segunda-feira, 14 de maio de 2018

Enem e a BNCC

“Muito se especula sobre o destino do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da reforma do ensino médio e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Nenhum dos “palpiteiros de plantão”, entretanto, considerou consultar o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo exame.” 
 [Maria Inês Fini, Presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em “Enem sem terrorismo”, publicado no jornal O Estado de São Paulo, de 14/Mai/2018].
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Prezada Senhora Doutora Maria Inês,

Com enorme curiosidade e atenção, li seu magnífico artigo “ENEM sem terrorismo”, publicado no Estadão (A2, de 14 de maio).
A primeira inferência relevante é a percepção da complexidade e da profundidade inseridas no esoterismo dos conceitos educacionais brasileiros que a senhora domina como nenhum outro intelectual. Essa constatação é extremamente razoável — não por seu mérito, culpa ou responsabilidade — mas pela quantidade de siglas que alicerçam a densa argumentação que a senhora desenvolveu:  ENEM, BNCC, INEP, MEC, SAEB, ENCCEJA, CONSED, UNDIME, JONTIEM, LDB, SISU, PROUNI, FIES. Fico extremamente temeroso de ter esquecido alguma.
A segunda inferência é que a grande maioria dos professores, supervisores, coordenadores, diretores e outros gestores não aprenderam as lições requeridas para que o Brasil possa alavancar a educação. Sabem eles o significado de todas as siglas? Sabem que Jontiem não é sigla, mas o nome de uma cidade? Sabem que o direito universal de greve é o direito de condenar os mais pobres a prosseguir em estado de pobreza? A rigor, são alguns múltiplos de sete de indagações. Por ora, não convém exaurir esse universo.
Não quero continuar mais com inferências. Há inferências a mais e trabalho de menos. Há teorias a mais e vontade & disposição de menos. Há consciência de direitos a mais e consciência de dever de menos (apraz-me ver repetições no texto; a que mais gosto é o palíndromo perfeito — só conheço um).
Gostaria de substituir inferências por cinco sugestões a serem levadas aos pré-candidatos à Presidência da República. Lá vai:
1)  a partir de 1º de janeiro de 2019, a Educação e a Ciência & Tecnologia são a prioridade estratégica fundamental do Brasil;
2)  fica decretada de forma inquestionável a valorização do professor — a meta é, em curto e médio prazo, transformar a profissão e a carreira de professor em uma das mais procuradas no Brasil;
3)  ficam excluídas de consideração, qualquer teoria e a maioria das siglas dos textos associados com a gestão pública da educação; cuide-se pois de trabalhar, ensinar, fazer aprender e construir uma arquitetura vivencial fundada em valores;
4)  para alguém ser considerado professor, ele deve ministrar aula em três das piores escolas brasileiras e, apenas por força, obra e graça de suas aulas, deve transformar essas piores escolas em escolas situadas na amostra do primeiro terço das melhores escolas (ressalto que esta ideia é impraticável, mas é uma metáfora do que os bípedes pensantes devem conceber, para ser empreendido); e
5) altere-se os códigos jurídicos vigentes para que haja punição severa para quem descumprir esta orientação.
Com o testemunho presencial, gostaria de mostrar indícios e evidências de que o que está sendo sugerido pode ser eficiente, efetivo e eficaz.
Atenciosamente,

ARS

domingo, 13 de maio de 2018

ONUVinci/2018 — PNUMA – Acordo de Paris

"O lavrador perspicaz conhece o caminho do arado."
Homenagem a Oscar Barboza Souto
Antigo lavrador, garimpeiro, comerciante, tabelião e juiz de paz.
In Memoriam.


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VER TAMBÉM

Discurso da Alessandra – Conclusão do ensino médio

Carta para Alessandra – Projeto Ceres

Discurso da Alessandra – Cerimônia do Jaleco da Turma 120

Carta para Alessandra – Festa Junina em nossa Casa

Carta para Alessandra – Ingresso no Internato do HUB

[Clique sobre um título]

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VER TAMBÉM
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No corrente ano, na ONUVinci/2018, a Alessandra escolheu o tema Acordo de Paris, no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Ela preparou com o rigor o documento básico para o pleito que, na condição de delegada do Canadá, vai apresentar naquele conclave. O artigo apresentado a seguir é a primeira versão do citado expediente.




Acordo de Paris
Alessandra Rocha Ribeiro Souto

O Canadá é um país situado na América do Norte, faz fronteira com os Estados Unidos e está localizado na Zona Temperada do globo terrestre. É constituído por uma monarquia constitucional: a rainha Elizabeth II, atual monarca britânica, é também rainha do Canadá. Possui um sistema parlamentarista, cujo chefe de governo é o primeiro ministro. O atual ocupante desse cargo teve sua investidura formalizada em 2015. É com grande honra que a delegação do Canadá se faz presente na discussão acerca do Acordo de Paris, no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Atualmente, há inúmeras discussões acerca da preservação ambiental em conjunto com o desenvolvimento sustentável, especialmente no que diz respeito à emissão de gases intensificadores do efeito estufa, que ocasiona o aquecimento global. O efeito estufa, um processo natural, é, em síntese, a faculdade de os gases presentes na atmosfera permitir a passagem de cerca da metade dos raios solares e reter a outra metade, assegurando o equilíbrio do ambiente que envolve a terra. Essa camada forma uma espécie de proteção na Terra, mantendo sua temperatura constante e tornando o planeta habitável. Ao longo do tempo, porém, e principalmente nos dias atuais, há a liberação excessiva de gases, ocasionados pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e uso de fontes de energia poluidoras, que causam o aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera terrestre. O nome desse processo é aquecimento global. Este fenômeno origina péssimas consequências ao meio ambiente, assim como aos seres humanos, e vem se mostrando irreversível tendo em vista a situação recorrente de degradação ambiental cometida pelo homem. 
O Acordo de Paris, realizado em 2015, na França, teve como objetivo desenvolver uma solução exatamente para essa questão condizente a emissão de gases intensificadores do efeito estufa. As 195 nações signatárias se comprometeram a realizar o máximo de ações possíveis para que a elevação da temperatura terrestre, até 2100, se mantenha abaixo de 2 graus Celsius, tendo como limite o aumento térmico de, no máximo, 1,5 graus Celsius. Além disso, países com alto índice de desenvolvimento e renda elevada devem garantir financiamento para países emergentes e em desenvolvimento, permitindo dessa forma que tais países tenham sucesso na prevenção ao aquecimento da temperatura média da Terra.
O Canadá possui, dentre outros, o programa Budget 2018, que propõe um dos maiores investimentos já feitos pelo país na conservação da natureza, protegendo os ecossistemas, paisagens e biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Com o apoio das províncias, dos demais territórios e da população nativa indígena, espera-se conseguir aumentar ainda mais a preservação ao meio ambiente canadense. Outro plano para prevenir as mudanças climáticas, juntamente com a promoção do crescimento da economia, é o Pan Canadian Approach to Pricing Carbon Pollution. Por meio dele assegura-se a multa paga pela poluição gerada por carvão, o tabelamento dos preços de acordo com as medidas estabelecidas pelo governo, a redução ao extremo a emissão de gases prejudiciais, o crescimento da economia e o aumento de resiliência na população. 13 empresas canadenses estão dentro das 100 melhores empresas de projetos ambientais inovadores para 2018. A lista foi publicada por Cleantech Group, de São Francisco. 
Eis algumas das medidas propostas pelo governo canadense para cumprimento do Acordo: a transformação da energia do setor de construções e obras públicas em uma energia limpa, já que além de investimento é um jeito efetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, gerando empregos; a construção de um sistema de eletricidade integrado, inteligente e limpo, que vai gerar energia limpa nas áreas em que for necessário, fornecendo uma necessidade básica (luz elétrica) para população; uso de energia limpa e redução da quantidade de diesel utilizado; reaproveitamento de combustíveis quando possível, para evitar sua queima e replantio, já que as florestas podem tornar a atmosfera mais limpa e com menos gás carbônico (por meio da fotossíntese); geração de competição (por meio de isenções fiscais, por exemplo) entre as empresas sustentáveis e impor multas e valores monetários às que usam materiais que prejudicam o meio ambiente; incentivo à  sustentabilidade nas indústrias e elaboração de regulamentos com relação aos setores de gás e óleo; investimentos sustentáveis nos transportes visando à potencialização da economia e à redução a emissão de gases que aumenta o efeito estufa.
O Canadá desempenha um papel fundamental no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável, ao apoio e  à liderança no âmbito do Acordo de Paris. Além de ratificá-lo, reitera seu apoio total a esse instrumento, já que é por meio deles que as nações vão impedir mudanças maléficas de cunho impensáveis na natureza e no planeta Terra.   
Além de possuir inúmeros programas de proteção ambiental nas mais diversas áreas —como prevenção de mudanças climáticas, preservação de plantas e animais,  proteção de espécies em extinção,  poluição do ar, redução do desmatamento de florestas, preservação da água, dentre outros —,  possui um vasto histórico de participação em mais de 100 tratados, acordos, cooperações e convenções mundiais relativos ao meio ambiente. Dentre os que possuem maior divulgação, podemos citar o próprio Acordo de Paris, o Protocolo de Biossegurança de Cartagena e as demais COPs (Conferência das partes) da ONU. Sediou uma delas, a Conferência de Toronto, em 1988. Ademais, tem um papel fundamental de liderança em questões sociais e ambientais perante o mundo, já que possui exemplar de manutenção ambiental, excelentes índices econômicos e boas relações diplomáticas como a maioria dos demais países.
Aqui seguem algumas medidas de âmbito internacional propostas: o Canadá incentiva as demais nações a formularem medidas e contribuições que reflitam suas metas, programas e medidas para com o Acordo, e irá ajudá-las a atingir tais objetivos em prol do meio ambiente; continuará apoiando ações para adaptação destas medidas em países em desenvolvimento, de modo que eles possam cumprir o esperado, do mesmo jeito que continuará os programas de financiamento ambiental; dará continuidade à   defesa e promoção de medidas e imposições econômicas que incentivem meios limpos e sustentáveis e a diminuição do uso do carvão; ademais promoverá a inovação e mobilização do setor privado com relação à sustentabilidade. 
O Canadá vem ajudando nações emergentes e em desenvolvimento com relação ao meio ambiente desde antes do Acordo de Paris. Exemplos a serem citados são: a Turquia, o Vietnã e o Brasil. Além disso, o Canadá fornece apoio a qualquer país que passe por desastres naturais ou outras emergências, por meio do Disaster Assistance Response Team (DART), para amenizar os principais impactos do desastre, por meio da colaboração governamental, tanto nacional quanto regional. 
O Canadá, então, reafirma sua posição de completo e total apoio ao Acordo do Paris, levando em consideração o meio ambiente e as gerações que virão. Propõe-se que os países desenvolvidos continuem tomando medidas de ajuda e financiamento aos países em desenvolvimento e aos demais com carência de recursos, bem como adotando medidas em seu próprio país, para que o objetivo de manter a elevação de temperatura terrestre em até, no máximo 1,5º C, seja alcançado. Além disso, são necessários conferências e programas da ONU com a participação de ONGs (organizações não governamentais) para garantir que cada país atinja suas propostas e cumpra sua função dentro da responsabilidade global do Acordo. Por último, é necessário que se faça com que todos os países assinem o Acordo e cumpram suas orientações. 

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Fontes


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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Goodall e a 9a. Sinfonia de Beethoven

[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores do  portal do Estadão em 11/05/2018]

Ludwig van Beethoven iniciou a etapa mais fantástica de sua vida como compositor genial “por volta de 1803, depois de ter compreendido a seriedade de sua surdez e ter rejeitado o suicídio para dar ao mundo, como disse, ‘toda a música que sentia dentro de si’”[1]. Passadas duas décadas, já próximo do final de sua vida, ele como que se vingou da doença que tragicamente o acometera, compondo sua 9a. Sinfonia [2], a mais bela música que um ser humano seria ser capaz de ouvir. Não há relato de que ele tenha dito, mas é fácil e razoável inferir o que ele teria pensado: “Já que não posso ouvi-la, componho e deixo-a para os outros ouvirem!”.
Hoje, o cientista australiano David Goodall, de 104 anos, saudável, autor de mais de 30 livros — e expressando a sensação de que a vida não valia mais a pena ser vivida — rodeou-se dos netos e outros  familiares, e mediante vontade prévia e espontaneamente manifestada, teve sua vida encerrada por médicos em uma clínica da Suíça. 
Ele pediu que a ação médica fosse realizada  após almoçar sua refeição favorita e depois de ouvir a 9a. Sinfonia de Beethoven. Assim, foi cumprido seu último desejo: morrer com a dignidade com a qual serviu o ser humano por tanto tempo.
Sua vida exemplar terminou de forma razoável? Por que sua vontade pôde ser concretizada na Suíça e não Austrália? É válido que muitos países proíbam o suicídio em qualquer circunstância? É razoável que alguns países só permitam o suicídio assistido quando a doença é terminal e o sofrimento quase insuportável? É aceitável que pelo menos um país — e somente um — permita o suicídio assistido nas condições de pessoa saudável?
Tudo indica que seu fim inusitado será objeto destas e de outras considerações, contrárias e favoráveis, em todo o mundo nos dias que se seguirão à sua morte.
        É possível supor que o compositor alemão compôs a 9a. Sinfonia na irrefreável busca da serenidade requerida para a partida; e que o cientista australiano desejou ouvi-la para resgatar o sentido da vida antes de deixá-la. Permito-me preferir que ouçamos a 9a. Sinfonia com mais frequência, para viver e celebrar a vida, aí incluída a celebração da vida fecunda e generosa dos dois gênios.

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[1] Música Clássica, John Burrows, Jorge Zahar Editor Ltda, Rio de Janeiro, 2006.

[2]  9a. Sinfonia de Beethoven - 4o. Movimento - 10000 vozes
       [Clique com o mouse, ouça e acompanhe o coro de 10000 pessoas celebrando a vida!]



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terça-feira, 8 de maio de 2018

Eleição sem favoritos


As análises da senhora Eliane Catanhêde primam pela argúcia e pela elegância. Dá gosto ler o que ela escreve; é uma pena não poder ler o que ela não escreve. Em sua narrativa “Sem favorito(s)” (Estadão A6, de 8 de maio), sua verve apenas confirma essa constatação óbvia mas edificante, dado que as hipóteses são colocadas com o conhecimento de quem é do meio e conhece os meandros do palco onde encena a realidade. Porém ela vai adiante: permite inferir sobre a forma como uma expressiva parcela de políticos, intelectuais, especialistas em pesquisa de opinião e articulistas das mídias estão tratando a eleição o próximo presidente da República. 
Quanto à assertiva “Bolsonaro bateu no teto”, cabe a indagação: bateu no teto de que ou de quem? Em quaisquer das acepções, o povo brasileiro não tem teto, quer dizer, parcela expressiva não tem teto e  o candidato não está batendo no teto de ninguém. Os corações, as mentes e o cérebro dos brasileiros não estão no teto — para desespero de poucos, e gáudio da maioria. Os formadores de opinião não querem saber das razões, nem da simplicidade da trajetória parabólica do capitão (ramo direito, é claro). 
De forma precisa e concisa, simples e objetiva: ele não mente; não fala só o que os outros querem ouvir; ignora os que querem conchavos à moda brasileira — à moda brasileira nada, à moda do PSDB, PT e PMDB et caterva; não corrompe e não se deixa corromper; não promete o que não pode fazer; contraria aqueles que, para se beneficiar, usam os negros, os gays e a forma não razoável de tratar a mulher; e denuncia o absurdo da impunidade descabida dos sistemas responsáveis pela justiça e segurança do Brasil. Então, claramente, ele não bateu no teto, apenas chegou no ponto da trajetória onde os brasileiros sonham em chegar e depois ultrapassar.
Quando a ilustre articulista esclarece sua aposta de hoje para o segundo turno, ela indica dois dentre os candidatos, um cearense e o outro paulista, que darão continuidade ao que o pessoal que está descansando em Curitiba fez e aprontou. Embora mantenha a observação sobre sua elegância, questiono senhora Catanhêde está sua reconhecida argúcia. Querer e formar opiniões, admitindo que tudo continuará como dantes no quartel de abrantes é coisa de ‘lulandertal’, ‘dilmandertal’, ‘temerandertal’ et al. Ela se corrige questionando “Amanhã? Ninguém sabe”. 
Conquanto não deva nem possa sugerir nada para alguém da estatura da senhora Catanhêde, então que eu sugira para o Brasil. É preciso mudar para transformar; é imperioso brandir a verdade e a liberdade, sustentáculos da democracia; é imprescindível, a igualdade de oportunidades e o respeito por todos, não importando a opção posicional no momento da apneia a dois, o tipo de absorção da luz pela epiderme; a contribuição exógena ou endógena para preservação da espécie. É também inquestionável que os descuidos com a gestão e com o emprego dos recursos públicos sejam combatidos, identificados e os responsáveis tenham o Juiz que merecem — seja ele Moro, Bretas ou Valisney.
Fico imaginando encontrar a senhora Catanhêde no supermercado no dia 10 de outubro. Creio que ela faz o que todos fazemos — vai às compras, quando necessário, atua de pé, sentada ou deitada e o que mais relevante for. Ela vai estar com o cabelo de quem não tem pesadelo, apneia e qualquer outro distúrbio dos humanos comuns; e nem terá precisado pentear o cabelo de manhã. Mas um de nós vai estar querendo fugir do outro. Se, na eleição presidencial, der pessoa do naipe similar àquelas do universo de Curitiba, a previsão dela terá correspondido à narrativa deste 8 de maio e, nesse caso, cabe-me, inquestionavelmente, esconder e fugir, sei lá pra onde. Se der o que os brasileiros querem, precisam e sonham — e até agora só existe uma possibilidade — isto é, alguém capaz de concretizar a mudança requerida, não restará à senhora Catanhêde senão esconder-se, correr e fugir. O resultado terá sido para o bem de todos. Brasil acima de Tudo!





sábado, 5 de maio de 2018

O regime de 64 e Bolsonaro

Usei-o [o Poder], sim, para salvar as instituições, defender o princípio da autoridade, extinguir privilégios, corrigir as vacilações do passado e plantar com paciência as sementes que farão a grandeza do futuro [...].
(Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco)
Em relação ao artigo “Volta à ditadura pelo voto” (Estadão, 5 de maio, A2), do Sr. Miguel Reale Jr., professor da USP (talvez fosse melhor mencionar professor doutor), praticante de taramelas na Associação Paulista de Letras e ex-Ministro da Justiça, é imperioso que se submeta o texto à possibilidade do contraditório. Afinal, uma autoridade desse naipe falando a verdade ou a falsidade, testemunhando a justiça ou a injustiça, propalando a ética ou a safadeza, nada impactaria em uma sociedade minimamente organizada, mas tem um estratosférico efeito no universo das pessoas que herdaram o país do PSDB e do PT, com índices de corrupção, desemprego, fome e encarceramento de autoridades jamais vistos na História da Humanidade. Ou seja, submerso em uma crise fatídica, genética e originariamente moral. ‘Ah não! A culpa é dos militares’— diria o iluminado professor doutor. Acho que não! Eu diria. Vejamos as razões.
Comecemos pelo início — eu disse começar pelo início, senhor professor doutor! O título sugere que podemos asseverar ‘volta à democracia pelo voto’. Não foi isso que ocorreu no governo ao qual o professor doutor serviu como Ministro? Sim, mas esse governo liderado por quem é considerado um dos maiores intelectuais da história do Brasil, legou para a posteridade um sistema educacional que coloca nosso país entre os piores em que faz sentido realizar essa avaliação (PISA), ou seja, entre os países membros e os países parceiros da OCDE. Sim, mas esse governo permitiu sua continuidade na democracia pelo voto, deixando-se substituir pelos titulares do maior escândalo de corrupção da história da humanidade — ou os próceres dessa façanha estão encarceradas de brincadeirinha no período da democracia pelo voto? Sim, mas o professor doutor sabe, mais do que todos,  que o aprendizado se propaga e o governo a que serviu deu início a um período em que se ‘conquistou’ a reeleição presidencial por processos virtuosos que teve continuidade no Mensalão e no Petrolão. Ou não? Ou tudo é virtude no cérebro face da Lua do professor doutor? ‘Cérebro face da Lua’ é um neologismo para designar aqueles que têm a faculdade de praticar a verdade apenas com os impulsos de um lado da massa cinzenta. Do outro lado, a massa é cinzenta porém desprovida de conexões sinápticas.
Agora vamos pro meio — assim fica fácil; não é senhor professor doutor? Há várias considerações econômicas no exulcerante texto (não omitam ou substituam a palavra adjetivante, ela existe; adjetivante é que não existe), atinentes ao período militar, tais como: “manifestação em favor das eleições diretas e contra a desastrosa política econômica”, “trágica situação econômica”, “profunda carestia, com inflação galopante e redução drástica do PIB”, “inflação maior do que 10% e PIB negativo”. 
O eminente professor doutor se esqueceu de mencionar, em sua titulação, a especialidade em economia. Engano fatal. Até porque se não tivesse essa omissão — no currículo ou na mente — teria mencionado que o período militar tirou a economia brasileira da 48a. para a 8a. posição; criou a EMBRATEL, a TELEBRAS, o INSS, o PIS, o PASEP, a regulamentação do 13o. salário, o BNDES, o Banco Central, o PRO-ÁLCOOL, a EMBRAPA, o FUNRURAL, a Secretaria do Meio Ambiente (origem do Ministério correlato); instituiu o programa merenda escolar, o CNPq, a FINEP; implantou 15 universidades; asfaltou mais de 40.000 quilômetros de estradas; construiu mais de 10 hidrelétricas (inclusive Tucuruí e Itaipu) e 2 polos petroquímicos; elevou a produção petrolífera brasileira de 75.000 para 750.000 barris diários (sim, é isso mesmo; por intermédio da Petrobras, que os governos face da Lua das últimas décadas conspurcaram, enlamearam e tornaram-na vergonha do caráter nacional — corrijo-me: o caráter nacional não é moldado pelos petistas e peemedebistas que estão na jaula e pelos que acrescidos dos peessedebistas ainda serão devidamente encarcerados); multiplicou por uma dezena o número de alunos nas escolas fundamentais e médias e universidades (‘a mais a qualidade do ensino...!’, diria o professor doutor. Ah não! Digo eu. Essa deturpação é responsabilidade da trindade santa, PMDB, PT e PSDB — o senhor participou da criação de quase todos, não é professor doutor?).
Já dá para começar a ir para o fim — por favor, professor doutor (‘prodou’ para ficar mais digerível), não estou asseverando começar do fim! Em realidade, vou começar indagando. O ‘prodou’ sabe o que aconteceu na Rússia nas décadas de 1910 a 1950? Sabe, claro que sabe. O ‘prodou’ sabe o que aconteceu na Alemanha nas décadas de 1930 e 1940? Similarmente, sabe; só não vai admitir que os militares brasileiros ajudaram a extirpar o nazismo do cenário global e impediram a implantação do comunismo no Brasil. O ‘prodou’ sabe o que aconteceu na Colômbia nas décadas de 1970 a 2000? Dúvidas não há; o ‘prodou’ é sabido, mas alguns não. 
Com erro estimado em 10 a 20%, pra mais ou pra menos, o que para a hipótese é razoável, poderíamos estimar em 10 milhões de torturados e mortos na União Soviética (aí incluídos os milhões de assassinatos por fome na Ucrânia), 6 milhões de torturados e mortos na Alemanha (restringindo-se apenas a judeus e assemelhados), 100 mil torturados e mortos na Colômbia (parte da imprensa brasileira divulgou 220 mil sacrificados). Incluir a turma com quem o Mao (que era mau não apenas no nome, mas também na retórica e na ação), Pol Pot e Fidel Castro não prejudicaria a compreensão do demógrafo economista ‘prodou’, mas entediaria os demais leitores.
Tá vendo, já não sei mais onde estou ...! Sim, lembrei! As barbaridades do regime militar brasileiro existiram? Sim. Muitas? Depende. Se levar em conta o que, no século XVII, o que o poeta britânico John Mayra Donne asseverou, é irrelevante se muitas ou poucas. Afinal, “quando alguém se vai, os sinos dobram por todos”(Hemingway apenas copiou Donne, sabiamente!). Que me desculpe o poeta, mas entre os que se foram e os que não foram idos, eu fico com estes. Os russos, os alemães e os colombianos fizeram a opção de lutar continuadamente. 
Os militares brasileiros fizeram a opção de, em pouco tempo, sacrificar uns poucos para que muitos não fossem sacrificados. Fala-se em 450 mortos da parte que queria implantar o comunismo no Brasil. Fico sempre na dúvida se entre estes estão incluídos os que foram justiçados pelos próprios comunistas, isto é, pelos próprios companheiros. É! Eles se mataram também! Fala-se em 120 mortos da parte dos vencedores — quer dizer, os perdedores jamais falam das perdas dos oponentes, não é professor doutor? Retorno à denominação original porque minhas herdeiras, todas menores de 15 anos, afirmaram que a forma neologística desvaloriza o argumento. Fala-se em uns 900 a 1200 torturados, porém mais de 20.000 requereram indenização e tiveram apoio da Comissão que o notável professor doutor se orgulha de ter presidido. Por que o senhor professor doutor não aceitou avaliar também as mortes covardes que o outro lado perpetrou?
Vamos lembrar Bertold Brecht, professor doutor? Ele disse: 
“Quem luta pelo comunismo tem que poder lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade; prestar serviços e negar serviços; manter a palavra e não cumprir a palavra; .... Quem luta pelo comunismo tem de todas as virtudes apenas uma: a de lutar pelo comunismo” (deixo de citar no original, que li, porque minhas herdeiras lerão e elas ainda não estão habilitadas no idioma). 
Gostou, não é professor doutor! Eu sabia! Pode gostar, mas convém substituir a palavra comunismo por fanatismo, indigência de caráter, etc. Nem precisa ser exaustivo.
Tamos começando a chegar ao fim. Pegar frases soltas do Bolsonaro e construir uma narrativa, como fez o professor doutor, valendo-se da força do meio, o respeitável Estadão, será que é razoável? É, pode ser! Desde que, em conjunto com as frases, fossem colocados, de forma lógica, racional e proba, o contexto e as demais informações essenciais que permitissem (ou não!) que a partir da integridade, da sabedoria e do caráter do formador de opinião, os leitores de boa fé — dentre os quais, ressalvadas as imperfeições da condição humana, me incluo — pudessem certificar e comprovar a assertiva de Brecht; e pudessem continuar aspirando e sonhando com uma Nação e uma sociedade fraterna, solidária e justa, bem como continuar lutando pertinazmente para conquistar esse objetivo; fundamentando a luta na retórica e na prática da verdade, da liberdade e da ética, que são os mais importantes valores para a construção da democracia. Sócrates se contorceria onde se encontra e diria: 
‘Valeu a pena entornar a taça de cicuta sem fazer concessões! Seria uma epopeia edificante para os brasileiros, se fosse em Curitiba. Bom, em Atenas foi uma forma de criar uma civilização e lá seria uma forma de tentar a salvação, sem absorver o conteúdo de outra taça!’, apud apologia concebida por Platão e agora manipulada em Rochedo.

Atenciosamente,
ARS

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PS. Considero pouco provável que o Estadão divulgará esta mensagem no Fórum de Leitores, como já fizera com uma parcela (menos de 50%) das mais de cem mensagens que enviamos. Porém, tenho a expectativa de que o texto chegue ao autor do artigo que provocou estes comentários.

É preciso que o autor saiba quem sou. Sou nada. Aos 5 anos, meu pai, lavrador semianalfabeto me ensinou uns garranchos. Reclamei que não conseguia fazer as contas no papel, e ele disse que era para fazer de cabeça como ele, pois com o lápis ele não sabia. Aos 5 anos e meio, ele comprou uma enxada pequena e disse que a partir de então eu iria ajudá-lo na roça, nas tarefas da lavoura. Aos 6 anos, ele disse que teríamos uma conversa séria. Eu precisava decidir se queria ter uma vida meio tranquila, ou queria ficar no cabo do guatambu igual a ele, a vida toda. Respondi que queria uma vida tranquila.

Então, ele disse que eu teria que estudar, mas aí teria dois problemas. O primeiro: eu me mudaria para uma pensão na cidade de Rochedo, com seus 900 habitantes, e só veria os pais e os irmãos de uns dois em dois meses. O segundo: ele não podia pagar o valor da mensalidade, então eu deixaria de dormir na cama com colchão que ele fizera com suas próprias mãos, e passaria a dormir na rede, em um corredor da pensão. Nessa condição, a proprietária poderia cobrar a metade do preço, e aí ele poderia pagar. Confirmei: disse que queria estudar.

Aos sete anos, saí de casa em direção a meu destino, carregando comigo os alicerces de meu caráter e de meus valores — que me permitem olhar com enorme encantamento a atitude de Sócrates, Donne e Brecht (pela integridade deste, a despeito de seu comunismo; a rigor, não tenho detalhes de sua vida, mas nem é necessário, pois haveria o risco de ter que mudar de opinião); e que me possibilitam olhar com enorme tristeza o que os políticos, intelectuais e outros formadores de opinião fazem em nosso maltratado país. Meu posto militar, as graduações e pós-graduações, e várias outras coisas mais, são irrelevantes.

Para mostrar como um pai e o Exército mudaram a vocação inicial de uma criança — que era passar a vida no cabo do guatambu trabalhando a terra — e para que não exerça a covardia de me esconder nas mazelas de minha infância, das quais sinto muito orgulho, menciono que sou oficial general da reserva das invictas e imorredouras Forças Armadas brasileiras.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sistema educacional japonês


O Japão começou a se ocidentalizar na Era Meiji (1868-1912). Antes disso as escolas eram na maioria para os ricos e não eram regulamentadas pelo governo. O governo Meiji imediatamente instituiu um novo sistema educacional baseado em moldes franceses, alemães e americanos. 
Escolas de níveis primário e médio e universidades foram estabelecidas em 1872. No mesmo ano, as autoridades tornaram obrigatório 4 anos de estudo de nível elementar para todos os meninos e meninas no país, entretanto as matrículas não ultrapassaram 25% a 50% na primeira década do novo sistema. Em 1905, 98% dos meninos e 93% das meninas em idade escolar encontravam-se matriculados, e 10% da população já formada no primário continuava os estudos no nível ginasial. Só uma pequena minoria chegava ao colegial. Apesar disso, em 1899, o governo pediu para que todas as províncias tivessem pelo menos uma escola de nível médio para meninas.
O atual sistema educacional japonês foi estabelecido pelos americanos, baseado em seu próprio sistema, após a 2ª Guerra mundial. Ele consiste em 6 anos de escola elementar (shōgakkou), 3 anos de ginásio (chūgakkou), 3 anos de colégio (koukou), e mais 2 anos de ensino técnico superior (tankidaigaku ou kareji – do inglês “college“), ou 4 anos de universidade (daigaku).
O ensino é obrigatório até a idade de 15 anos, mas 90% das pessoas completam o ensino médio – o colégio – e 40% se formam no técnico superior ou na universidade. A proporção de alunos do sexo masculino é maior nas universidades, enquanto no técnico superior a proporção maior é de alunas.
Em 2002 a freqüência nas escolas particulares foi de: 79% nos jardins-de-infância; 0,9% nas escolas primárias; 4% nas escolas ginasiais; 29% nas escolas de nível médio; 91% nas escolas técnicas e de 76% nas universidades.

Regras das Escolas Japonesas
A maioria das regras que vamos ver é para alunos do Chugakko e Kokou (12-18 anos).
Regras de aparência
Você não pode mudar sua aparência natural. Por exemplo, pintar o cabelo, usar maquiagem, usar lentes de contato coloridas, pinça as sobrancelhas, pintar as unhas etc. Você não pode usar qualquer joia ou acessórios de qualquer tipo. Por exemplo, colares, anéis, relógios, brincos e etc
O uso do uniforme é obrigatório nas escolas. Você não pode usar um suéter colorido brilhante ou casaco sobre seu uniforme durante o inverno. Apenas cores como cinza, marinho, preto e neutras. É obrigatório o uso de meias. Tudo isso vai depender da sua escola. Não se pode fazer certas alterações no uniforme como encurtar, pintar ou mudar a cor.
Os meninos não podem ter o cabelo comprido ou uma barba muito grande. A franja de uma menina não pode se estender além das sobrancelhas. 

Regras da escola
A pontualidade é obrigatória.
No começo da aula e no final os alunos levantam curvam-se e cumprimentam. Os alunos devem trazer suas próprias refeições, não é permitido a venda e consumo de certos alimentos e produtos industrializados.
Não se deve utilizar o celular na escola. punições. Caso o aluno falte os país devem ligar avisando o motivo. É obrigado a participação em algum clube (esporte, literatura, música e etc.).
A escola não permite que o aluno façam certos tipo de trabalhos ou que tenham empregos. Às vezes é comum um aluno perto de se formar participar de trabalhos de meio período ou bicos chamado de baito.
Algumas escolas proíbem até mesmo os filhos de ir a um Arcade ou Karaoke sem a presença dos país. Às vezes é proibido até mesmo dormir na casa de amigos. Os alunos devem estar em casa antes do toque de recolher (22:00). Os estudantes não podem ter aulas extras ou cursinho sem informar o seu professor.
Não é permitido fazer qualquer coisa que envergonhe o nome da escola ou o aluno, inclusive ter relações íntimas com alguém. Existem muitas outras regras que não existem nas escolas de outros países como nosso. 
Regra da limpeza
Os alunos são responsáveis pela limpeza da escola. Nas escolas japonesas, não há funcionários responsáveis pela limpeza. Os próprios alunos se encarregam desta tarefa diariamente. Os alunos são divididos em pequenas equipes e se revezam para limpar as salas de aula, os corredores, o pátio e até os banheiros. Desta forma, desde cedo as crianças aprendem a trabalhar em grupo, ajudando-se mutuamente.
Na hora do almoço, as equipes também se revezam para servir o almoço e depois recolher as bandejas e separar o lixo reciclável do não reciclável. Esse hábito estimula os alunos a não sujarem a escola além de desenvolver o espírito de equipe e o respeito pelo meio ambiente.
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Fontes:
http://www.culturajaponesa.com.br/index.php/guia-japao/sistema-educacional-japones/
https://skdesu.com/regras-das-escolas-japonesas/
https://www.japaoemfoco.com/15-curiosidades-sobre-a-educacao-no-japao/