída a Cresillas, escultor da cidade de Creta.

Topo de coluna do palácio Apadana (500 a. C.), em Persépolis, na Pérsia.

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Viagem a Paris - Torre Eiffel, La Coupole, St-Germain-de-Près e Sorbonne


20 de junho (quarta-feira) – Passeio na torre Eiffel, La Coupole, St-German-de-Près e Sorbonne
Em face de uma melhor adaptação à diferença de fuso horário (5 horas mais tarde que em Brasília), conseguimos acordar um pouco antes de 9 horas e assim tomar o café da manhã no hotel. Em Paris como de resto em toda França, qualquer refeição é de qualidade satisfatória. 
Com a tranquilidade requerida, partimos da estação Blanche em direção à estação Charles De Gaulle, baldeamos para a linha  6 para chegar à estação Tour Eiffel. Seguiu-se uma caminhada de cerca de 20 minutos, por um caminho não pavimentado, caracterizado por várias obras de manutenção e melhoria das cercanias da torre. Depois ficamos cerca de uma hora em uma longa fila para a compra de ingressos. Às vezes, algum desconforto é inevitável.
A Laura pediu para não ir ao topo da torre, então ela e Isabel optaram pelo acesso à primeira escala da subida. Eu, Alessandra e Cecilia decidimos ir até o topo. Como o dia estava ensolarado, foi possível desfrutar ao máximo a magnífica visão de uma das mais belas cidades do mundo. Procurei mostrar para as meninas, lá do alto, os pontos mais famosos de Paris: Arco do Triunfo da Estrela, Petit Palais, Grand Palais, Les Invalides, Trocadero, Assembleia Nacional, Louvre, Notre Dame etc.
A demora na compra dos ingressos e no acesso à torre, levou-nos a cancelar uma caminhada e visita ao museu Les Invalides e imediações. Por isso, fomos de metrô, partindo da estação Bir-Hakeim, para o restaurante La Coupole, chegando na estação Edgar-Quinet. Ir ao La Coupole foi uma opção nossa, como ponto alto da celebração dos quinze anos das meninas através da viagem que elas escolheram para vivenciar esse marco de suas existências. No passado, fui duas vezes com Isabel e uma vez sozinho neste simples porém magnífico restaurante. A escultura central, La Terre, do artista Pierre Debret e as pinturas no terço mais alto das colunas formam um conjunto belíssimo e sofisticado, valorizado por espelhos colocados de forma apropriada para que olhemos e fiquemos com a sensação de infinito. No almoço, com pratos eternos da cozinha 'coupoleana' — tivemos momentos de satisfação indescritível. Quando foi servido um Bordeaux Superieur, não hesitei e sugeri um brinde às aniversariantes.
Após uma providencial caminhada na Boulevard de Monmartre, tomamos o metrô na estação Edgar Quinet e descemos na estação Saint Germain-de-Près, que fica bem ao lado da igreja homônima. Do lado de fora, essa igreja não tem atrativos, até porque parece que sofreu danos e não foi recuperada. Há manutenção no interior, o que não impede que uma parcela de sua inigualável beleza e harmonia estejam ao alcance dos olhos e da mente. É magnífica. Além disso, assistimos ao ensaio de uma apresentação lírica, com acompanhamento de uma orquestra maravilhosa. Ademais, cartazes anunciavam que no sábado, haverá a apresentação de "As quatro estações", aquela que deixamos de ver na igreja de Madeleine dois dias antes. Complemento a posteriori: essa nova oportunidade foi desperdiçada.
Saímos da igreja e passamos em frente ao Café Deux Magots, famoso pela frequência de Picasso, Hemingway e outros do mesmo naipe. Logo depois veio o café De Flores, famoso por razões similares — ou seja, pelos encontros da boemia que se aglutinava em Paris, sobretudo na primeira metade do século passado. Mas nosso destino seguinte foi a livraria  L'Ecune des Pages. Isabel comprou dois livros e eu dei uma bisbilhotada para ver o prestígio brasileiro — que decepção! Não encontrei nenhum título da terra à mostra nos boxes dos livros em evidência. Corrijo-me, havia um único autor brasileiro presente: Paulo Coelho. Indaguei ao vendedor — que como bom francês, não se mostrou minimamente interessado — se existia alguma obra referente a Santos Dumont. Inicialmente, ele demonstrou desconhecer quem era o conterrâneo; depois que lhe expliquei, disse um "Ah! ..."  e confirmou não haver qualquer registro em seu sistema. Surpreso, agradeci e resolvi sair.
Era chegada a hora do retorno, especialmente para Cecília e Laura. Decidimos que Isabel e elas voltariam para o hotel. Eu e Alessandra iríamos continuar e passar em frente da Universidade Sorbonne. 
A igreja Saint Germain-de-Près é bem próxima da mais conhecida universidade francesa. Então, caminhamos na Boulevard Saint Germain, no sentido oposto ao que fizéramos para chegar à livraria. Depois de dois quarteirões, chegamos ao prédio da Université Renés Descartes. Era a Sorbonne ou não era? Fotografamos e continuamos. Batemos a cara na École de Medecine. A alegria da Alessandra foi contagiante. Não tivemos dúvida em entrar, satisfazendo a enorme curiosidade. E qual não foi a surpresa: demos numa festa, com salgados e vinhos, entre os quais champanhe; e ao conversar com um senhor que estava meio isolado, ficamos sabendo que se tratava da celebração do final de período letivo de 2017/2018 e o início das férias. Deslocamo-nos para um hall contíguo, a partir de onde se tinha acesso à outra dependências da Faculdade. Na porta de um desses acessos, havia duas esculturas, uma de Paracelso e outra provavelmente de Hipócrates. Alessandra não hesitou, sacou sua câmera e começou a fotografar. Aí apareceu um careca jovem e grandalhão, com cara de pouco amigo e disse que deveríamos sair. Tentei lhe explicar que tinha autorização de um gentleman, mas ele atribuindo-se responsabilidade pelo acesso àquele ambiente, afirmou que tínhamos que sair imediatamente. Saímos, com a satisfação de quem tinha sido penetras eficazes, já que cumprimos a meta essencial: ver, observar e admirar o que nem mesmo planejáramos. Caminhamos por uma via diferente daquela pela qual chegáramos. Passamos por vários jovens, possivelmente acadêmicos, consumindo maconha e outras drogas. Apressamos o passo, pois esse tipo de  cena surpreende, choca e amedronta. Chegamos à Place de l'Odeon, onde fica o Theatre Odeon de l'Europe, uma edificação suntuosa, e que quebra não apenas a sisudez arquitetônica mas sobretudo, o que imagino seja, a sisudez do ambiente de estudos de qualquer escola de alto nível. Chegou a hora de retornar para o hotel.
Isabel sugeriu que saíssemos para lanchar. Optamos por comprar sanduíches em um café que já estava fechando e voltamos para o hotel.

Curiosidades sobre Sorbonne.
A Universidade Sorbonne da Cidade de Paris (L’Université Sorbonne-Paris-Cité) é uma comunidade de universidades e centros tecnológicos, criada em 2010, resultante do reagrupamento de estabelecimentos de ensino superior e institutos de pesquisa da cidade de Paris e da região de Seine-Saint-Denis. Essa comunidade compreende treze membros: oito estabelecimentos de ensino superior e cinco institutos de pesquisa. Conquanto reagrupadas em torno da citada comunidade, cada organização manteve a sua individualidade. Elas são:
Estabelecimentos de ensino superior e de pesquisa
·    Escola de Altos Estudos em Saúde Pública (EHESP)
·    Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais (INALCO, Langues O)
·    Instituto de Estudos Políticos de Paris(Sciences Po)
·    Instituto de Física do Globo de Paris
·    Fundação Casa de Ciências do Homem(FMSH)
Organismos de pesquisa
·     Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS)

Entre 2010 e 2017 existiu a Sorbonne Universidades (Sorbonne Universités) que era o resultado do reagrupamento da Universidade Paris-Sorbonne (Université Paris-Sorbonne) e a Universidade Pierre-et-Marie-Curie — tendo similarmente, as duas organizações, mantido a sua individualidade. Em 1º de janeiro de 2018, houve a fusão da Paris-Sorbonne com a Pierre-et-Marie-Curie e surgiu a nova Universidade Sorbonne Université.

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SUMÁRIO

Apresentação
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Torre Eiffel



Vista Nordeste da Torre Eiffel

Igreja Saint German de Près [1]

Igreja Saint German de Près [2]

Igreja Saint German de Près [3]

Igreja Saint German de Près [4]

Boulevard de Montparnasse e o Restaurante La Coupole [1]

Boulevard de Montparnasse e o Restaurante La Coupole [2]

Restaurante La Coupole [1]

Restaurante La Coupole [2]

 
Restaurante La Coupole [3]

Restaurante La Coupole [4]

Escultura La Terre, de Louis Derbré; e, no teto, as pinturas La Femme, La Fête e La Nature, de Carole Benzaken (francesa), Fouad Bellamine (marroquino), Xiao Fan (chinês) e Ricardo Mosner (argentino).

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terça-feira, 19 de junho de 2018

Viagem a Paris - Arco do Triunfo, Champs Elysées e imediações


19 de junho (terça-feira) – Passeio no Arco do Triunfo, na Av. Champs Elysées, ponte Alexandre III, praça de La Concorde e igreja Madeleine
A Laura foi a única a colocar o relógio para despertar. Acordou e voltou a dormir. Todos acordamos por volta de 10 horas. Perdemos o café grátis do hotel Lepic. Saímos e fomos tomar café na Brasserie Café Le Nazir, esquina da rue Lepic com rue Abesse.


Brasserie Café Le Nazir, Montmartre [1]

Brasserie Café Le Nazir, Montmartre [2]

        Voltamos para o hotel, fizemos a higiene, saímos, tomamos o metrô na estação Blanche (entre Pigalle e Place de Clichy),  tendo antes passado em frente ao Moulin Rouge. Da próxima vez, evitaremos esse percurso — por ele transitam turistas à procura de moças que buscam turistas para arranjar uns trocados, de forma não tão trabalhosa. Descemos na estação Charles De Gaulle.

Moulin Rouge

O Arco do Triunfo foi uma boa escolha para o início da jornada cultural e histórica. O monumento foi erigido para celebrar a vitória da França contra as forças da Áustria e da Rússia, constitui-se em uma síntese da grandeza da França que antecede o século XX e sinaliza o prenúncio do envolvimento do país nas duas grandes guerras subsequentes, as maiores da história da humanidade. 
A Batalha de Austerlitz, também conhecida como Batalha dos Três Imperadores, foi uma das maiores vitórias de Napoleão Bonaparte. Nesse evento épico, em 1805, o Império Francês derrotou um Exército Austro-Russo, liderado pelo czar Alexandre I da Rússia e pelo imperador Francisco II, da Áustria. Após a Batalha de Austerlitz, Napoleão prometeu que os soldados franceses voltariam para casa passando sob um arco triunfal. A obra monumental de 50 metros de altura foi iniciada no ano seguinte e terminada em 1836. Doze ruas da capital francesa, entre as quais a avenida de Champs-Elysées, irradiam do Arco dando-lhe o nome Arco do Triunfo da Estrela (l’Arc de Triomphe de l’Étoile), que o diferencia de outro arco menor que fica próximo do museu do Louvre — o Arco do Triunfo do Carroussel (l’Arc de Triomphe du Carroussel). Na atualidade, o Arco é o ponto de partida de paradas e celebrações de vitória. Dentre as atrações encontradas no piso e nas fachadas do Arco podem ser citadas (conforme dados do guia Eyewitness Travel Guides Paris, lidos para a meninas):
   a Partida dos Voluntários, alto relevo de François Rude, que celebra a partida dos cidadãos para defender a nação em 1792;
   o Funeral do General Marceau, baixo relevo que homenageia o comandante que venceu os austríacos em 1795 e foi morto no ano seguinte combatendo quem ele já havia derrotado;
   a Batalha de Aboukir, baixo relevo de Seurre o Velho, apresentando uma cena da vitória de Napoleão sobre o Exército Turco em 1799;
   a Batalha de Austerlitz, baixo relevo de Gechter, com a exaltação do Exército de Napoleão quebrando gelo no lago de Satschan, em 1805, na Áustria, para afundar milhares de soldados inimigos;
   o Triunfo de Napoleão, alto relevo de J P Cortot, que celebra o acordo de paz formalizado em 1810 pelo Tratado de Viena;
   o Túmulo de Victor Hugo, numa clara alusão à relevância das artes francesas;
   o friso que envolve o Arco em sua parte superior, de autoria de Rude, Brun, Jacquet, Laitié, Cailloutte e Seurre, o Velho — mostrando na fachada leste a partida do Exército Francês para novas campanhas; e na fachada oeste o retorno dos militares;
   os nomes dos oficiais do Exército Imperial, nas paredes internas dos arcos laterais;
   30 escudos distribuídos abaixo do teto, cada um com o nome de uma batalha vencida por Napoleão na Europa e na África; e
   o Túmulo do Soldado Desconhecido, onde foi sepultado um militar morto na Primeira Guerra Mundial.

Arco do Triunfo [1]

Arco do Triunfo [2]

Arco do Triunfo [3]

Arco do Triunfo [4]

Arco do Triunfo [5]

       Enfim, o maior monumento francês homenageia o Exército. Um povo grande de um país grande homenageia seus soldados. O povo brasileiro homenageia e acredita em seus militares; mas uma expressiva parcela de intelectuais, políticos, artistas e demais formadores de opinião possuem uma má vontade atávica com os militares brasileiros. Por que? Os integrantes da caserna contribuíram para a derrota do nazismo — cerca de 430 morreram nos campos de batalha na Itália em 1945; e tiveram atuação decisiva e fundamental para impedir a implantação do comunismo no País — cerca de 120 morreram no conflito de 1964, lutando pela prevalência dos ideais da verdade e liberdade; contra os mais de 400 patrícios que foram derrotados defendendo ideal hediondo. Essa vitória é até hoje imperdoável.
Iniciamos a caminhada pela avenida Champs-Elysées, satisfazendo a curiosidade em cada atração da mais famosa via urbana do mundo. 
Passamos em frente ao Lido, um misto de restaurante e cabaré — entendendo-se esta expressão como o designativo de casa de show de dança, nesse caso, de padrão internacional, onde as dançarinas não raro apresentam-se com os seios à mostra. Fiz questão de mencionar para as meninas, porque em 1994, na já citada viagem de serviço à França, os anfitriões proporcionaram um jantar para nossa comitiva no Lido. Olhando para a retaguarda, não tenho dúvida de que um convite desses é recusável e deve ser recusado. Estávamos representando o governo brasileiro, preparando a visita de um ministro de Estado que poderia fazer opções pela aquisição de material de defesa e, portanto, qualquer evento fora do que fosse imprescindível não devia, não podia e não pode ser aceito. Dessa experiência, retirei ensinamentos que pratiquei em eventos subsequentes, onde eu tinha responsabilidades em processos de interação com empresas nacionais e estrangeiras. Não há almoço ou jantar gratuito, foi o ensinamento precioso. Portanto, qualquer oferta adicional passou a ficar fora dos planos.

Casa de espetáculos Lido

Av. Champs Elysées

 Eu, Laura e Alessandra entramos na loja Cartier. Perguntei ao vendedor se tinha relógio modelo Santos Dumont. Ele fez-se de desentendido. Ante minha insistência, ele chamou um gerente com cara de oriental; em realidade, era um mongol. Fiz a mesma pergunta e ele mostrou-se surpreso, embora prestativo. Lembrei-lhe a origem do relógio de pulso; afirmei que, em 1906, o brasileiro Santos Dumont realizou, no campo de Bagatelle, em Paris, um voo de 220 metros, pilotando e conduzindo pela primeira vez na história uma parafernália mais pesada que o ar, o 14-Bis. Ademais, para facilitar o controle do tempo, quando estava pilotando, ele encomendou à Cartier um relógio para que não precisasse usar as mãos para ver as horas — com isso Santos Dumont propôs à humanidade a utilização do relógio de pulso. Acrescentei que estava com a pretensão de dar um relógio Cartier para minha sogra, brasileira de Vacaria; e um para cada uma das três netas da sogra. Enfim, refrescada a memória, o mongol passou a descrever e mostrar os relógios da coleção Santos, que a Cartier mantém até hoje, para lembrar o pioneirismo da empresa, infelizmente sem divulgar a genialidade, a originalidade e a visão prática do Pai da Aviação.
Na saída da loja Cartier, uma bronca de Isabel estava na ponta da língua, faiscante  e incomparável. Ela não percebeu que havíamos entrado na loja Cartier; então, durante cerca de meia hora, ela e Cecília nos procuraram, não nos encontraram e pensaram que tínhamos sido sequestrados. 
Devidamente bronqueado, fomos em frente. A loja Adidas caiu sob medida a nossos pés; quer dizer, aos pés de Cecília que estava com bolhas, pois saíra com um sapato novo e apertado. Entramos e foi um tal de experimenta aqui, experimenta ali, até que ela se agradou de um bom tênis, desses divulgado pelo Messi. Na hora de pagar, conversei um pouco com a moça do caixa. Acho que ela entendeu muito bem, especialmente quando disse: 
“Seulement les scientifique et les fous changent le monde; et comme je ne sui pas scientifique, je dois être fou; mais je ne dérange pas les petits enfants et je ne déchire le billet de 50 euros. Pourtant, je dois être fou mais pas tellement!”.
“Somente os cientistas e os loucos transformam o mundo; e como não sou cientista, devo ser louco; mas não perturbo as criancinhas e não rasgo nota de 50 euros. Portanto, sou louco mas nem tanto assim!”
A moça riu com muita vontade; claro, ela não está acostumada com gente de Rochedo. Paguei e levei bronca novamente; dessa vez, das meninas.
Seguimos observando e apreciando a Champs-Elysées. Atravessamos para a margem Sul. Vimos a loja do PSG, o time onde jogam os brasileiros Neymar, Tiago Silva e Marquinhos, o uruguaio Cavani e o francês Mbappé. A Laura sugeriu que fôssemos dar uma olhada. Acho que para ela e para todos nós foi interessante entrar no ambiente do time cujos jogos temos assistido com grande frequência pela televisão. Não poderia ser diferente: presenteamos Laura com uma camisa do clube francês.

Loja do PSG

No prosseguimento da caminhada, chegamos à estátua do General Charles De Gaulle, com a inscrição: 
“IL Y A UN PACTE VINGT FOIS SÉCULAIRE ENTRE LA GRANDEUR DE LA FRANCE ET LA LIBERTÉ DU MONDE” 
“HÁ UM PACTO MILENAR ENTRE A GRANDEZA DA FRANÇA E A LIBERDADE DO MUNDO”
Em 1941, após a invasão da França pela Alemanha, o então Coronel De Gaulle recusou-se a aceitar a rendição para os germânicos e contrapôs-se ao governo do Marechal Pétain, que se estabeleceu em Vichy, sob a tutela nazista. De Gaulle foi para Londres organizar as Forças Francesas Livres que lutou ao lado dos Aliados até a libertação da França. Durante seus dois períodos presidenciais, De Gaulle reconheceu o direito da mulher ao voto, em 1945, e deu a independência à Argélia, em 1962. O general também fixou as bases da aliança franco-alemã do pós-guerra e reformou a constituição francesa ao criar a Quinta República, em 1958.
Por ocasião da morte do estadista, Pierre Clostermann, o maior herói da aviação francesa, nascido no Brasil, afirmou:
“De Gaulle est mort hier soir. J’ai pleuré. Étai-ce sur moi ou sur la fin de quelque chose qui me dépasse? Comme l’a écrit Roman Gary, ami et mon compagnon dans l’Ordre de la Libération, dans Time USA: ‘An old man walked away, and took with him our youth.’ (Un vieil homme est parti emportant avec lui notre jeunesse.) — cette jeunesse que nous lui avion apportée volontairement à Londres!”
 “De Gaulle morreu ontem. Eu chorei. Por minha perda ou pelo fim de qualquer coisa que ainda me assombra? Como escreveu Roman Gary, amigo e camarada da Ordre da la Libération: ‘Um velho homem se foi, levando consigo nossa juventude.’— essa juventude que nós lhe entregamos voluntariamente em Londres.”
Ressalte-se que Romain Gary — da mesma forma que Clostermann, herói e piloto das Forças Aéreas Francesas Livres — foi o único escritor francês a ganhar duas vezes o prêmio Goncourt de literatura. Na segunda vez, ele utilizou um pseudônimo para fugir à norma que regia a premiação, de concessão uma única vez para o mesmo escritor.
Na cerimônia de inauguração do monumento, diante de oficiais e veteranos que lutaram com o herói na Segunda Guerra Mundial, o presidente Jacques Chirac asseverou que  "o general De Gaulle encarnou a França".

Monumento General De Gaulle

        Em seguida, passamos em frente ao Grand Palais, ao Petit Palais e chegamos à ponte Alexandre III. Essas três obras arquitetônicas icônicas e emblemáticas foram construídas ao mesmo tempo, para a Exposição Universal de 1900. O Grand Palais combina uma imponente fachada Clássica de pedra, com uma estrutura metálica, compondo um conjunto Art Nouveau; e colossais esculturas de cavalos voadores e respectivas carruagens na parte superior dos quatro cantos da edificação. O Petit Palais foi construído em estilo semelhante ao Grand Palais e abriga atualmente o Museu de Belas Artes da Cidade de Paris. A ponte Alexandre III é considerada a mais bela do rio Sena; e possui uma exuberante decoração Art Nouveau de lâmpadas, querubins, ninfas e cavalos alados nos corrimãos dos dois lados. De seu nível mais alto, tem-se uma esplêndida visão de várias pontos monumentais da capital francesa. Assim, podemos observar a torre Eiffel, o Museu dos Inválidos, a Assembleia Nacional e a praça da Concórdia.

Palácio Grand Palais

Palácio Petit Palais

Ponte Alexandre III [1]

Ponte Alexandre III [2]

Ponte Alexandre III [3]

É oportuno lembrar que a Exposição Universal de 1900 foi um evento mundial realizado em Paris, para celebrar as conquistas do século XIX e potencializar o desenvolvimento ao longo do século subsequente. A feira durou de abril a novembro de 1900. Os maiores destaques foram: os novos meios de transporte, emblematizado numa esteira rolante chamada “Rua do Futuro”; a inauguração da primeira linha de metrô da capital francesa, de Porte de Vincennes a Porte Maillot; as novas estações de comboio — d’Orsay, Invalides e Lyon; o uso pela primeira vez da eletricidade para iluminar ambientes externos; a construção dos prédios Petit e Grand Palais e da ponte Alexandre III; e o os Jogos Olímpicos de 1900, organizados durante a exposição.
Prosseguindo, chegamos à ponte de La Concorde, de onde se tem uma vista esplendorosa de locais históricos de grande valor. 
Olhando para o Sul vimos, na margem direita do rio Sena, a Assembleia Nacional francesa, construída, em 1722, em arquitetura grega, estilo coríntio, fachada com 12 colunas sob o triângulo com base longa; destinada à Duquesa de Bourbon, filha de Luís XIV; confiscada durante a Revolução francesa; e tornada sede do Parlamento francês em 1830. 
Olhando para o Norte, vimos em primeiro plano, a praça de La Concorde e, mais ao fundo, a igreja de Madeleine. A praça é uma das mais conhecidas e famosas do mundo. Sua superfície em forma de octógono cobre mais de 8 hectares. Foi construída em meados do século XVIII, inicialmente com o nome de Luís XV, por abrigar ao centro a estátua do rei.  Depois recebeu o nome de Praça da Revolução e teve a estátua real substituída pela guilhotina, que, em dois anos e meio, prestou-se para o corte fatal no pescoço de 1.119 pobres condenados, aí incluídos Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta; e os líderes revolucionários Danton e Robespierre. Para recuperar o espírito de reconciliação, a praça foi rebatizada com o nome de La Concorde, teve a guilhotina substituída pelo obelisco egípcio de Luxor, de 3200 anos; recebeu duas magníficas fontes; e em cada um dos oito vértices foram acrescidas estátuas personificando cidades francesas importantes. 
Chegamos à última etapa da caminhada, a igreja Madeleine. A repetição da arquitetura grega, com suas colunas sob o triângulo contribui para eternizar a beleza com os gregos nos presentearam. Eu e Alessandra entramos na igreja. Havia o anúncio da apresentação das Quatros Estações de Vivaldi. Ao falar com Isabel, chegamos à conclusão de que teríamos que renunciar a esse programa irrenunciável. Tomamos o metrô na estação Madeleine e saltamos em Pigalle e fomos para o hotel.
Depois do banho, saímos para jantar. Fomos ao restaurante Le Basilic — localizado nas proximidades do hotel — aparentemente modesto, mas com a comida nos padrões habituais da maioria das casas francesas. Fomos atendidos por um garçom negro, de nacionalidade mali, que mostrou um desembaraço pouco habitual — comunicativo, brincalhão e com o pensamento ágil. Na saída, perguntei-lhe se era o proprietário ou o gerente; ele respondeu que era o proprietário. Ainda bem que usei a abordagem correta. É surpreendente que um cidadão africano do Mali consiga tornar-se proprietário de empresa na França. Não importa a circunstância, importam três fatores: talento, trabalho e liberdade para empreender.